22 de setembro de 2017

A floresta que se move


Além de belas locações e produção criteriosa, o drama brasileiro "A floresta que se move" (2015) tem uma boa direção de arte. Há o clima de mistério e suspense, fruto de uma boa direção, mas a adaptação da história para os dias atuais em si não convence. Na narrativa, Elias (Gabriel Braga Nunes) é um bem sucedido empresário do segundo maior banco do Brasil. Seu destino muda no momento em que ele encontra uma misteriosa flautista que se diz vidente. Ela afirma que, naquele dia, ele se tornará vice-presidente e que, no dia seguinte, o homem seria presidente do banco. Quando ele conta a história para sua esposa, a ambiciosa Clara (Ana Paula Arósio), ela sugere que o casal convide o presidente do banco para jantar em casa naquela noite, para que o marido suba de posição na empresa. Só que o plano arquitetado por Clara culminará em uma série de assassinatos, em uma busca desenfreada por poder. A película é livremente inspirada em Macbeth, de William Shakespeare. Confira o trailer!



21 de setembro de 2017

Do Outro Lado

Foto: Miriã Brasil

Vanessa Gerbelli e Alessandra Verney cantam os desejos e memórias dentro da prisão na peça "Do Outro Lado". Com direção de Patrícia Pinho e participação especial e direção musical do pianista Miguel Briamonte, espetáculo cumpre sua temporada de estreia no Teatro Porto Seguro, entre 27 de setembro e 26 de outubro. O musical se passa no pátio de uma prisão fictícia, onde duas mulheres e um pianista (Miguel Briamonte) fazem um espetáculo em homenagem a uma colega falecida há uma semana. Silmara (Vanessa Gerbelli) está pagando por um crime que diz não ter cometido e a cantora e musicista Diana (Alessandra Verney) é acusada pelo marido de tentativa de assassinato. A peça, além de dramatizar as memórias, desejos e projeções das duas personagens, conta a amizade improvável que floresce entre elas em condições de escassez e solidão. A prisão é retratada metaforicamente pelo diretor de arte Gringo Cardia, que criou uma instalação em formato de um imenso coração e de um cadeado. A encenação procura evocar com sutileza a delicadeza e a paixão das almas femininas. O Teatro Porto Seguro fica na Alameda Barão de Piracicaba, 740 - Campos Elíseos. A temporada acontece todas às quartas e quintas-feiras, sempre às 21h.

20 de setembro de 2017

Duo Cerri-Botelho e o Coral da Cultura Inglesa


No dia 23 de setembro, às 20h, o Centro de Música Brasileira (CMB) apresenta o Duo Cerri-Botelho e o Coral da Cultura Inglesa. O duo é formado por Sérgio Cerri na flauta e Flávia Botelho ao piano. A regência do coral é de Marcos Júlio Sergl. No repertório obras de Brenno Blauth, Ernani Aguiar, Fernando Cupertino, Francisco Braga, Francisco Mignone, Guerra-Peixe, Humberto Teixeira, Luiz Gonzaga, Pattapio Silva, Osvaldo Lacerda, Radamés Gnattali e Villani-Côrtes. O Duo Cerri-Botelho vem de Ribeirão Preto e existe desde 1999 e o Coral da Cultura Inglesa tocará principalmente obras sacras. Há 23 anos o Maestro Marcos Júlio Sergl é regente do coro. A Sala Cultura Inglesa do Centro Brasileiro Britânico fica na Rua Ferreira de Araújo, 741 - Pinheiros. O evento é gratuito!

19 de setembro de 2017

Imortais e O Testamento de Maria

Foto: João Caldas Filho

Dama do teatro brasileiro atual, Denise Weinberg faz novas temporadas de "Imortais" e "O Testamento de Maria" no Teatro Aliança Francesa a partir do dia 22 de setembro. Contemporâneo e tradicional, vida e morte, liberdade e moral, masculino e feminino entram radicalmente em choque na peça "Imortais", com texto de Newton Moreno e direção de Inez Viana. Esses conflitos servem para criar uma reflexão sobre a noção de pertencimento e sobre quais aspectos da experiência humana são capazes de tornar um indivíduo imortal. A trama narra o reencontro entre uma mãe extremamente apegada às tradições e uma filha que não se ajustou ao modo de vida de sua casa, fugiu precocemente e, desde então, nunca mais falou com a família. Doente e desenganada, a matriarca amargurada decide se mudar para o cemitério onde o marido e a outra filha estão enterrados, com a última esperança de que alguém apareça para realizar a coberta de sua alma.

Foto: João Caldas Filho

Já o solo "O Testamento de Maria", com direção e adaptação de Ron Daniels, é inspirado no livro homônimo do escritor irlandês ColmTóibin, que também escreveu o bestseller “Brooklyn”, cuja adaptação para cinema foi indicada ao Oscar 2016 em três categorias. A montagem revela como Maria, a mãe de Jesus Cristo, procura desvendar os mistérios ao redor da crucificação de seu filho. Perseguida e exilada, ela narra a sua trajetória e todo o seu sofrimento com uma voz carregada de ternura, ironia e raiva. Maria se propõe a falar apenas a verdade sobre a enorme crueldade dos romanos e anciãos judeus. A ideia da encenação é destacar não apenas a importância religiosa de Maria, mas revelá-la como uma figura de enorme estatura moral. A montagem rendeu à Denise Weinberg o prêmio APCA 2016 (Associação Paulista de Críticos de Arte), na categoria de melhor atriz. O Teatro Aliança Francesa fica na Rua General Jardim, 182 - Vila Buarque.

18 de setembro de 2017

P 32 Vôo para o infinito


Do ano de 1976, o livro "P32 Vôo para o infinito", de Clark Darlton é muito atual. O livro aborda o tema da imortalidade e eternidade no ambiente da ficção científica, mas sem se aprofundar muito na tônica. O texto é claro e de rápida leitura, convence em seus propósitos. Considerando que foi escrito na década de 70, o leitor, com um pouco mais de conhecimento em física quântica, ficará perplexo com tantas coincidências na instrução e falas apresentadas no decorrer da história. Na trama, Perry Rhodan, o chefe de um potente Estado terrestre, se deparou com um perigoso inimigo, os saltadores. Além de possuir tecnologia equivalente à Rhodan, os saltadores possuem uma concepção de comércio que não admite a concorrência; e por isso planejam atacar a Terra. Só resta a Rhodan pedir auxílio ao imortal, e para isso parte em seu vôo para o infinito.

15 de setembro de 2017

99 Homes


O drama americano "99 Homes" ou "99 Casas" (2016) já começa tenso, como uma porrada no estomago. O dilema do protagonista é forte e bem trabalhado na narrativa. A trilha sonora é desconcertante, viva e pulsa como toda a obra. Há um bom desfecho para a história. A atuação de Andrew Garfield é impecável. Na história, Dennis Nash (Andrew Garfield) perdeu a sua casa por conta da hipoteca e teve que se mudar para um pobre hotel com sua mãe (Laura Dern) e seu filho pequeno. Desesperado para reaver seu lar, ele aceita trabalhar com o imoral agente imobiliário Rick Carver (Michael Shannon), que foi a pessoa responsável pela sua perda. Logo, ele tem que ajudar Carver a expulsar outras pessoas e a desviar dinheiro do governo. Enquanto seus problemas financeiros desaparecem, a consciência de Nash passa a atormentá-lo. Confira o trailer!



14 de setembro de 2017

Não Somos Amigas

Foto: Ligia Jardim

O espetáculo "Não Somos Amigas" reestreia no Teatro Sérgio Cardoso dia 16 de setembro. A peça desafia o público a desvendar a relação entre duas mulheres que discutem em um apartamento perto do aeroporto.  É um labirinto retórico onde amor e ódio se revezam, colocando à prova nossas certezas sobre o significado do amor incondicional. Afinal, quem são elas, por que estão ali e o que realmente está acontecendo? De Michelle Ferreira, a peça tem direção de Maria Maya e o elenco é formado por Lulu Pavarin e Sabrina Greve. Depois de mais de dez textos escritos e encenados, no Brasil e no exterior, Michelle Ferreira inaugura uma nova fase do seu trabalho: a escalada irracional. “O irracional nos guia mais, não necessariamente melhor, mas bem mais do que o racional. Temos que admitir que a racionalidade não é uma grande coisa e nem nos levou a um lugar tão elevado. Muitas vezes desprezamos o corpo e suas sensações, e somos domesticados por primícias que nem se quer acreditamos. O espetáculo é que fala da vida e da morte, emociona o público e o leva à reflexão. É um tratado de memória, de conflito e de amor, com o qual é possível dialogar com as sensações de quem assiste”. O Teatro Sérgio Cardoso fica na Rua Rui Barbosa, 153. O espetáculo apresenta-se todos os sábados e segundas às 20h; domingos às 19h30. 

13 de setembro de 2017

A Gente Submersa


O Teatro do Incêndio inaugura sua nova sede, no Bixiga, no dia 16 de setembro, às 20h com a estreia do espetáculo "A Gente Submersa", que tem texto e direção assinados por Marcelo Marcus Fonseca. Esta é a primeira parte do trabalho de pesquisa do grupo sobre heranças e descaracterização da cultura e da sabedoria popular, pelo esquecimento das raízes que moldaram o ser brasileiro. A montagem explora o que resta no cotidiano das pessoas dos ensinamentos populares, bem como da função social da dança e das festas tradicionais. Segundo o diretor, “em cena está a comida típica, o encontro, a música, a fé, o sincretismo. São elementos de celebração que se perdem no íntimo de pessoas que se ‘afogam’ nas cidades, imersas no conflito de viver ou cumprir a existência de forma burocrática”. No enredo, vagando por um mundo apático, Lourdes (Gabriela Morato), Benedito Messias (Anderson Negreiro) e Fulozina (Elena Vago) são espíritos do interior do Brasil atrás de pessoas que os enxergue, enquanto distribuem afeto como trabalho. No caminho encontram uma comunidade formada por pessoas expulsas do convívio social, que resolvem levar a vida em festa. Aos poucos o sonho sucumbe à realidade. O espetáculo acontece no Teatro do Incêndio que fica na Rua Treze de Maio, 48 – Bela Vista/SP. A temporada acontecerá até o dia 10/12, sábados (às 20h) e domingos (às 19h).

12 de setembro de 2017

Cerbera

Foto: Divulgação

Com direção de Elias Andreato, o espetáculo "Cerbera" estreia no Espaço Parlapatões no dia 14 de setembro. Na peça, Martin e Cecília estudam na mesma escola e são muito amigos. Ele acredita que ela é  a única capaz de solucionar seus problemas. A mãe de Martin é alcoólatra e vítima da violência de um companheiro incontrolável. Além disso, sua professora de piano abusa sexualmente dele. A peça tem uma narrativa fragmentada em vários tempos e espaços para retratar diferentes tipos de morte - de gênero, de sexo e de ideais. A encenação faz dura crítica à classe média atual, que prefere esconder suas doenças a lidar com elas. Uma classe média sem coragem de assumir suas doenças esconde sua perversão atrás de discursos libertários. Esse é o mote de "Cerbera", que encerra a trilogia de peças escritas pela atriz e dramaturga Carol Rainatto, ainda composta pelos espetáculos “Oito Balas” (2016) e “Meia-Noite, Feliz Natal” (2016). Com direção de Elias Andreato, o novo trabalho adota uma narrativa fragmentada em vários tempos, espaços e sensações para abordar diversas formas de morte (de gênero, sexo ou ideais). O enredo narra a história dos amigos Martin e Cecília, que estudam no mesmo colégio. Ele acredita que a amiga é a solução para todos os seus problemas. O Espaço Parlapatões fica na Praça Franklin Roosevelt, 158, Consolação. A temporada vai até o dia 27 de outubro, todas às quintas e sextas-feiras, sempre às 20h.

11 de setembro de 2017

Longe é um lugar que não existe


De Richard Bach, o livro "Longe é um lugar que não existe" tem uma singeleza e poesia única, apesar de sua história simples. Aliás, acredito que justamente pela sua modéstia na escrita há muito mais que se descobrir nas entrelinhas da narrativa do que o leitor possa imaginar. Foi ótimo poder reler este clássico da literatura mundial. Na sinopse, há muito tempo, Rae Hansen, uma menina às vésperas de seus cinco anos, convida o amigo Richard Bach para sua festa de aniversário. Confiante, ela o espera, apesar de saber que sua casa ficava além de desertos, tempestades e montanhas. Esta história narra como Richard Bach chega até lá e o presente que ele dá para Rae.

8 de setembro de 2017

Rien ne va plus


A película francesa "Rien ne va plus" (1997) apresenta para a audiência personagens carismáticos mesmo em suas sutilezas. Dilemas e conflitos crescem de forma rigorosa e cadente até o climax. Tem uma bela fotografia e uma direção interessante. Na história há um certo suspense no relacionamento da dupla que gera dúvida na audiência. Na trama, Betty (Isabelle Huppert) e Victor (Michel Serrault) formam um casal de trapaceiros que vive de golpes realizados com vítimas cuidadosamente escolhidas. No ano anterior, Betty mantinha um relacionamento com um homem que fazia lavagem de dinheiro. Agora, seu plano é acompanhá-lo na próxima missão e fugir com a mala recheada de francos suíços. Mas as coisas não acontecem exatamente como planejadas. Confira o trailer!

7 de setembro de 2017

Amarelo Distante

Foto: Heloisa Bortz

Baseado em contos de Caio Fernando Abreu, o espetáculo solo "Amarelo Distante" reestreia dia 9 de setembro e faz temporada gratuita no TUSP. Baseado em dois contos do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu (“Lixo e purpurina” e “Anotações sobre um amor urbano”), o espetáculo fala de descobertas, solidão e dor através da história de um jovem e suas experiências em terras estrangeiras.  Nos anos 70, Caio F. se exilou em Londres, onde se deparou com a solidão, a sensação de estrangeirismo, a precariedade em decorrência da falta de dinheiro, sentimentos ambíguos e saudosos do Brasil, da família e dos amores do passado, do presente e possivelmente do futuro. A partir dessas angústias ele escreveu um diário (o conto “Lixo e purpurina”), mistura de ficção e realidade, que é o fio condutor desta história. Não apenas para potencializar uma peça cujo motor principal é a palavra, mas também buscando expressar no palco a miséria, tanto emocional quanto material, a que é submetido o personagem da peça, foi criada uma encenação minimalista, centrada no trabalho do ator. Sem ações ou gestos cotidianos, passando ao largo do realismo, o espetáculo cria imagens que tentam reproduzir o universo mental do personagem, enquanto narra e revivifica o tempo passado no exílio. Com uma iluminação escura, trabalhando sobre contrastes e criando uma atmosfera brumosa, o palco foi sendo despido dos elementos do cenário criado inicialmente, até chegar ao completo esvaziamento do espaço cênico, apostando, assim, no essencial: o trabalho do ator, ressignificando a palavra dita e materializando-a espacialmente em seu corpo. O TUSP – Teatro da Universidade de São Paulo fica na Rua Maria Antônia, 294/SP. O espetáculo fica até o dia 01 de outubro com apresentações aos sábados às 20h e domingos às 18h.

6 de setembro de 2017

Pescadora de Ilusão

Foto: Deborah Schcolnic

Carol Badra e Mel Lisboa voltam em cartaz com o espetáculo infantil "Pescadora de Ilusão" no Teatro Morumbi Shopping dia 9 de setembro. Na narrativa, as personagens EU e TU são amigas inseparáveis. O que as une é o amor pelo teatro. Um dia, decidem sair em defesa da escritora Clarice Lispector que esqueceu-se de alimentar os peixinhos de seus filhos. Para conseguirem seu intento, montam um espetáculo pedindo para que os espectadores perdoem a “Pescadora de Ilusão”. A adaptação do texto e direção geral do espetáculo são de GpeteanH, tendo como seu assistente Arnaldo D'Ávila. Em um clima de mistério, diversão e interatividade com a plateia, as atrizes explicam a importância do perdão e a relação com as perdas, separações e até mesmo a morte, fazendo uma analogia, entre as diversas histórias que intercalam a trama, com a morte dos tais peixinhos vermelhos. A encenação utiliza objetos e adereços animados, concebidos pelo diretor de arte Marco Lima, que assina também o cenário e os figurinos. Estes objetos são “pescados” pelas atrizes ou surgem de forma inusitada para ajudá-las a contar essa história. O Teatro Morumbi Shopping fica na Av. Roque Petroni Júnior, 1089. A temporada acontece até 29/10, aos sábados e domingos, às 15h.

5 de setembro de 2017

Pedras Azuis

Foto: Leekyung Kim

Estreia no dia 6 de setembro o espetáculo "Pedras Azuis" que narra o drama de homem que precisa conhecer o limite de suas forças para sobreviver à aridez do sertão. Na sinopse, o sol inclemente castiga a cidade de Pedras Azuis, um lugar seco e triste no Sertão. No meio do agreste amarelo vivem poucas famílias que lutam para sobreviver à sede diária. Quando o caminhão pipa de Antero chega, carregado de água, uma vez por semana, todos os moradores do local correm para a praça com seus baldes na cabeça para coletar um pouquinho daquela vida líquida. Certo dia, a prefeitura decide comprar o próprio caminhão, e Antero perde o sustento de sua mulher Diana e de seus quatro filhos. Uma decisão extrema pode mudar a vida do lugarejo. O que ele deve fazer para se salvar? Qual é o limite? Até onde ele pode ir para mudar alguma coisa? O espetáculo acontecerá no Viga Espaço Cênico - Rua Capote Valente, 1323, Pinheiros/SP todas às quartas e quintas, às 21h, de 6 de setembro a 16 de outubro.

4 de setembro de 2017

Pollyanna


Apesar de alguns personagens clichês, o livro "Pollyanna", de Eleanor H. Porter, tem uma história concisa, mas muito bem estruturada. Alguns momentos são tocantes, trazendo uma certa dose de sensibilidade e pitadas de verossimilhança ao mundo da protagonista. A escrita é clara e adequada ao leitor-alvo. Não por menos, trata-se de um clássico da literatura infantojuvenil. Na narrativa, após ficar órfã aos 11 anos, Pollyanna vai morar com a sua amarga tia. Essa convivência, aparentemente impossível, vai transformar a vida de ambas e de todos à sua volta. Este livro, um dos mais traduzidos e adaptados romances do século XX, carrega a intensa mensagem positiva de que todas as coisas podem ser melhores, dependendo da forma como as olhamos. 

1 de setembro de 2017

Shall We Dance?


A comédia romântica "Shall we Dance?" ou "Dança comigo?" (2004) tem uma história sedutora com leves tons de humor. A narrativa é orgânica e cativa a audiência, não só pelos atores escolhidos, mas pela ideia original apresentada. O roteiro é bem estruturado e nele, a dança por si só provoca o espectador em seus movimentos, troca de olhares e todo um contexto do ambiente e mundo criado na trama. Na história, há vários anos o advogado John Clark (Richard Gere), especialista em testamentos, leva uma vida rotineira do trabalho para casa e de casa para o trabalho. Apesar de amar sua mulher, Beverly (Susan Sarandon), e seus filhos, John sente que algo está faltando algo em sua vida. Por acaso vê na janela de uma academia Paulina (Jennifer Lopez), uma bela professora de dança. Esperando se aproximar dela, John se matricula na academia. Paulina rapidamente elimina qualquer possibilidade de envolvimento com John, mas isto não o faz deixar de ir às aulas, pois ele acha cada vez mais relaxante e divertido dançar. Assista o trailer!


31 de agosto de 2017

Histórias de Alexandre

Foto: Divulgação

O Grupo 59 de Teatro apresenta, em setembro, o espetáculo infanto-juvenil "Histórias de Alexandre", a partir da obra de Graciliano Ramos, no Teatro Anchieta do Sesc Consolação. Com direção de Cristiane Paoli Quito, a temporada vai de 2 a 30 de setembro, aos sábados e feriado de 7 de setembro, às 11 horas. A peça reúne histórias e fanfarronices de um típico mentiroso do sertão, numa encenação recheada por canções inéditas. Publicado em 1944 por Graciliano, o livro, homônimo traz contos coletados na memória oral do folclore nordestino, resgatando crenças, costumes e mitos da região. Na transposição para o palco, foram selecionadas algumas histórias, respeitando e mantendo na íntegra as palavras do autor. Alexandre é um homem já velho; tem um olho torto e fala bonito: um típico contador de histórias. Está sempre acompanhado pelos moradores das redondezas e até por pessoas de consideração, que vem à sua modesta casa para ouvir as narrativas “fanhosas” que conta: Seu Libório, cantador de emboladas; o cego preto Firmino; mestre Gaudêncio Curandeiro, que reza contra mordedura de cobras; e Das Dores, benzedeira de quebranto. Cesária, mulher de Alexandre, está sempre por perto, e pronta para socorrer o marido quando ele se “engancha” ou é questionado em suas narrativas. Apropriando-se do universo linguístico e das imagens sugeridas por Graciliano Ramos, "Histórias de Alexandre" dá corpo e voz à palavra escrita, tecendo uma “colcha de retalhos” onde os atos de contar, cantar e dramatizar se entrecruzam e criam uma poética propícia à invocação da memória afetiva. O Teatro Anchieta fica no Sesc Consolação - Rua Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque/ SP.

30 de agosto de 2017

Bull

Foto: João Caldas Filho

Espetáculo "Bull" discute o bullying no ambiente de trabalho e estreia dia 2 de setembro no Viga Espaço Cênico às 21hs. Com texto do dramaturgo inglês contemporâneo Mike Bartlett, a montagem que estreou e teve uma temporada de sucesso de público e crítica em 2014 no Tucarena, investiga a pressão psicológica no ambiente de trabalho, levantando questionamentos sobre os limites entre a ambição descontrolada e a busca irrefreável pelo sucesso. Cenograficamente a montagem opta pelo minimalismo. Com um cenário composto apenas de aparadores empresariais e dress code corporativo, a força da ação fica por conta dos conflitos das cenas e gestos dos atores que, no decorrer do espetáculo, transformam o escritório em um ringue de luta. Com um tom ácido e tragicômico, a montagem de fácil auto identificação aproxima-se de um hiperrealismo que beira o absurdo, construindo gradativamente um ambiente de violência e opressão que, acima de tudo, não julga seus personagens e busca apenas revelar os meandros de todo ser humano. O espetáculo fica até o dia 29 de outubro com apresentações aos sábados às 21h e domingos às 19h. O Viga Espaço Cênico fica na Rua Capote Valente, 1323 - Pinheiros/SP.

29 de agosto de 2017

Palavra de Stela

Foto: João Caldas Filho

Completando 50 anos de carreira, a atriz Cleide Queiroz reestreia solo, "Palavra de Stela", inspirado na vida e na obra poética de Stela do Patrocínio agora no Teatro do Núcleo Experimental. A dramaturgia e direção são de Elias Andreato. A peça faz temporada de 1 setembro a 29 de outubro. Nascida em 1941, Stela do Patrocínio foi internada no Centro Psiquiátrico Pedro II aos 21 anos, quando diagnosticada como psicopata e esquizofrênica. Quatro anos depois, foi transferida para a Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, onde permaneceu até sua morte em 1992. Durante seus anos de isolamento, Stela desenvolveu um discurso poético. Seu “falatório”, carregado de angústias, retrata a rotina manicomial e, sobretudo, revela sua visão da vida, do mundo e de si mesma. No espetáculo a personagem narra sua trajetória, expõe seu cotidiano e revela seu olhar de perplexidade diante da vida e dos seres humanos. “Por meio da fala de Stela do Patrocínio, pretendemos levar o espectador a uma reflexão acerca da visão que temos sobre loucura e lucidez, bem como chamar sua atenção para como a sociedade enxerga a diferença e lida com o outro”, diz Elias Andreato. O Teatro do Núcleo Experimental fica na Rua Barra Funda, 637 e o espetáculo acontece todas às sextas às 21h30, sábados às 21h, e domingos, às 19h.

28 de agosto de 2017

Relicário

Foto: Paulo Barbuto

Formada por 12 atrizes e uma diretora, a estreante A Musa Heroica Companhia de Teatro apresenta o espetáculo de improviso "Relicário". Em seu trabalho inaugural, A Musa Heroica Companhia de Teatro apresenta novas possibilidades estéticas e dramatúrgicas para a improvisação. Ao contrário da maioria de espetáculos desse gênero, que geralmente usam jogos de desafios para provocar a risada na plateia, "Relicário" mostra que também é possível empregar a linguagem do improviso teatral para criar cenas dramáticas, cômicas, naturalistas, etc. A partir de inspirações fornecidas pelos espectadores de cada sessão, a trupe cria oito histórias curtas sobre o relacionamento entre várias mulheres - mães, filhas, amigas, irmã, colegas de trabalho, vizinhas, amantes - em diferentes situações cotidianas. As 12 atrizes do elenco se revezam em cena (em trios, quartetos, duplas ou outras combinações) de acordo com as demandas de cada contexto proposto. Elas só sobem ao palco juntas no último quadro, um desafio maior em termos técnicos. De acordo com a diretora Rhena de Faria, a ideia da peça é lançar um olhar feminino - sem pretensão panfletária ou sexista - sobre a arte de improvisar, que, na América Latina, é majoritariamente dominada por homens. “É ano de quebrarmos paradigmas e abrimos o leque de possibilidades na linguagem improvisacional. Felizmente há muita gente boa em São Paulo trabalhando duramente para que isto aconteça”, diz. "Relicário" foi contemplado pela 5ª edição do Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo. As apresentações serão gratuitas na Oficina Cultural Oswald de Andrade que fica na Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro. A temporada inicia em 1º de setembro e fica até o dia 30 de setembro, às sextas, às 20h; e aos sábados, às 18h. 

25 de agosto de 2017

Yi Yi


Há pontos de vistas plurais e diversos no drama japonês "Yi Yi" ou "As coisas simples da vida" (1999). Cada história apresentada tem seu dilema e um estágio apropriado na narrativa. Cativa, do casamento à morte. A direção é excelente e a fotografia é bem pensada e planejada em cada cena. É bom que se diga que o filme é longo: 137 minutos. Precisa disposição e tempo para assistí-lo. Na trama, NJ Jian mora com sua esposa, seus dois filhos e a sogra já idosa, formando uma típica família de classe média. NJ é sócio de uma bem-sucedida empresa de computação, mas, se não buscar novos rumos, em breve irá falência. Para tanto, ele busca fazer uma parceria com Ota, um inovador designer de jogos de computação no Japão, que pode dar o novo toque que sua empresa precisa. Mas as coisas começam a desandar para os Jian quando a integrante mais velha da família sofre um derrame e entra num coma, o qual poderá nunca mais acordar. Neste meio termo, NJ ainda reencontra Sherry, seu primeiro amor de infância, que reaparece em sua vida, agora casada com um americano. Confira uma das lindas cenas do filme!



24 de agosto de 2017

Cindy

Foto: João Caldas Filho

Com direção de Marcelo Lazzaratto, estreia no dia 4/9 o solo cômico com o ator Gabriel Miziara Cindy que narra saga de mulher que quer criar um novo conceito de gênero. A temporada do espetáculo "Cincy" fica até o dia 25 de setembro na Biblioteca Municipal Mário de Andrade. A missão de Cindy Spencer é acabar com as definições atuais de homem e mulher e apresentar um novo gênero, livre de tabus e sem tantas predefinições. A comédia "Cindy" é inspirada em personagens de autores homossexuais, como Caio Fernando Abreu, Oscar Wilde, Gore Vidal e Pedro Almodóvar, figuras que desafiam a fronteira dos gêneros conhecidos. “Pensei em fazer uma colcha de retalhos de diversos autores. No entanto, durante o período de pesquisa e o começo dos ensaios, conversando com Marcelo Lazzaratto, entendemos que poderíamos construir uma única figura baseada em várias personagens e, assim, discutir o masculino e o feminino presentes em um único ser. E fazemos isso através do humor e não do drama”, explica Miziara, que também dá vida à protagonista. Outras referências da peça são o livro “Amor em Tempos Sombrios”, do irlandês Colm Tóibim, textos das escritoras Elisabeth Bishop, Gertrud Stein e Marguerite Yourcenar e autorretratos do ícone da pop art Andy Warhol vestido de drag queen. Na sinopse, Cindy Spencer, que se autointitula “A Nova Mulher”, tem a missão de apresentar outras possibilidades de vivenciar o ser humano, para além das noções de homem e mulher, um outro gênero, sem tantas predefinições e tabus. Na Biblioteca Municipal Mário de Andrade (Rua da Consolação, 94, Centro/SP) o espetáculo se apresenta às segundas-feiras, sempre às 19h. Os ingressos são gratuitos, com distribuição de ingressos 30 minutos antes de cada sessão. 

23 de agosto de 2017

XI Circuito de Teatro em Português

Foto: Divulgação

Até o dia 27 de agosto acontece no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, a décima primeira edição do Circuito de Teatro em Português, um festival internacional de países lusófonos. O Circuito tem participação de companhias teatrais de países de língua portuguesa, em uma programação que prevê também a realização de oficinas, debates e seminários. São nove companhias envolvidas, onze espetáculos, oito oficinas e dois seminários. A novidade da edição fica por conta do Circuitinho, trazendo espetáculos para crianças. Na foto o espetáculo "Os bolsos cheio de pão" com apresentação amanhã às 20h30. Após realização na capital, o Festival segue para sete cidades paulistas e Teresina, no Piauí, sempre com espetáculos e atividades gratuitas. A programação completa do Circuito, incluindo todas as cidades contempladas e inscrições para oficinas e seminários, está disponível no site do evento: www.circuitodeteatroportugues.com.br. A entrada é franca e o Teatro fica na Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista. São Paulo/SP. 

22 de agosto de 2017

Quinteto Persch

Foto: Marcos Muzi

De 24 à 27 de agosto, às 19h15, a Caixa Cultural São Paulo apresenta o Quinteto Persch. São cinco acordeões interpretando belas composições brasileiras com participação especial do acordeonista e compositor Toninho Ferragutti. O Quinteto Persch apresentará obras de importantes compositores brasileiros, tais como Henrique Alves de Mesquita, Carlos Gomes, Radamés Gnattali, Ernesto Nazareth, César Guerra-Peixe, Ernani Aguiar, Otavio de Assis Brasil e Toninho Ferragutti. Algumas delas, inclusive, registradas em álbum homônimo e o terceiro da carreira deste importante grupo de acordeonistas gaúchos. Lançado em 2015, o CD "Brasileiríssimo" foi imensamente reconhecido pelo Prêmio Açorianos de Música 2015, tendo conquistado 5 troféus nas categorias Melhor Arranjador (Adriano Persch), Melhor Álbum Erudito, Melhor Instrumentista e Melhor Intérprete (Quinteto Persch), Melhor Compositor (Toninho Ferragutti). A entrada é franca e a Caixa Cultural São Paulo fica na Praça da Sé, 111 – Centro - São Paulo.

21 de agosto de 2017

O amante


O livro "O amante", de Marguerite Duras (1914-1996), é envolvente, não só em sua história, mas principalmente em sua escrita literária. Não à toa, recebeu o Prêmio Goncourt, o mais importante da literatura francesa e se consagrou como sua obra mais célebre. O livro tem alma e tece com maestria a narrativa. Considerado o mais autobiográfico da escritora, dramaturga e cineasta, a obra foi escrita em 1984. O romance narra um episódio da adolescência de Duras: sua iniciação sexual, aos quinze anos e meio, com um chinês rico de Saigon. Se as personagens e fatos são verídicos, a escrita os transfigura e transcende; não sabemos em que medida a história é verdadeira. Os encontros amorosos são, ao mesmo tempo, intensamente prazerosos e infinitamente tristes; a vida da família contrapõe amor e ódio, miséria material e riqueza afetiva. A presença da mãe, sua desgraça financeira e moral, do irmão mais velho, drogado, cruel e venal, e do irmão mais novo, frágil e oprimido, constituem uma existência predominantemente triste, e por vezes trágica, de onde Duras extrai um esplendor artístico que se reflete em sua própria pessoa - personagem enigmática, quase de ficção. Daí, conhecemos personagens que, de fato, traduzem o comportamental de toda uma sociedade. É um trabalho primoroso, sem sombras de dúvidas. Uma leitura imperdível!

18 de agosto de 2017

The Last Hangman


O drama biográfico inglês "The Last Hangman" ou "O lavador de almas" (2005) tem uma temática forte e muito bem abordada na película. Com excelente direção, o filme traz a angustia à flor da pele. O protagonista é intrigante e dicotômico. Aliás, impossível deixar de notar a excelente atuação de Timothy Spall. Há bons diálogos e a fotografia é feita sob medida. Na narrativa, Albert Pierrepoint (Timothy Spall) tentou evitar, mas terminou seguindo os passos de seu pai e tornou-se carrasco em 1934. Aos poucos seu conceito cresce, devido ao uso sofisticado e frio de seus métodos, o que o faz ser o mais respeitado e temido carrasco da Inglaterra. Quando abandonou a profissão, em 1956, Pierrepoint tinha mais de 600 execuções em seu currículo. Assista o trailer!

17 de agosto de 2017

Recital de piano e violão no CMB

Foto: Christian Maldonado

No dia 19 de agosto às 20h, o Centro de Música Brasileira (CMB) apresenta a pianista Maria Helena de Andrade e o violonista Paulo Porto Alegre (foto acima). No repertório obras de Chiquinha Gonzaga, Francisco Mignone, Guerra Peixe, Laurindo Almeida, Osvaldo Lacerda, Paulo Porto Alegre, Radamés Gnattali, Ricardo Tacuchian,Villa-Lobos e Zequinha de Abreu. As obras de Villa-Lobos farão referências ao alemão Bach, que o compositor considerava “o maior dos maiores dos mortais”; as de Camargo Guarnieri, ao russo Scriábin; as de Lacerda ao italiano Scarlatti e as de Mignone à música francesa. O recital festejará ainda o centenário do chorinho sapeca Tico-tico no Fubá de Zequinha de Abreu. Paulo Porto Alegre fará homenagem aos 100 anos de nascimento do compositor Laurindo Almeida. 



Maria Helena de Andrade é Mestre em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com tese sobre Francisco Mignone que escreveu uma Suíte especialmente para o assunto de sua tese. A apresentação é gratuita, então, anote aí: Dia 19 de agosto às 20h no Centro de Música Brasileira (CMB) que fica na Rua Ferreira de Araújo, 741 - Pinheiros - São Paulo.

16 de agosto de 2017

Iluminados

Foto: Divulgação

O Sesc Belenzinho inaugura, no dia 17 de agosto a exposição "ILUMINADOS - Experiências Pioneiras em Cinema Expandido". A mostra - com curadoria de Roberto Moreira S. Cruz - é uma antologia de obras pioneiras do cinema expandido, resultantes da experimentação da linguagem audiovisual, realizada entre os anos de 1960 e 1980, período em que os artistas se interessavam pelo entrecruzamento entre as artes visuais e o desenvolvimento das novas mídias. Segundo o curador, “ILUMINADOS" traz uma seleção de trabalhos, de fundamental importância histórica, que utilizam o cinema como forma de expressão artística, relacionando possibilidades de explorar os recursos da imagem em movimento, da linguagem audiovisual e os diversos dispositivos de projeção, elaborados pelos artistas no contexto embrionário da arte contemporânea”. Cinema expandido é o termo utilizado para tratar as muitas maneiras de trabalhar essa linguagem, ampliando-a e multiplicando-a para além da tela. Ao ser projetado em um espaço onde o espectador circula livremente, o filme ganha nova perspectiva, propondo narrativas descontínuas com outras formas de estímulos visuais e sonoros. E rompe com a obrigatoriedade de uma tela única e frontal, de um discurso audiovisual linear e sequencial. A exposição é composta por nove trabalhos que formam um mosaico de informação visual de artistas que pesquisavam essas interfaces, propondo formas originais, incomuns, não arbitrárias de criação, experimentando com a técnica e a forma da imagem e do som. Todas as obras foram produzidas em película. A mostra fica até o dia 15 de outubro, de terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e feriados, das 10h às 19h30 no Galpão e Espaço Expositivo do Sesc Belenzinho. O local fica na Rua Padre Adelino, 1000 - Belenzinho – São Paulo.

15 de agosto de 2017

Autobiografia Autorizada

Foto: Mauro Kury

Paulo Betti é generoso ao dividir com sua audiência relatos simples, mas embasados com um amor tão profundo que delineou toda sua história em “Autobiografia Autorizada”. Não à toa, prova do ser humano interessante que se consolidou. Com um texto leve e cativante, o ator nos relata seus deliciosos momentos de infância até os dias atuais, com sua sólida carreira. Personagens encantadores arrebatam nossas emoções e ficamos desejosos de conhecer um a um: seja pela sua mãe benzedeira, seja por sua avó e seus ensinamentos pitorescos. O cenário é despretensioso, pois o foco é a narrativa. Contudo, ele é de uma eficácia e bom gosto singular. Sem falar nas fotos antigas que dão o toque final, como se fossem a cereja do bolo. A narrativa que por vezes convida o espectador a pura imaginação é recheada com detalhes primorosos que nos perdemos (ou nos encontramos) em nossas próprias infâncias. O texto tem força, mas também candura. Um luxo!

Betti interpreta histórias que viveu e ouviu na infância e adolescência. São passagens que ficaram registradas em sua memória e em anotações que fazia sobre tudo que acontecia à sua volta, em busca de compreender a própria vida. Os textos eram anotados em grandes blocos onde também fazia colagens de fatos da época. Este “livro” de memórias compõe a cena do espetáculo. A história dele começou no mundo rural onde o avô, um imigrante italiano, trabalhava como meeiro para um fazendeiro negro, em Sorocaba (SP). Paulo é o décimo quinto filho, temporão, com 10 anos de diferença do irmão mais novo. Um espetáculo que realmente vale à pena ser visto!


“Autobiografia Autorizada” fica no Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460. Vila Cordeiro. São Paulo/ SP) até o dia 1º de outubro todas às sextas (21h30), sábados (21h) e domingos (18h).

Em busca da viagem eterna

Foto: Divulgação

O BIKE se prepara para sua primeira turnê européia e apresenta seu segundo álbum, "Em Busca da Viagem Eterna", que traz sonoridade psicodélica sensorial e leva o ouvinte a uma viagem cósmico-caótica, guiada por letras lisérgicas, guitarras reverberadas e cheias de delay. O disco foi mixado e masterizado por Rob Grant que já trabalhou com artistas como Tame Impala e Miley Cyrus, no Poons Head Studio, na Austrália. A banda é composta por Julito (guitarra e voz), Diego Xavier (guitarra e voz), Rafa Bulleto (baixo e voz) e Daniel Fumega (bateria). A estreia do álbum acontece no Sesc Belenzinho no dia 18/08, às 21h. O Sesc Belenzinho fica na Rua Padre Adelino, 1000 - Belenzinho – São Paulo.

14 de agosto de 2017

42,195


Com leve toque de humor, o autor de "42,195 - a Maratona de desafios que superei nos meus 42 Anos e 195 dias de vida por meio da corrida" relata sem firulas os seus conflitos e superação física e de saúde. O leitor não deve esperar uma literatura admirável nessas entrelinhas, mas há veracidade nelas. Fauzer Simão Abrão Júnior não se despe por completo, mas o que lemos já é o suficiente para se construir uma clássica narrativa de um destemido personagem. Há conflitos e dilemas claros, mas não emociona. Na narrativa, em 2 de dezembro de 2010, data em que o autor completou 42 anos e 195 dias de vida, ele escreve as últimas linhas do livro. Comparando a vida à uma ultramaratona, o livro relata as passagens marcantes e difíceis que ele viveu na primeira “Maratona” de sua vida, com o objetivo de eternizá-las. Tendo encontrado forças para vencer os desafios na corrida e no apoio da família, Fauzer conta as lições que aprendeu com as dificuldades superadas. "42,195" tem uma leitura clara e fácil.

11 de agosto de 2017

Jack the Giant Slayer


A aventura americana "Jack the Giant Slayer" ou "Jack, o caçador de gigantes" (2013) é, literalmente, uma aventura cem por cento do tempo. Além dos excelentes efeitos especiais, a história tem boa estrutura e envolve a audiência pela fantasia e fábula. Os personagens são clichês, claro, mas atende ao gênero proposto. Na trama, Jack (Nicholas Hoult) é um fazendeiro que adquire grãos de feijão com a única recomendação de que não devem ser molhados. Obviamente, isto acaba ocorrendo e criando um enorme pé de feijão que vai dar em um mundo de gigantes. Em meio a tudo isso, a princesa Isabelle (Eleanor Tomlinson) é sequestrada pelos gigantes e Jack se unirá ao Rei (Ian McShane) numa cruzada para a salvar a jovem. Assista o trailer!

10 de agosto de 2017

O Vendedor de Sacis & Outras Lorotas

Foto: Divulgação

Vicentini Gomez já representou centenas de personagens no teatro, na televisão e no cinema. E, depois do sucesso do italiano Giuseppe Cavichioli, seu personagem na novela Cúmplices de um Resgate (SBT), ele estreia a comédia infantil "O Vendedor de Sacis & Outras Lorotas" no dia 12 de agosto, às 16h, no Teatro Ruth Escobar. O espetáculo é um divertido passeio pelas lendas urbanas e pelo folclore brasileiro. José, ou simplesmente Zé, é um desses personagens que resolveu cair no mundo e conhecer as histórias, os causos e as lorotas de cada cidade que surge em seu caminho. Aventureiro e curioso, ele se mete em muitas enrascadas, deixando crianças e adultos curiosos para entender como ele se envolveu em tais aventuras, e encantados com a magia das personagens ao se livrarem de tantas encrencas. "O Vendedor de Sacis & Outras Lorotas" é carregado de humor e emoção: são chegadas e partidas, aventuras que só o carismático Zé sabe contar tão bem. O Teatro Ruth Escobar fica na rua dos ingleses, 209 - Bela Vista - São Paulo. A temporada tem apresentações aos sábados e domingos, às 16h.

9 de agosto de 2017

O ovo da serpente


A peça “O ovo da serpente” conta com uma ideia original ordinária e a narrativa é bem estruturada em seus dilemas crescentes e revelações apropriadas, contudo, a temática nazista inspirada e trabalhada, certamente, não aproxima a audiência do objetivo definido por tal inspiração. Seja pelo o assunto tão distante à atual realidade brasileira, seja por um assunto tão batido. Falta o sal do tempero. Entretanto, tal tônica goste o espectador ou não, entrega o que propõe. O texto é bom, mas ao se posicionar como visceral, por vezes força a barra e perde sua pujança. O diálogo restitui o que promete de maneira singular: muitas vezes são monólogos e repletos de eco. Aliás, diria que este é um ponto alto da dramaturgia. A cenografia é péssima. As atuações são nítidas e, em certos momentos, significativas.


Na trama, três personagens insólitos, Lascívia (Glória Rabelo), Jack (Zaqueu Machado) e Mike (vivido pelo próprio autor), fala de um assassino neonazista que convida um jovem psicopata para testar o caráter de sua esposa, uma ex-prostituta judia. No entanto, algo foge do controle. O espetáculo “O Ovo da Serpente”, de Rudson Mazzorana, está no Viga Espaço Cênico até o dia 27 de agosto, sempre aos sábados (às 21h) e domingos (às 19h). O Viga Espaço fica na Rua Capote Valente, 1323 – Pinheiros/ SP.

Boca de ouro

Foto: João Caldas

Dia 11 de agosto estreia no Teatro Tucarena o espetáculo "Boca de ouro" com direção de Gabriel Villela e texto de Nelson Rodrigues. "Boca de Ouro" é um lendário bicheiro carioca, figura temida e megalomaníaca, que tem esse apelido porque trocou todos os dentes por uma dentadura de ouro. Também é conhecido como o Drácula de Madureira. Quando Boca é assassinado, seu passado é vasculhado por um repórter. Sua fonte é dona Guigui, a volúvel ex-amante do contraventor, uma mulher que, ao longo da peça, revela diferentes versões do bicheiro. Dentro das iconografias do subúrbio carioca, Gabriel se utiliza da simbologia do Candomblé e das mascaradas astecas no espetáculo. A casa de Celeste e Leleco traz muitas representações de Orixás sincretizados. A figura de Iansã aparece toda vez que uma cena de morte acontece. Iansã faz a contrarregragem das mortes da estóriaO Brasil cabe todo nesta arena: a política, as narrativas contraditórias, a libido, a festa da gafieira, o jogo do bicho, a fé e a música. Retratos de uma época que nos mostram que o Brasil pouco mudou, e que nosso dramaturgo nascido em Pernambuco em 1912 e radicado no Rio de Janeiro, nunca foi tão atual. O Teatro Tucarena fica na R. Monte Alegre, 1024 - Perdizes, São Paulo - SP e o espetáculo acontecerá todas às Sex e Sáb 21h, Dom 18h30.

8 de agosto de 2017

Autobiografia Autorizada

Foto: Mauro Khouri

O ator Paulo Betti estreia o monólogo "Autobiografia Autorizada", no dia 11 de agosto às 21h30, no Teatro Vivo, em São Paulo. O espetáculo, dirigido pelo próprio ator em parceria com Rafael Ponzi, comemora os 40 anos de carreira de Paulo, que também assina o texto. No palco, Betti interpreta, com muito humor, histórias que viveu e ouviu na infância e adolescência. São passagens que ficaram registradas em sua memória e em anotações que fazia sobre tudo que acontecia à sua volta, em busca de compreender a própria vida. Os textos eram anotados em grandes blocos onde também fazia colagens de fatos da época. Este “livro” de memórias compõe a cena do espetáculo. O testemunho do ator, autor e diretor, que interpreta pai, mãe, avó e muitos outros personagens da própria vida, brinda o público com uma peça emocionante. Segundo Paulo Betti: “Minha fixação pela memória da infância e adolescência, passada num ambiente inóspito e ao mesmo tempo poético, talvez mereça ser compartilhada no intuito de provocar emoção, riso, entretenimento e entendimento”. O espetáculo será apresentado todas as sextas (21h30), sábados (21h) e domingos (18h) no Teatro Vivo que fica na Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 - Vila Cordeiro - São Paulo/ SP.

7 de agosto de 2017

Histeria


Escrita pelo inglês Terry Johnson e dirigida por Jô Soares, a comédia Histeria” além de trazer o riso fácil, faz a plateia pensar um pouco, mesmo que ela não queira. O texto é brilhante com seus pontos altos e dilemas crescentes. A direção virtuosa tem o time exato para a gargalhada escrachada e os momentos um pouco mais complexos com certa sobriedade. Também não podemos deixar de notar a produção primorosa. Cassio Scapin, como Salvador Dalí, faz uma interpretação singular. Na narrativa, ambientada na Londres de 1938, o psicanalista Sigmund Freud enfrenta um câncer terminal e anda amedrontado com a perseguição nazista aos judeus. Fixa, então, residência na capital inglesa para enfrentar essa dura fase. A pedido de um amigo, ele interrompe o sossego e recebe o pintor espanhol Salvador Dalí, curioso para estabelecer pontes entre o surrealismo e a mente humana. Como se não bastasse, uma aloprada moça implora por uma consulta, mas, na verdade, quer decifrar um segredo que envolve sua família. Tudo é observado por um médico judeu, encarregado da saúde do protagonista. Divertida e com conteúdo marcante, a peça vale à pena ser assistida. Recomendo!! A peça está em cartaz no Teatro Raul Cortez que fica na Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – Bela Vista.

Declínio de um homem


O livro "Declínio de um homem", de Osamu Dazai é denso, detalhista e apresenta um personagem riquíssimo sob o ponto de vista comportamental. O ritmo da leitura, por vezes, se arrasta, mas nada tira o brilho da obra. A curta passagem pela vida do escritor japonês Osamu Dazai — suicidou-se aos 38 anos de idade — não o impediu de se transformar num autor bastante popular. A obra sintetiza em cenas e passagens notoriamente biográficas muitas das angústias que tanto alimentavam a personalidade autodestrutiva do autor, a saber: a dificuldade de entendimento com seus familiares, sua antissociabilidade niilista, seu patológico apego ao álcool — vício do qual nunca conseguiu se livrar —, sua autoestima inexistente, enfim, sua evidente sensação de deslocamento em relação ao mundo — como se tivesse sido enviado à existência por mero descuido. O êxito editorial de "Declínio de um homem" talvez possa ser explicado pela maneira catártica com que Dazai escreve: diferentemente de seus pares mais tradicionais da literatura japonesa, em geral caracterizados pela sutileza e por tons etéreos. O autor, simplesmente, não se importa em trazer à tona fantasmas interiores obscuros. Sua escrita simplesmente angustia. e, talvez, por isso mesmo, seja tão raro.

4 de agosto de 2017

Take Care


A comédia romântica "Take Care" ou "Se cuida" (2014) tem uma boa ideia original, dilemas crescentes com conflitos naturais e verossímeis. Os diálogos são assertivos. A película é leve e gostosa de assistir, boa para aqueles momentos que não queremos filosofar sobre nada. A trama leva ao clímax e final com desenvoltura e perfeição. Na narrativa, após ser atropelada por um carro, Frannie passa um tempo no hospital e depois retorna para casa. Mas debilitada, ela precisa da ajuda de outras pessoas e inicialmente conta com os amigos, que aos poucos vão se afastando. Desesperada, ela pede ajuda ao seu ex-namorado, que agora tem uma nova namorada. Confira o trailer!

3 de agosto de 2017

Lasanha de berinjela

Foto: Tati Wexler

Estreia dia 5 de agosto "Pais e filhos" (ou Lasanha de Berinjela 1) e "Irmãos" (ou Lasanha de Berinjela 2), espetáculos que colocam em perspectiva relações familiares em estado de emergência e calamidade pública. A primeira peça do projeto é "Pais e filhos" (foto) e traz a tona um diálogo essencial entre um pai advogado e um filho artista plástico. As cobranças paternas, as expectativas dos pais em relação aos filhos e os diálogos ortodoxos entre eles vão se desenrolando a ponto deles decidirem deixar suas construções psicológicas de si de lado em busca de um desnudamento das próprias simbologias para uma tentativa de reconstrução dessa relação previsível e muitas vezes hipócrita. Numa espécie de ensaio teatral do encontro, eles buscam construir a relação de modo a não entrarem em conflito, ficando na linha tênue entre o que é ensaio do encontro e o que é de fato real nesse encontro. Já o segundo espetáculo, "Irmãos", traz um conflito entre a relação paradoxal de uma dupla de irmãos que perdeu os pais em um acidente de automóvel quando ele era bebê e ela pré-adolescente. Ele hoje é escritor e financeiramente está falido, mas continua tentando viver de literatura, mesmo que financiado pela irmã que apesar de também ser escritora exerce a profissão de professora de português na rede pública de ensino. Ao completar seus 33 anos de idade, ele escreve um livro que pensa que poderá lhe trazer independência financeira e passa a ser sua grande aposta: trata-se da história de uma escritora fracassada e frustrada inspirado justamente na história de sua irmã. As peças serão apresentadas na SP Escola de Teatro – Praça Roosevelt, 210, metrô República. "Pais e filhos" de 7 de agosto a 25 de setembro, todas as segundas às 21h. Já "Irmãos" de 5 de agosto a 17 de setembro, sábado às 21h e domingo às 20h.