21 de junho de 2018

Caixa de Memórias

Foto: João Caldas Filho

Estreia "Caixa de Memórias", a partir do texto inédito de José Eduardo Vendramini, no Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho, no dia 22 de junho. Encenado por Marcio Aurelio, o espetáculo tem sessões às sextas e aos sábados, às 21h, e aos domingos às 20h, 29 de Julho. 
O texto trata da formação dos núcleos familiares na virada do século XX, responsáveis pela criação e montagem das cidades e de seus redutos com as diferentes células, que dão forma à figura do homem nostálgico brasileiro. Na sinopse, no início do Século XX, um jovem casal apaixonado dá início a um novo núcleo familiar. Além de hospedar e cuidar dos velhos ancestrais dos dois lados, o casal tem dois filhos e luta bravamente pelo progresso material, com sucessivas vitórias e posterior decadência. As perdas familiares (naturais no caso dos ancestrais) culminam com a viuvez da esposa, agora mãe de dois filhos adultos, uma moça e um rapaz. A saga familiar prossegue contando a história destas duas pessoas, até que, um dia, o pedido de documentação familiar feito por uma neta (que precisa viver no Exterior) traz à tona toda a longa trajetória familiar
Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho fica na Rua Vergueiro, 1000 - São Paulo.

20 de junho de 2018

As Ondas ou Uma Autópsia

Foto: João Caldas Filho

O espetáculo "As Ondas ou Uma Autópsia", com concepção e atuação de Gabriel Miziara, chega ao Rio de Janeiro para quatro apresentações no Teatro Poeira, entre 28 de junho e 1º de julho. O espetáculo é inspirado no romance “As Ondas”, de Virginia Woolf (1882-1941), e foi escrito em 2016, nos 75 anos de morte da escritora britânica.
A pesquisa para o espetáculo, em andamento desde 2012, nasceu da paixão do ator pela obra da autora. Ele é o primeiro espetáculo de uma trilogia dedicada a obra de Virginia Woolf, composta ainda por “Momentos de Vida”, baseado no livro homônimo e autobiográfico, e “Virginia”, criação inédita – que ainda não estrearam.
Na sinopse, este romance-poema escrito em 1931 descreve através do nascer do sol até seu poente, as diversas fases das vidas de seis amigos: Jinny, Rhoda, Susan, Louis, Bernard e Neville. Os personagens manifestam seus pensamentos, anseios e vontades através de solilóquios, quase nunca existe um diálogo direto, tudo passa por dentro deles, ganha camadas, adquire relevos antes de ganhar o mundo; e cada um destes mundos é vasto, amplo, infinito. Além dos seis personagens existe um sétimo, mudo, apenas um espectro que acompanha os outros: Percival, o herói silencioso que morre no auge da sua vida. Percival é quem leva esta obra até o cerne angustiado da vida da escritora.
Teatro Poeira fica na Rua São João Batista, 104 - Rio de Janeiro. As apresentações acontece de quinta a sábado, às 21h, e no domingo, às 19h.

19 de junho de 2018

Teatro do Incêndio: da Terra ao Território


O Teatro do Incêndio lança livro no dia 22 de junho, às 20 horas, que registra os 22 anos de história do coletivo. Do processo de montagem de sua primeira peça, "Baal - O Mito da Carne", em 1996, até a conquista de sua sede própria, em 2017. O livro "Teatro do Incêndio: da Terra ao Território" mostra a trajetória do grupo em paralelo com a história política do país, refletindo sobre criação, teatro de grupo e modo de produção. A publicação também registra fatos de lutas internas para sobrevivência da Companhia.

Com críticas, resenhas e textos de nomes como José Celso Martinez Correa, Cida Moreira, Valmir Santos, Márcio Boaro, Daniel Ortega, Rodrigo Mercadante e integrantes do grupo, entre outros artistas que passaram pela companhia, o livro é composto por imagens e por escritos que foram organizados pelo diretor Marcelo Marcus Fonseca, fundador da companhia, em 1996.

"Teatro do Incêndio: da Terra ao Território" tem prefácio assinado por Antônio Carlos de Moraes Sartini, sendo ilustrado por 92 imagens captadas pelos fotógrafos Lenise Pinheiro, Bob Sousa, Giulia Martins, Marcos Lobo, Don Fernando, Pya Lima, Vânia Scharback e Antônio Marciano.

O lançamento é em parceria com a editora Córrego e faz parte do projeto "A Gente Submersa", contemplado pela 29ª edição da Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

18 de junho de 2018

O pássaro do limo verde


A releitura da história "O pássaro do limo verde" vem do conto recolhido pelos Irmãos Grimm. Conto este que foi mantido pelos contadores populares de diversos países.  A narrativa é instigante, criativa e prestigiada em suas entrelinhas. Na história, Maria é uma moça sensível e generosa que pede ao pai que lhe traga de presente: um pássaro. Ele é o pássaro do limo verde, um príncipe aprisionado na forma de pássaro, por obra de uma terrível bruxa. Como o amor de Maria pelo príncipe era forte e verdadeiro o bastante para enfrentar duras provas, foi possível a quebra do encantamento.

15 de junho de 2018

N

Foto: Rudi Silva

Os famosos relatos de Anne Frank, a garota judia alemã que viveu refugiada durante toda a Segunda Guerra Mundial, serviram para inspirar a  Cia. Arte-Móvel ao discutir a questão dos refugiados na peça "N". O espetáculo que tem duas apresentações gratuitas nos dias 23 e 24 de junho, na Galeria Olido, às 20h e às 19h, respectivamente.
Com concepção e direção de Otávio Delaneza, a peça retrata acontecimentos recorrentes a vida de tantas pessoas que fogem de seus países em busca de condições para existir.
Em um universo cheio de poesia, a montagem cria uma reflexão sobre a condição de vida refugiada e sobre como as pessoas são “nada”, “ninguém” ou “nenhum” ao longo de suas existências. Basta que não sejam aceitas, que não tenham a liberdade de existir como são para que o silêncio do refúgio aconteça.
Arte-Móvel especializou-se na mescla de linguagens entre o corpo expressivo, a interpretação e o teatro de animação e objetos. São artistas que buscam o potencial transformador da arte. E, por meio de projeto como estes, encontram mecanismos de democratizar o acesso a cultura de forma potente e eficaz.
A Galeria Olido fica na Avenida São João, 743 - SP.

14 de junho de 2018

III SPHarpFestival – Festival Internacional de Harpas

Foto: Iago Leon

De 22 a 25 de junho, o Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo apresenta o "III SPHarpFestival – Festival Internacional de Harpas" com vários números musicais durante o dia e um total de 12 apresentações de música popular, folclórica e erudita. Os eventos acontecem no teatro com entrada franca. Serão vários tipos de harpas: clássica, koto (japonesa), paraguaia e céltica. Algumas são elétricas, outras acústicas.

Entre os destaques internacionais estão a soprano e instrumentista escocesa Zoe Vandermeer com repertório erudito. E dois paraguaios: Vivian Duré Prado que interpretará folclore latino-americano, música paraguaia e clássicos e Lucas Zaracho que é proveniente de uma longínqua cidade do 12º departamento de Ñeembacú. O harpista tem trilhado o caminho da arte com o projeto "Sonidos de la Tierra". Há um argentino, Dario Andino que se apresenta com o grupo Yassique traz 13 músicos, sendo 8 harpistas. O repertório é de MPB. 

Uma novidade deste ano é o espetáculo O Retrato de Dorian Gray, inspirada na estética da Belle Époque, com canções consagradas do rock. Toca nesse número a harpista Tatiana Henna com participações de Cristina Harumi (apresentação e bongô), Doug Almeida (violão), Nayane Spigoti (teclado) e Paulo Keller (vocais).

O Duo Mulheres em Harpa e Flauta (foto) tem Norma Holtzer Rodrigues na harpa que é formada em piano pela Escola de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e estudou harpa com Amalia Maresca em Montevideo no Uruguai. Ana Carolina Bueno é bacharel em flauta pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A Burning Symphony traz harpas céltica e elétrica, violoncelo e bateria. No repertório muito rock, heavy metal, power metal e metal sinfônico.

O "III SPHarpFestival" acontece no CCBB São Paulo que fica na Rua Álvares Penteado, 112 - SP. As apresentações acontecem às sextas, domingos e segundas: 13h, 15h e 18h e aos sábado: 15h, 18h e 20h.

13 de junho de 2018

O Último Capítulo

Foto: Paprica Fotografia

Chega a São Paulo a comédia "O Último Capítulo", com os atores Mariana Xavier e Paulo Mathias Jr. O espetáculo fica em cartaz no Teatro Itália, entre 13 de julho e 2 de setembro, com sessões às sextas-feiras, às 21h; aos sábados, às 18h e às 21h; e aos domingos, às 18h.
A peça conta a história de um casal em crise: Berenice, uma romântica e sonhadora diarista apaixonada por novelas, e Dagoberto, um desempregado crônico fanático por futebol. Berê chega do trabalho ansiosa para curtir o último capítulo de sua novela preferida, mas um repentino apagão acaba com seus planos de acompanhar o desfecho do folhetim. A história se passa num tempo em que não há celular, nem internet: resta ao casal, então, conversar.
O público acompanha uma divertida e dramática DR (Discussão de relação) de um casal que se ama, mas que acha que chegou a hora de se separar. Por meio de flashbacks, Berenice e Dagoberto vão reavaliando sua relação e chegam à conclusão de que seu casamento também é uma grande novela, e que também pode estar no último capítulo.  
Escrito por Alexandre Morcillo e Clóvis Corrêa e dirigido por Márcio Vieira, "O Último Capítulo" comemora a oportunidade dos amigos Mariana e Paulo, declaradamente fãs um do outro, trabalharem juntos.
O Teatro Itália fica na Avenida Ipiranga, 344 - SP.

12 de junho de 2018

Canção Dentro do Pão

Foto: Jennifer Glass

A peça "Canção Dentro do Pão" terá uma sessão especial no próximo dia 14 de junho,  às 20hs, na qual ocorrerá o evento de lançamento do CD com a trilha sonora completa do espetáculo. Com música de Marcus Vinicius e Léo Nascimento, este disco reúne composições que são mais, muito mais, que um simples sublinhado da ação dramática. Por trás das letras irreverentes e da escolha de cada gênero musical, há, tal como na peça, "reflexão, há compromisso com a realidade,há consciência da marcha do Homem para transformar a História”, como escreve o maestro Marcus Vinicius, na apresentação do CD, até porque a peça, e o CD, tratam da fervura social às vésperas da Revolução Francesa.

Com direção de Bete Dorgam, o texto dRaimundo Magalhães Júnior é inspirado em uma passagem do romance “Jacques le Fataliste et Son Maitre” (Jacques, o Fatalista e Seu Amo) do escritor francês Denis Diderot.  A temporada tem sessões sempre quintas, às 20 horas, e sextas às, 21 horas, até 29 de junho.

Ouvir o CD é ver, ou rever, a peça. Da marcha de abertura “Acorda Paris”, apreciando o bolero, propositalmente brega, “Chifres”, dançando o sonho dos sans-culotte no minueto “Madame Guilhotine” - enquanto o idiota só consegue imaginar que o mundo está aprontando alguma contra ele - e encerrando com a embolada “Embolée Finale” ao chamado:"Liberté, Egalité, Fraternité” (para ficar em poucos exemplos), o burlesco, o duplo sentido das palavras em francês, ou em português com sotaque francês, mais do que o gozo do inevitável riso farto, é sentir que "por trás dos quiproquós amorosos dos personagens e dos seus diálogos picarescos e aparentemente simplórios, aos poucos emergem contradições sociais, embates de classe, ambições coletivas e pessoais, crueldades políticas e outras mesquinharias que tais alpinistas sociais, atravessadores de vantagens, corretores de picaretagens, adesistas de primeira hora’’.

O Teatro Denoy de Oliveira fica na Rua Rui Barbosa, 323 - SP. 

11 de junho de 2018

Viviane Mosé e Gustavo Roberto Costa

Foto: Divulgação

A Companhia de Teatro Heliópolis promove palestras sobre o tema justiça com filósofa Viviane Mosé, no dia 15/06, e com o promotor de justiça Gustavo Roberto Costa, no dia 29/06, ambas abertas ao público e com entrada franca. Os eventos acontecem às 16h, na Casa de Teatro Maria José de Carvalho - sede da companhia - com mediação da jornalista e crítica teatral Maria Fernanda Vomero.

Estas atividades integram as ações do projeto "Justiça - O que os Vereditos Não Revelam", contemplado pela 31ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, que resultará no próximo espetáculo do grupo.

No dia 15, a filósofa Viviane Mosé, em sua palestra, abordará os seguintes temas: Sentidos e sentimentos de justiça; Relações entre justiça, ética, violência e equidade; Sensação de impunidade e desejo de justiçamento (ou vingança); e Pensar a justiça como exercício de imaginação política (e afetiva). Viviane Mosé é poetisa, filósofa, psicóloga, psicanalista e especialista em elaboração e implementação de políticas públicas. É também mestre e doutora em filosofia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Já no dia 29, o promotor de justiça Gustavo Roberto Costa discute assuntos pertinentes como: Percepções sobre a justiça no Brasil – justiça seletiva, justiça "injusta", justiça inoperante; Justiça como garantia dos direitos ou justiça como punição e vingança?; Violência, crime e lei: qual o papel do Estado, das instâncias de justiça e da sociedade; e Ser um promotor: desafios e responsabilidades. Gustavo Roberto Costa é Promotor de Justiça da Infância e Juventude da Comarca de Guarujá e bacharel em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto. É também especialista em direito penal e criminologia pela Universidade Internacional - UNINTER – PR e mestrando em Direito Internacional dos Direitos Humanos pela Universidade Católica de Santos - UNISANTOS.

A Casa de Teatro Maria José de Carvalho fica na Rua Silva Bueno, 1533 - SP.

8 de junho de 2018

A Barragem de Santa Luzia

Foto: Arô Ribeiro

O impacto da destruição causada pela construção de uma hidrelétrica na vida, memória e cultura dos moradores das comunidades ribeirinhas é o tema do poético "A Barragem de Santa Luzia: , de Rudifran Pompeu. O espetáculo estreia no dia 11 de junho na Oficina Cultural Oswald de Andrade, onde fica em cartaz até 1 de agosto, com entrada gratuita.

A peça narra o drama da jovem Maria Flor, que é obrigada a sair de sua terra em função do rompimento de uma barragem para a construção de uma usina hidrelétrica na região. Ela se recusa a deixar a sua vida e resolve construir um universo próprio, cheio de desejos e descobertas, a partir do barro de seu quintal. Os horizontes e sonhos de Maria são abalados quando ela encontra uma velha caixa-mala repleta de memórias de seu bisavô. Esse artefato é capaz de transformar o pensamento da jovem sobre a vida e sobre tudo que pode decorrer dela.

“A motivação do texto é a fábula da resistência. Resistência em todos os sentidos, da terra, da mulher. O espetáculo fala sobre essa mulher que, para não perder o pouco que tem, precisa resistir ao possível desaparecimento de sua história. Fala sobre memória, sobre a fragmentação do pensamento e sobre a terra e o desejo de se permanecer onde se trabalhou, viveu e plantou raízes. No desespero do fim de tudo, a personagem procura uma lacuna de salvação de sua dignidade e de sua trajetória histórica, e, mesmo que tudo seja um campo imaginário, ela resolve criar um novo mundo no quintal da casa onde vive e onde pretende ficar até o fim”, comenta o autor e co-diretor.

A Oficina Cultural Oswald de Andrade fica na Rua Três Rios, 363 - SP.

7 de junho de 2018

Deadline

Foto: Vitor Vieira

Ao lançar um olhar subversivo e transgressor sobre a sociedade brasileira, "Deadline", de Priscila Gontijo, revela o encontro de duas mulheres que aguardam na sala de exames ginecológicos. Dirigida por Fernanda D’Umbra, a peça estreia no Teatro Anexo à Oficina Cultural Oswald de Andrade, no dia 11 de junho, com sessões de segunda a quarta-feira, sempre às 20h.
Aos quarenta anos, duas mulheres desenvolvem uma estranha amizade quando tentam se adaptar a um mundo hostil tomado por contratos, prazos e padrões de comportamento implacáveis. A atriz Guta (Maria Fanchin), em pleno desastre profissional, amoroso e familiar vai morar com a roteirista Nicky (Nicole Cordery), que também passa por um desastre de proporções idênticas. Sem solução para suas vidas elas tentam se adaptar ao que chamamos de "vida normal".
“O que temos ali é um mundo barbarizado pela burocracia. As personagens têm duas opções: se perder ou se adaptar. Não há meio termo. Elas estão à deriva em um oceano de situações constrangedoras. No texto, peço atenção aos substantivos hiper-adjetivados, coisas que, em sua descrição, já criam situações. Por exemplo, ao qualificar o gerente do banco a partir dos adjetivos que conheço, eu me coloco em uma situação específica, cheia de códigos malucos de uma sociedade patológica, mas que são percebidos pela plateia. E a vida dentro dessa linguagem é engraçada e melancólica ao mesmo tempo. Enfim, uma lupa estranha sobre o que existe”, comenta a diretora.
O Oficina Cultural Oswald de Andrade – Teatro Anexo fica na Rua Três Rios, 363 - SP. Os ingressos são gratuitos, distribuídos uma hora antes de cada sessão.

6 de junho de 2018

Odisseia

Foto: Elina Gioulanli

A Cia. Hiato estreia no dia 9 de junho, no Sesc Avenida Paulista seu sétimo espetáculo: "Odisseia", inspirado no poema épico de Homero. Com direção de Leonardo Moreira e dramaturgia coletiva, a peça fica em cartaz até 8 de julho, com sessões de quinta a sábado, às 19h, e aos domingos, às 17h.

Na narrativa, como rapsodos antigos, sete atores recontam odisseias pessoais e coletivas, oscilando entre realismo e fantasia. A experiência viva de narrativas marginais à Odisseia desafia tanto as dicotomias ficção / realidade , público/ privado quanto borra a polaridade ator e espectador. A partir da tão conhecida história de um homem que deixou seu lar e seu coração para lutar uma guerra e acabou por vagar por anos tentando voltar para casa, a Cia Hiato convida o  público a tomar o lugar do protagonista ausente Odisseu e navegar por diferentes ilhas. Os sete atores desenlaçam memórias, dúvidas e sonhos a partir dos personagens e narrativas do épico grego: o abandono de Telêmaco; a rejeição de Calipso; o corpo de Circe; a violência estratégica de  Atena; o fogo de Héstia; a espera de Penélope. Uma viagem a um só tempo íntima e grandiosa; o encontro entre o ridículo da nossa vida ordinária e a força mítica das histórias que ainda tentam nos explicar. Porque, depois de tudo dito e feito, podemos igualmente ser ordinários e míticos.

Sesc Avenida Paulista fica na Avenida Paulista, 119 - SP.

5 de junho de 2018

Rodas de Conversa


O Teatro do Incêndio promove nos dias 8 e 15 de junho, às 20h, os dois últimos encontros sobre cultura popular da programação das Rodas de Conversa - A Gente Submersa. Os eventos têm entrada franca.

No dia 8, o bate-papo é com o Samba de Bumbo do Cururuquara, formado por descendentes de escravos que habitavam o bairro Cururuquara, em Santana de Parnaíba. E fechando o projeto, no dia 15, o Fandango de Tamanco de Ribeirão Grande, composto só por homens, mostra como se dança essa modalidade usando tamanco de madeira, especial para produzir uma contagiante sonoridade.

As Rodas de Conversa - A Gente Submersa vem reunindo, desde março de 2017, mestres da cultura popular e comunidades tradicionais, principalmente do estado de São Paulo, em bate-papos que são seguidos por vivências (breves apresentações dos grupos convidados).

O Teatro do Incêndio fica na Rua Treze de Maio, 48 - SP.

1 de junho de 2018

1984

Foto: Ronaldo Gutierrez

Considerado um dos romances mais influentes do mundo no século 20, a distopia 1984, do jornalista e romancista britânico George Orwell (1903-1950), ganha adaptação do Núcleo Experimental, com direção de Zé Henrique de Paula. O espetáculo estreia no Teatro Anchieta do Sesc Consolação no dia 1º de junho.
Escrita em 1949, a obra-prima de Orwell voltou a ganhar enorme destaque na era de Donald Trump, na qual a pós-verdade e os “fatos alternativos” tomaram conta da política. Prova disso é que o livro subiu na lista dos mais vendidos na Amazon desde a posse do presidente norte-americano e, segundo a editora, as vendas aumentaram em 10.000%.
A distopia se passa no fictício Estado da Oceânia, governado por um líder supremo chamado Grande Irmão, que chegou ao poder depois de uma guerra mundial que eliminou as nações e criou três grandes potências totalitárias. Esse Estado é pautado pela burocracia, censura e, sobretudo, pela vigilância. Quase sem qualquer forma de privacidade, cidadãos são espiados o tempo todo pelas “teletelas”, uma espécie de televisores espalhados nos lares e em lugares públicos, capazes de monitorar, gravar e espionar tudo.
Nesse lugar vive Winston Smith, funcionário do Ministério da Verdade, responsável por falsificar registros históricos para garantir que eles respaldem os interesses do Grande Irmão. O protagonista detesta o novo sistema, mas não tem coragem de desafiá-lo. Ele apenas declara seu ódio nas páginas de um diário secreto. Isso muda quando ele conhece Júlia, uma funcionária do Departamento da Ficção. Juntos eles sonham com uma rebelião e praticam pequenos atos de desobediência. A represália aos amantes será brutal.
1984 ficará em cartaz no Sesc Consolação – Rua Dr. Vila Nova, 245 - SP. A temporada vai até o dia 8 de julho, às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 18h.

31 de maio de 2018

Missão Super Secreta

Foto: Divulgação

O espetáculo infantil "Missão Super Secreta", de Thereza Falcão, estreia no dia 26 de maio no Teatro Raul Cortez. A peça revela as brincadeiras de Juca e sua prima Teco, que têm apenas oito anos e precisam encontrar alguma maneira de se divertir em um dia de enchente na cidade onde eles moram. Além da falta de energia provocada pela chuva forte, os dispositivos eletrônicos portáteis da casa ficaram sem bateria.
Esse é o ponto de partida para que as crianças mergulhem em um terreno até então pouco percorrido por eles: o de suas próprias imaginações. Cada móvel, cada objeto da casa recebe um novo sentido, uma nova utilidade nos mundos que eles começam a construir, sempre traçando um paralelo com a própria realidade que os cerca. Juca e Teco vivem uma aventura até então inédita em suas vidas.
A ideia é criar uma reflexão sobre uma forma de diversão tátil e lúdica, mostrando que o poder da imaginação não cabe em uma tela. Além disso, a peça pretende sensibilizar crianças e adultos para a interatividade com o outro, o aqui e agora, muito além das redes sociais.
Na sinopse, ao se verem em uma pane elétrica causada por mais uma enchente calamitosa na cidade onde vivem e com todos os seus aparelhos sem bateria, os primos Juca e Teco, um menino e uma menina de oito anos de idade, mergulham em um terreno até então pouco percorrido por eles: o de suas próprias imaginações! Cada móvel, cada objeto da casa recebe um novo sentido, uma nova utilidade nos mundos que eles começam a construir, sempre traçando um paralelo com a própria realidade que os cerca. Juca e Teco vivem uma aventura até então inédita em suas vidas.
A peça fica em cartaz no Teatro Raul Cortez – Rua Dr. Plínio Barreto, 286 - SP - até 15 de julho; aos sábados e domingos, às 16h.

30 de maio de 2018

À Espera

Foto: Heloisa Bortz

Com direção de Hugo Coelho, o espetáculo "À Espera", de Sérgio Roveri, estreia no dia 8 de junho na Oficina Cultural Oswald de Andrade, com ingressos grátis. Com elenco formado por Ella Bellissoni, Jean Dandrah e Regina Maria Remencius, a história traz três personagens que podem estar em qualquer lugar, em qualquer tempo: duas mulheres, sem nenhum tipo de memória acordam todos os dias na mesma hora, à espera de algo – até que um dia recebem a visita inesperada de um homem que veio comemorar um aniversário.

A ação acontece no despertar do que deveria ser um sono profundo, Uma (Remencius) e Outra (Bellissoni) se deparam com o sol que insiste em nascer todos os dias, numa indecifrável realidade. Uma é a mais velha. Não anda, vive na cadeira de rodas, não dorme nunca, não sonha e gosta de falar. À noite, conta os pingos que caem de uma torneira e, durante o dia, ocupa-se ouvindo relatos dos sonhos de Outra. Uma não tem memória, nem lembrança do passado. Outra é jovem e cuida de Uma. Sente medo. Dorme, sonha e inventa sonhos para entreter Uma. Ela também não tem memória de quem foi. Ambas não sabem como foram parar ali e esperam que um dia haja explicação para tamanha espera.

Ele (Dandrah) chega sem avisar para uma festa de aniversário, trazendo duas garrafas de bebida, a promessa de um bolo e algumas histórias. Ele conta que em uma festa já foi capaz de cantar 137 vezes uma mesma canção. Logo após sua chegada, Outra aproveita para sair e conhecer o mundo lá fora, e volta com algumas respostas.

Sérgio Roveri diz que o texto, escrito há cerca de dois anos, foi inspirado em uma imagem do juízo final que sempre o perseguiu, desde criança. “Como seria acordar em um (não) lugar apocalíptico e nada acontecer? Embora não saibam exatamente o que estão fazendo ali, os personagens têm as mesmas inquietações, têm a consciência de que haja algum propósito. Estariam aguardando o tal dia do juízo final?”. Ele explica ainda que, nessa espera atemporal, o que os une talvez seja a esperança. “Eles podem representar o fim, mas nada impede que seja também um início. Ainda que o juízo final seja um conceito muito ligado à religião, não é esta particularidade que o texto aborda, completa o autor”.

Ao contrário do que seria um espetáculo realista, À Espera coloca o espectador diante da intrigante historia dessas personagens que se encontram em lugar e tempo indefinidos. Embora se encontrem em uma situação de contornos extremados, os três personagens podem ser uma metáfora do ser humano diante do risco, do perigo, do desconhecido e, principalmente, diante da necessidade de reconstrução. 

A temporada fica até o dia 21 de julho , às quintas e sextas (às 20h) e sábados (às 18h). Os ingressos devem ser retirados com 1h de antecedência. A Oficina Cultural Oswald de Andrade fica na Rua Três Rios, 363 - SP.

29 de maio de 2018

O Monstro

Foto: Heloisa Bortz

A possibilidade de pessoas comuns cometerem atos terríveis em busca de saciar seus desejos mais obscuros é o tema do monólogo "O Monstro", uma adaptação do diretor Hugo Coelho para o conto homônimo de Sérgio Sant’Anna. A peça estreia no Teatro Vivo no dia 5 de junho e segue em cartaz até 1º de agosto.
O texto original é uma longa entrevista com Antenor Lott Marçal sobre o caso envolvendo a bela jovem Frederica Stucker.  Ele  diz ao repórter que concordou em falar com a mídia para poder expor seus sentimentos, dar suas explicações e falar sobre tudo o que aconteceu sem as limitações fatuais que todo processo penal implica.
A adaptação teatral, que elimina a figura do repórter, apresenta a confissão de um professor de filosofia, ou seja, um homem culto, que está absolutamente consciente dos terríveis crimes que cometeu. Ele resolve abrir o jogo em um cenário não muito bem definido (ao contrário do conto original), que serve para representar a própria consciência do protagonista.
O Teatro Vivo fica na Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 - SP e as apresentações serão às terças e quartas-feiras, às 20h.

28 de maio de 2018

Coriolano

Foto: Lenise Pinheiro

Considerada uma das obras menos montadas de William Shakespeare (1564-1616), "Coriolano" é também uma das mais experimentais e intrigantes. Com direção de Márcio Boaro e 14 atores em cena, a vibrante montagem da Cia. Ocamorana para o clássico inglês ganha nova temporada popular no Teatro Alfredo Mesquita, entre 1º de junho e 1º de julho.
Na sinopse, Caio Marcio Coriolano, é um general romano temido e reverenciado, está em desacordo com a cidade de Roma e seus cidadãos. Impulsionado a ocupar a poderosa e cobiçada posição de Cônsul por sua mãe controladora e ambiciosa, Volumnia, ele não está disposto a agradar às massas cujos votos ele precisa para assegurar o cargo. Quando os Tribunos do Povo fazem com que o povo se recuse a apoiá-lo, a raiva de Coriolano gera um protesto que culmina em sua expulsão de Roma. O herói banido se alia então ao seu inimigo declarado Tulio Aufídio para vingar-se da cidade. Uma obra de Shakespeare que se mostra atual para os problemas das Repúblicas modernas.
O Teatro Municipal Alfredo Mesquita fica na Avenida Santos Dumont, 1770 - SP. as apresentações acontecerão às sextas e aos sábados, às 20h30, e aos domingos,  às 19h.

25 de maio de 2018

Elle s'appelait Sarah


O drama francês "Elle s'appelait Sarah" ou "A chave de Sarah" (2011) toca o sentimento do espectador pela simplicidade no contar uma história forte, mas ao mesmo tempo com certa doçura em suas descobertas. Os personagens são ricos em toda sua composição. A trilha sonora é linda. A produção e figuração são assertivas. O final surpreende. A narrativa acontece em 1942, durante a ocupação alemã na França, na 2ª Guerra Mundial. Sarah Starzynski (Mélusine Mayance) é uma jovem judia que vive em Paris com os pais (Natasha Mashkevich e Arben Bajraktaraj) e o irmão caçula Michel (Paul Mercier). Eles são expulsos do apartamento em que vivem por soldados nazistas, que os levam até um campo de concentração. Na intenção de salvar Michel, Sarah o tranca dentro de um armário escondido na parede de seu quarto e pede que ele não saia de lá até que ela retorne. A situação faz com que Sarah tente a todo custo retornar para casa, no intuito de salvá-lo. Décadas depois, a jornalista Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas) é encarregada de preparar uma reportagem sobre o período em que Paris esteve dominada pelos nazistas. Ao investigar sobre o assunto, encontra um elo entre sua família e a história de Sarah. A película é envolvente e delicada, vale muito à pena assistir. O filme foi exibido na mostra Panorama do Cinema Mundial, no Festival do Rio 2011.

24 de maio de 2018

Tot Ziens


O premiado "Tot Ziens" ou "Goodbye" (1995) é um drama com bons elementos criativos. Os personagens são complexos e verossímeis. Há bons diálogos. A direção é assertiva. Na trama, Jan é um homem casado, e Laura é solteira. Eles simplesmente não podem ficar juntos, mas tampouco podem ficar separados. O homem luta entre seus dois amores, enquanto ela não pode terminar esta relação desesperada e perigosa. A película holandesa foi premiada no Locarno International Film Festival e no Nederlands Film Festival.

23 de maio de 2018

Política da Editora

Foto: Sebá Neto

A peça "Política da Editora", de Eduardo Aleixo, estreia no dia 1º de junho na SP Escola de Teatro Roosevelt, com direção de Cintia Alves. O texto venceu o Concurso Jovens Dramaturgos do Sesc e discute as relações de poder entre o artista e o mercado. 

No texto carregado de ironia, um escritor luta para ter seu livro integrando o catálogo de uma grande editora. Escritor, Editor, Revisora e Tradutora entram em conflito em uma sala de reuniões. Pouco a pouco, são revelados os mecanismos de poder que permeiam as relações entre arte e mercado, convertendo uma obra em fetiche de mercadoria.

Para contar essa história, Cintia Alves buscou referências modernistas. “A ideia que norteia todos os elementos estéticos da peça é provocar um estranhamento, assim como uma dialética do entendimento, não só entre texto e subtexto, mas também entre uma dramaturgia realista e uma encenação expressionista”, conta.  

Escrita em 2015, a peça também recebeu menção honrosa no Programa Nascente da USP e obteve o segundo lugar no Prêmio Martins Pena da União Brasileira de Escritores. “O texto é sobre escrever, publicar e ler. A ideia é inserir o público nessa cadeia produtiva, para que ele se aproprie dela. Terminar de escrever um livro muitas vezes não é o fim, mas o começo da jornada. O percurso da obra de arte até chegar ao público pode ser tão intrigante quanto as trajetórias de Josef K. ou Bartleby”, comenta o autor do espetáculo.   

A peça cumpre temporada até o dia 2 de julho, com sessões às sextas-feiras, aos sábados e às segundas, às 21h; e aos domingos, às 19h. O SP Escola de Teatro fica na Praça Roosevelt, 210 - SP.

22 de maio de 2018

O Rei da Vela

Foto: Luiz Doro Neto

Parlapatões reestreia montagem festiva de "O Rei da Vela" na Praça Roosevelt no dia 26 de maio. O espetáculo tem adaptação de Hugo Possolo e direção musical de Fernanda Maia. A reestreia acontece no Espaço Parlapatões, entre 26 de maio e 15 de julho, com sessões às sextas e sábados, às 21h, e aos domingos, às 19h.

A encenação enfatiza o caráter burlesco e festivo da obra, em clima de cabaré abrasileirado, com forte influência das linguagens do Teatro de Revista, do Circo e do Teatro Épico de Bertolt Brecht. “O Rei da Vela é também um projeto de encenação que recoloca o grupo diante da sua expressividade popular e cria um circo-teatro provocativo, desprendido do melodrama, para se lançar sobre um caráter épico que busca a festa e alegria como prova dos nove”, explica o diretor.

O espetáculo narra a saga de Abelardo I, um agiota inescrupuloso que ganhou muito dinheiro em vários segmentos, sobretudo comerciando velas em um país atrasado, onde a energia elétrica ficou tão cara que a população já não consegue mais pagar por ela. Ao lado de seu empregado-pupilo Abelardo II, ele se aproveita da crise econômica para emprestar dinheiro, com juros altíssimos, para o povo faminto.

“A trama consegue traçar mais do que uma linha de tempo da transformação da sociedade brasileira no início do século passado – de um Brasil medieval e colonizado para um país urbano, dominado pelo capitalismo e pretensamente liberto. Ela perfaz um arco dramático que escancara as intenções sociais e políticas das personagens que percorrem os três atos da peça para revelar os meandros da alma humana submetida aos jogos de dominação do poder”, acrescenta Possolo.

O Espaço Parlapatões fica na Praça Roosevelt, 158 - SP.

21 de maio de 2018

Cinema e Literatura no Brasil - Os mitos do sertão: emergência de uma identidade nacional


A leitura de "Cinema e Literatura no Brasil - Os mitos do sertão: emergência de uma identidade nacional" é clara e esclarecedora. O trabalho de pesquisa é vasto e, diria, impecável. A autora, Sylvie Debs, se apoia em eixos fundamentais para desvendar o tema proposto nessa investigação. Para os amantes do cinema e literatura o livro é um presente que norteia toda uma cultura. Não só pelo conteúdo apresentado, mas pela preciosa análise a apuração. Uma ajuda aos amadores do cinema e da literatura brasileira. A tese de Sylvie Debs passou por percursos difíceis pela consequência inevitável das carências acumuladas da desertificação ou obsolênscia das bibliotecas e fundos documentais.

18 de maio de 2018

The Light Between Oceans


A película "The Light Between Oceans" ou "A luz entre oceanos" (2016) é uma película sensível e, ao mesmo tempo, com um drama arrebatador. A trama é repleta de reviravoltas com um conflito profundo e denso, mas recheado de cenas delicadas, eternizando a película. Os textos são verdadeiras poesias e de uma profundidade singular em suas entrelinhas. A fotografia é belíssima. E, também, não podemos deixar de notar as excelentes atuações de Alicia Vikander e Michael Fassbender, bem como a impecável direção de Derek Cianfrance. Na narrativa que acontece na Austrália, após a Primeira Guerra Mundial, Tom Sherbourne (Michael Fassbender) é um veterano da guerra contratado para trabalhar em um farol, que orienta os navios exatamente na divisão entre os oceanos Pacífico e Índico. Trata-se de uma vida solitária, já que não há outras casas na ilha. Logo ao chegar Tom é apresentado a Isabel Graysmark (Alicia Vikander), com quem logo se casa. O jovem casal rapidamente tenta engravidar, mas Isabel enfrenta problemas e perde dois bebês - o que, inevitavelmente, provoca traumas. Até que, um dia, surge na ilha em que vivem um barco à deriva, contendo o corpo de um homem e um bebê. Tom deseja avisar as autoridades do ocorrido, mas é convencido por Isabel para que enterrem o falecido e passem a cuidar da criança como se fosse sua filha, já que ninguém sabia que ela tinha tido um aborto. Mesmo reticente, Tom concorda com a proposta. Algumas curiosidades: o filme foi rodado na Tasmânia. Este é o primeiro filme do diretor que não é roteirizado a partir de um argumento original, ele é uma adaptação de um livro com o mesmo codinome. E, por fim, mas não menos importante, os moradores da cidade onde o longa foi filmado receberam roupas especiais dos anos 20 para se caracterizassem e poderem trabalhar como figurantes. Um luxo!

17 de maio de 2018

O PORTO - Experimento Público Nº 1

Foto: Leekyung Kim

Durante 24 horas o ator Laerte Késsimos compartilha com o público episódios da vida do artista plástico cearense José Leonilson (1957-1993) e de sua própria trajetória em um ateliê-vitrine instalado ao lado do Teatro Municipal de São Paulo.
Esta é a proposta da performance "O PORTO - Experimento Público Nº1", com orientação e dramaturgia de Leonardo Moreira, que acontece durante a Virada Cultural 2018.
O ateliê-vitrine estará instalado na rua, em um contêiner com uma parede de vidro, onde os espectadores entram, um por vez, e sentam-se em uma cadeira diante do artista. Neste ateliê-abrigo Laerte simboliza a figura de um porto (como se recebesse navegantes e viajantes), uma pessoa diante de outra pessoa, apenas uma conversa. Ele conta ao visitante um fragmento da biografia de Leonilson e um episódio da própria história. O performer completou este ano 36 anos, a mesma idade em que Leonilson morreu, em 1993 vítima da AIDS.
Depois de passar pela experiência, a pessoa é convidada a deixar seu nome e uma palavra como troca de afeto com o artista, que a borda o nome e esta palavra em um tecido que será usado para construir uma espécie de manto-cobertor, criado com materiais de costura – linhas, agulhas, alfinetes, tesoura, etc – dispostos em cima da mesa. Uma câmera de vídeo capta o trabalho do artista na criação do manto  e projeta as imagens ao fundo do contêiner.
O pedaço de tecido bordado é costurado em outro pedaço logo após cada encontro, como se uma história se ligasse à outra. Ao final das 20 primeiras horas da performance, o artista terá criado uma tela-cobertor, que servirá para cobri-lo em seu sono durante as quatro horas restantes, diante do público.
A performance explora o encontro com o espectador, a ideia do performer como porto ou abrigo e a criação de uma tela cobertor para discutir a hospitalidade, tema tão contemporâneo quanto ambíguo.
Uma das referências para o trabalho é a obra “O que você desejar, o que você quiser, estou aqui, pronto para servi-lo”, de 1991 (bordado s/voile, 132 x 42,5 cm), na qual Leonilson borda essa frase na barra de um vestido branco de noiva. A própria imagem do vestido já existe repleta de significados: romance, desejo, sonho, servidão. A frase entra como se estivesse ferindo o tecido – frágil e singelo – para lhe dar outro significado.
O ateliê-vitrine ficará disponível na Praça Ramos, 209 - ao lado do Teatro Municipal de São Paulo - das 18h do dia 19 de maio às 18h do dia 20.