29 de março de 2019

Semana do Teatro Rabinal

Foto: Divulgação

De 6 a 13 de abril acontece a Semana do Teatro Rabinal na sede do grupo Refinaria Teatral que traz pela primeira vez ao Brasil o grupo mexicano Teatro Rabinal. A programação traz a encenação de três peças (Dulce Sodoma, Actum e Toca la Tierra), um debate (As bases indígenas para a antropologia teatral) com o diretor mexicano Jorge Angeles e duas oficinas, uma de dança mexicana nativa e outra de preparação de atores.

O grupo Teatro Rabinal tem como histórico de pesquisa as essências do teatro nativo mexicano, partindo de danças e manifestações cênicas dos indígenas mexicanos. Esse trabalho do grupo mexicano estimulou o grupo Refinaria Teatral a investigar as bases do teatro brasileiro antes da colonização, pesquisa atual do grupo paulistano que objetiva, através de vivências e olhares nas manifestações artísticas de caráter cênico mais tradicionais dos povos indígenas brasileiros, encontrar a corporeidade cênica e a estrutura cênica dos povos originários das terras brasileiras. Pesquisa essa denominada de "Encontro com o teatro de Pyndorama".

No dia 6 de abril, o diretor Jorge Angeles do grupo mexicano irá apresentar uma palestra e debate sobre o teatro mexicano antes da colonização intitulado "As bases indígenas para a antropologia teatral". O evento será gratuito.

De 8 a 11 de abril, o grupo Teatro Rabinal realiza duas oficinas, uma de dança nativa mexicana para atores e outra sobre o seu processo de preparação de atores. As oficinas são gratuitas mediante uma seleção por currículo e carta de interesse que deverá ser enviada para o e-mail gruporefinariateatral@gmail.com.

No dia 11 de abril, o grupo Teatro Rabinal apresenta a peça "Dulce Sodoma" e no dia 12 de abril a obra "Actum". Nos dias 13 e 14 de abril, "Toca la Tierra". Os espetáculos serão no sistema pague quanto puder. Nas peças contracenam atores do grupo mexicano.

A Sede do Grupo Refinaria Teatral fica na João de Laet, 1507, Bairro Vila Aurora – SP. As reservas devem ser efetuadas pelo e-mail refinariateatral@gmail.com

28 de março de 2019

Vidas Medíocres ou Almas Líricas

Foto: Gal Oppido

“Vidas Medíocres ou Almas Líricas” é a nova peça da Cia. Alvorada, com estreia marcada para o dia 6 de abril, no Espaço Pequeno Ato. Após o sucesso de público e crítica com “É Samba na Veia, é Candeia”, o grupo apresentará uma mescla de cenas de quatro textos principais do dramaturgo russo Anton Tcheckhov, além de trechos de cartas e contos do autor, com o tempero inusitado e poético do samba de nomes como Cartola, Paulinho da Viola, Manacéa da Portela e Nelson Cavaquinho.

Para o diretor da companhia, Leonardo Karasek, a escolha por Tcheckhov se dá por reconhecer em sua obra questões universais e contemporâneas, que, embora escritas originalmente há cerca de 120 anos,  remetem a conflitos entre forma e conteúdo, passado e futuro, vida e morte e destino e tristeza. O autor russo, na opinião de Karasek, mantém uma fábula em seu enredo, no qual a unidade de tempo e espaço persiste e o diálogo oscila entre a relação dramática e a simples reflexão do mundo concreto e de um mundo de elucubrações.

“Na obra de Tchekhov, seus diálogos dizem pouco. A eloquência está nos solilóquios, chamados por Peter Szondi, em “Teoria do Drama Moderno”, de “lírica da solidão”, na qual existe uma liberdade nos silêncios, pausas e descontinuidade de tempo e espaço”, afirma o diretor.

A temporada vai até o dia 26 de maio, aos sábados às 21h e, domingos, às 19h. O Espaço Pequeno Ato fica na Rua Dr. Teodoro Baima, 78 - Vila Buarque - SP.

27 de março de 2019

Homens de Papel

Foto: Enrique Espinosa

"Homens de Papel", obra de Plínio Marcos com direção de Sergio Ferrara terá suas apresentações acontecendo entre os dias 5 e 14 de abril, no Teatro Nair Bello, de sextas e sábados (às 21h) e domingos (às 19h).

O enredo traz a história de um grupo de catadores de papel e suas relações de trocas comerciais exploradoras, enfatizando sempre a busca humana pela sobrevivência. A montagem é um estudo sobre o texto de Plínio Marcos (1935-1999), um dos mais importantes dramaturgos brasileiros, autor de inúmeras peças de teatro, escritas em sua maioria na época do regime militar.

26 de março de 2019

Loloucas

Foto: Divulgação

Depois de três temporadas de sucesso no Rio de Janeiro, a comédia "Loloucas" estreia em São Paulo, no Teatro Raul Cortez, no dia 5 de abril. No espetáculo, as personagens, assíduas frequentadoras de teatro, chegam atrasadas a uma peça e, ao tentarem ir embora, de repente se veem em cima do palco e acabam ganhando a cena. E ali em cima falam, com muito humor, dos amigos, das realizações, das frustrações, dos sonhos realizados e não realizados, da inexorável passagem do tempo, enfim, da vida. 
Heloisa conta como nasceu a ideia do espetáculo: “Quando cheguei aos 50 anos, pensei: talvez eu não tenha mais 50 pela frente. Então, preciso canalizar minha  energia de uma forma sábia”, resume Heloísa, sobre seu momento de vida. “Pensei inicialmente em fazer um monólogo, mas minha personagem se referia o tempo todo a uma Ieda, Ieda, um belo dia, Ieda pulou do papel e ai percebi: Ieda quer ganhar vida! E como Domingos Oliveira sempre me disse, as melhores histórias são aquelas que os personagens escrevem, trouxe Ieda a existência!” E esse papel foi oferecido a Maria Clara Gueiros, de quem ela é amiga há 30 anos.
“Poderia ter feito as personagens com as nossas idades reais, mas achei melhor romper com o tempo e o espaço, afinal acredito que tudo realmente esteja acontecendo ao mesmo tempo. A criança que fomos ainda é viva dentro de nós, por vezes damos vazão ao nosso lado adolescente e quando chegamos a “melhor idade” teoricamente já passamos por tudo isso, então já está tudo ali, dentro de nós. É só acessarmos. E podemos brincar com tempo, ir e vir e descobrimos finalmente a liberdade da existência É realmente pra quem decide escolher assim, a melhor idade”.
"Loloucas", de Heloisa Périssé, com direção de Otavio Muller tem sua temporada de 5 de abril a 26 de maio, às sextas, às 21h30; aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 18h.

25 de março de 2019

Entre

Foto: Henrique Resende

Nova produção da Barracão Cultural conta um dia na vida de dois irmãos (Alexandre Cioletti e Cláudio Queiróz) e a irmã (Eloisa Elena) que se encontram para organizar a festa de bodas dos seus pais. Este encontro, aparentemente banal, vai sendo afetado por acontecimentos no apartamento vizinho. Apesar de ser um encontro superficialmente afetuoso, a relação dos irmãos já evidencia aspectos do patriarcado nessa relação familiar. Um olhar mais profundo sobre como somos afetados pelo entorno, o quanto nos alienamos e onde está nosso medo, permeiam este encontro familiar.

"Entre" é um espetáculo que pretende gerar uma reflexão sobre os processos que alimentam a nossa sociedade patriarcal. A dramaturgia de Eloisa Elena parte da diferença de papéis e representatividade de gênero na sociedade e como esta questão está presente, muitas vezes de forma extremamente sutil e adaptada ao cotidiano, para abordar a nossa cumplicidade e passividade diante dos mais diversos desdobramentos e consequências do histórico patriarcal que estrutura nossa formação.

“Entre" trata da correlação entre afetação, alienação e medo. O quanto somos afetados pelo que ocorre ao nosso redor e as consequências desta afetação, são questões cada vez mais cotidianas para todos nós. Ao mesmo tempo que somos bombardeados por informações do que ocorre no mundo inteiro e estamos o tempo todo nos manifestando e nos posicionando nas redes sociais e nos nossos pequenos círculos, continuamos muitas vezes fechando os olhos e ignorando o que ocorre ao nosso lado. Violências acontecem dentro de casa, pessoas morrem na nossa esquina e por uma infinidade de razões, muitas vezes não nos damos conta disso e do que não fizemos para evitar. 

O espetáculo estreia no dia 4 de abril na Sala Itaú Cultural, quinta a sábado às 20h e domingo às 19 horas. Até 07 de abril. Temporada Oficina Cultural Oswald de Andrade – De 11 a 20 de abril. Sendo dias 11, 12 e 18 - quinta e sexta - 20h. Dia 13 – sábado - 18h. Dias  19 e 20 – sexta e sábado – 18h  (em função do feriado).

22 de março de 2019

O Aniversário de Jean Lucca

Foto: Ale Virgílio e Rafael Cusato

O compositor e dramaturgo Dan Nakagawa, que figura entre os novos diretores da cena teatral paulistana atual, estreia seu terceiro espetáculo, "O Aniversário de Jean Lucca", definido por ele mesmo como um “quase” musical do Teatro do Absurdo. A montagem, que teve sua primeira leitura dramática em Estocolmo, na Suécia, em dezembro de 2018, estreia no dia 3 de abril, no Teatro Sérgio Cardoso, onde segue em cartaz até 2 de maio.
Com forte influência da dramaturgia de Samuel Beckett, Matéi Visniec e Eugène Ionesco, a peça narra os preparativos da festa organizada por uma babá para comemorar o aniversário do menino Jean Lucca, filho único de um casal que mora em um luxuoso condomínio nos arredores de São Paulo. Essa criança nunca é vista na peça e sobre ela pouco se sabe, nem mesmo a sua idade ou aparência física. Assim a presença dele se faz pela sua constante ausência.
O enredo se passa durante o fragmento de tempo correspondente aos preparativos da festa até seu início. Nesse ínterim, a Babá e todas as pessoas que vão chegando na casa-bolha dessa família se mostram uma ameaça na vida desse casal, gerando ora uma paranoia excessiva, ora uma profunda apatia. A encenação fala sobre os muros visíveis e invisíveis, físicos e subjetivos que nos cercam, gerando incômodo frente a marginalização, segregação, apatia social, indiferença e a paranoia.    
O texto nasce em consonância com estudos do psicanalista e professor paulistano Christian Dunker sobre o conceito de “Cultura da Indiferença”. Segundo o estudioso, tal cultura se desenvolve no interior de uma sociedade normatizante, branca e heteronormativa que nega, por meio da indiferença, as diversidades individuais, erguendo barreiras para anular essas subjetividades. Assim, transformamos o nosso entorno em uma bolha de iguais e, portanto, narcisista, onde tudo que se quer ver em um mundo previsível é a si mesmo e não o outro.

21 de março de 2019

O Santo Dialético

Foto: João Caldas

O Teatro do Incêndio reestreia "O Santo Dialético" no dia 30 de março, às 20h, para uma curta temporada com apenas oito apresentações, até o dia 21 de abril.

Com texto e direção de Marcelo Marcus Fonseca, a montagem - resultante do processo de pesquisa do projeto A Teoria do Brasil - investiga os vestígios da essência ancestral do brasileiro por meio de pessoas que, vivendo em São Paulo, perderam o contato com suas origens, e passaram a habitar um mundo determinado por valores urbanos.

Dividida em dois atos, a montagem parte do ponto de vista de pessoas comuns, inquietadas pelo esquecimento e pela perda de fatos de sua própria história. Elas seguem, então, em busca de uma mitologia que possa explicá-la. A peça propõe o entendimento da descaracterização do negro, do índio e do próprio europeu (transformados em outra raça), indo à procura desse “novo povo”, o brasileiro, levando cada personagem numa espécie de voo interior rumo à própria raiz.

20 de março de 2019

Vamos Comprar um Poeta

Foto: Renato Mangolin

Inspirado no livro homônimo de Afonso Cruz, o musical infantojuvenil inédito "Vamos Comprar um Poeta" estreia no dia 23 de março, no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB São Paulo). A peça tem direção de Duda Maia, adaptação de Clarice Lissovsky, trilha sonora original Ricco Viana e elenco formado por Letícia Medella, Luan Vieira e Sergio Kauffmann.
O musical narra a chegada de um Poeta à casa de uma família comum. Nesse lar, moram um pai que só pensa em ganhar dinheiro; uma mãe que organiza todos os dias os trabalhos domésticos; uma menina esperta e curiosa que gosta de entender o significado das coisas; e um menino que adora fazer contas.
O poeta ensina os pequenos a observar borboletas, compor os próprios poemas e aprender a dar abraços. A montagem cria uma divertida reflexão sobre a nossa capacidade de invenção, fazendo um importante paralelo entre cultura e economia. É uma homenagem à cultura, em um espetáculo que mistura poesia, música e dança.
"Vamos Comprar um Poeta" é a última parte da trilogia de histórias de amor para crianças, composta também pelos premiados musicais "A Gaiola e Contos Partidos de Amor". O espetáculo se apresenta aos sábados, 11h. 

19 de março de 2019

Duo Cerri-Botelho

Foto: Claudio Frateschi

No dia 23 de março, às 20h, acontece a abertura da Temporada 2019 do Centro de Música Brasileira no Centro Brasileiro Britânico em Pinheiros. A data seria o aniversário de Osvaldo Lacerda (1927-2011), fundador do CMB. Tocarão em sua homenagem o Duo Cerri-Botelho de Sérgio Cerri na flauta e Flávia Botelho ao piano, e o pianista Renato Figueiredo que foi aluno e grande amigo de Lacerda. Do compositor vão interpretar Momento Musical nº 1, Romântica e Toada Opus 2.  

Osvaldo Lacerda foi um grande compositor brasileiro com um refinado nacionalismo, fruto de extenso conhecimento das características da música brasileira, aliado a sólido domínio das técnicas modernas de composição. Dividiu experiências com Camargo Guarnieri de quem foi aluno por dez anos. Em 1963 estudou nos Estados Unidos com Vittorio Giannini e Aaron Copland. Foi membro efetivo da Academia Brasileira de Música, onde ocupava a Cadeira nº 9, cujo patrono é Tomaz Cantuaria.

O pianista Renato Figueiredo homenageará também a viúva de Camargo Guarnieri, Vera Silvia Camargo Guarnieri (21.11.1939-7.6.2018) com as obras do compositor: Valsa nº 9, As Três Graças (Acalanto para Tânia, Tanguinho para Miriam e Toada para Daniel Paulo), Estudo nº 8 e os Ponteios números 46 e 48.

Além das composições de Osvaldo Lacerda, os músicos interpretarão obras de Antonio Ribeiro, Ary Ferreira, Aylton Escobar, Breno Blauth, César Guerra-Peixe, Kilza Setti, Rafael dos Santos e Savino de Benedictis.

18 de março de 2019

Fábrica de Calcinha


Parte da programação da mostra Cena Sul, realizada pelo Sesc Belenzinho, o espetáculo “Fábrica de Calcinha”, com direção da gaúcha Marina Mendo, é apresentado nos dias 22, 23 e 24 de março nessa unidade.

O espetáculo surge da paisagem sonora das ruas do centro de Porto Alegre, onde vozes femininas gritam "Fábrica de Calcinha! Fábrica de Calcinha é no quinto andar! Calcinha a R$1,50!". Esse grito mostra a expressão da mulher brasileira atual, perfurando estereótipos, exaltando seu lugar de fala e resistência a tantas formas de violência.

Como artistas ativadores da cena, estão Marina Mendo, Marta Felizardo e Ricardo Pavão. A peça tem suas apresentações sexta e sábado, às 21h30; e domingo, às 18h30.

15 de março de 2019

Alumia

Foto: Alessandra Fratus

Artista que sempre se destacou como intérprete, Zé Guilherme, comemora 20 anos de carreira com o lançando de Alumia, seu quarto disco composto por músicas autorais em sua maioria. O show acontece no dia 29 de março no Teatro do Sesc Belenzinho, às 21 horas.

Após lançar, em 2015, um disco em homenagem ao “cantor das multidões”, o artista cearense, radicado em São Paulo, registrou nesse trabalho canções autorais e parcerias. No show, além de faixas de Alumia, Zé Guilherme mostra composições dos três discos anteriores: Recipiente, Tempo ao Tempoe Abre a Janela - Zé Guilherme Canta Orlando Silva.

Nesse novo álbum, Zé Guilherme assina letra e melodia das composições “Alumia”, “Teus Passos” e “Canção de Você”. As letras são frutos de seus poemas. “As melodias nasceram intuitivamente, pois não sou instrumentista”, afirma. Ele ainda divide a autoria de “Espelho” com Luis Felipe Gama, de “Ave Solitária” e “Teu Cheiro” com Cris Aflalo, de “Laço” com Marcelo Quintanilha e de “Oferendas” com Cezinha Oliveira, que é o produtor musical e arranjador do álbum. Completando o repertório, Luis Felipe, Quintanilha e Cezinha aparecem novamente como autores de “Franqueza”, “A Voz do Rio” e “Cesta Básica”, respectivamente, ao lado do baiano Péri, compositor de “Clarão” e “Paixão Elétrica”.

“Nunca tive pretensões de ser um compositor, pois meu ofício maior é o de cantor. A poesia é um exercício que me acompanha desde a adolescência, mas só agora, depois de 20 anos de dedicação à música, sinto-me mais à vontade para mostrar também o meu lado autoral”, comenta.

O novo CD faz um sobrevoo por esses caminhos e apresenta a música de Zé Guilherme, agora mais romântica, que envereda por uma sonoridade acústica mais jazzística. “Os arranjos trazem como unidade estética a sonoridade característica do piano, executado de forma primorosa por Jonas Dantas (também no acordeon), e do baixo acústico tocado por Johnny Frateschi”, justifica o produtor musical. É possível perceber que todas as canções se harmonizam como células dentro da estrutura musical do disco. Os demais instrumentos que aparecem são: bateria e percussão (por Adriano Busko), violão e guitarra (por Cezinha Oliveira) e sopros (por Walter Pinheiro). “Esse trabalho pode ser considerado uma declaração de amor, amor a outras pessoas e à minha própria vida”, confessa o intérprete.

O show de Zé Guilherme no Sesc Belenzinho tem participação dos mesmos músicos que gravaram nas faixas do CD Alumia. A direção artísitica é de Maurício Inafre e a iluminação tem assinatura de Silvestre Garcia.

14 de março de 2019

A Utopia na Era da Incerteza

Foto: Paulo Drumond

Comemorando 25 anos de trajetória, a Cia. Lúdica, de São Paulo, ocupa o Centro Cultural Tendal da Lapa, entre os dias 23 de março e 5 de setembro, com o projeto "A Utopia na Era da Incerteza", contemplado pela 32ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.
"A Utopia na Era da Incerteza" tem como inspiração o pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman sobre o seu conceito a respeito do termo “líquido”, o qual sinaliza o mundo contemporâneo como o reflexo de uma sociedade líquida, em que praticamente tudo é descartável, volátil, nada é feito para ser sólido. As relações entre as pessoas tendem a ser cada vez menos frequentes, pouco duradouras e segregacionistas. A sociedade contemporânea não entende mais o progresso como um benefício para a coletividade, mas sim uma busca por vantagens individuais como objetivo principal. O ser dá lugar ao ter e o nosso é substituído pelo meu. Ao invés da esperança de um mundo feliz, ideal, de liberdade, de harmonia e felicidade entre os indivíduos (utopia), surgiram as distopias: decadência e desconstrução que vêm junto com desenvolvimento e progresso por meio do controle social e político dos habitantes.
Os espetáculos da temporada acontece todas às terças, quartas e quintas, às 14h; e aos sábados (duas vezes por mês), às 18h. Os ingressos são gratuitos.

13 de março de 2019

Carmen, a Grande Pequena Notável

Foto: Leekyung Kim

O musical "Carmen, a Grande Pequena Notável", com direção de Kleber Montanheiro, reestreia no Teatro Itália, no dia 23 de março. O espetáculo é inspirado no livro homônimo de Heloísa Seixas e Julia Romeu, vencedor do Prêmio FNLIJ de Melhor Livro de Não Ficção (2015), e apresenta o universo artístico da diva Carmen Miranda (1909-1955) para o público de todas as idades.
O espetáculo está indicado ao Prêmio São Paulo para crianças e jovens de melhor figurino (Kleber Montanheiro), melhor texto adaptado (Heloisa Seixas e Julia Romeu), melhor direção musical (Ricardo Severo) e melhor atriz (Amanda Acosta).
Em 2019, Carmen completaria 110 anos. Portuguesa radicada no Brasil, ela se tornou um dos maiores símbolos da cultura brasileira para todo o mundo. Quem dá vida à diva é a atriz Amanda Acosta, que divide o palco com Daniela Cury, Luciana Ramanzini, Maria Bia, Samuel de Assis e Fabiano Augusto. Os músicos Maurício Maas, Betinho Sodré, Monique Salustiano e Marco França também estão em cena.
Para contar essa história, o espetáculo adota a estrutura, a estética e as convenções do Teatro de Revista Brasileiro, grande destaque na época, no qual Carmen Miranda também se destacou. “Utilizamos a divisão em quadros, o reconhecimento imediato de tipos brasileiros e a musicalidade presente, colaborando diretamente com o texto falado, não como um apêndice musical, mas sim como dramaturgia cantada”, explica o diretor Kleber Montanheiro.
A encenação tem a proposta de preservar a memória sobre a pequena notável, como a cantora era conhecida, e a época em que ela fez sucesso tanto no Brasil como nos Estados Unidos, entre os anos de 1930 e 1950. Por isso, os figurinos da protagonista são inspirados nos desenhos originais das roupas usadas por Carmen Miranda; já as vestes dos demais personagens são baseadas na moda dessas décadas.
“As interpretações dos atores obedecerão a prosódia de uma época, influenciada diretamente pelo modo de falar ‘aportuguesado’, o maneirismo de cantar proveniente do rádio, onde as emissões vocais traduzem um período e uma identidade específica”, revela Montanheiro.

12 de março de 2019

A Greve do Sexo

Foto: Divulgação

"A Greve do Sexo", obra de Aristófanes com direção de Hugo Coelho, se apresentará no período de 22 a 31 de março, de sexta a domingos, no Teatro Nair Bello.

No enredo, exausta das consequências da guerra, Lisístrata, uma ateniense, resolve convocar as mulheres gregas para convencê-las a fazer uma greve de sexo até que seus maridos resolvam assinar um tratado de paz. A montagem um estudo sobre o texto, também conhecido como Lisístrata, do dramaturgo grego (que viveu entre 447 e 385 a.C.). “Nossa montagem faz uma leitura contemporânea, procurando manter viva a essência provocadora e debochada da obra original", comenta o diretor Hugo Coelho.

O Teatro Nair Bello fica na Rua Frei Caneca, 569 - Shopping Frei Caneca, 3º Piso - SP.

11 de março de 2019

Cena Sul


Criar um panorama do teatro autoral produzido nos três estados da região Sul do Brasil é a proposta da primeira edição da mostra "Cena Sul", iniciativa do Sesc Belenzinho que reúne cinco peças entre os dias 15 de março e 14 de abril, com sessões de sexta a domingo.

A catarinense Cia. La Vaca, que comemora 10 anos de carreira, abre a mostra com o espetáculo “Ilusões” (15 a 17/3), inspirado em texto do dramaturgo russo Ivan Viripaev, representante do movimento chamado de Novo Drama Russo. Dirigido por Fabio Salvatti, a peça propõe uma reflexão sobre os mitos a respeito do amor, das relações e da permanência, do envelhecimento e da lealdade a partir do relacionamento de dois velhos casais. Viripaev traz para a cena uma epicidade que não se confunde com o projeto político de Bertolt Brecht e nem com a oralidade dos contadores de histórias. Há uma desdramatização do material cênico, de forma que não há clareza sobre qual é a relação estabelecida entre os personagens e os atores que contam suas histórias.

Outra atração é “Fábrica de Calcinha” (22 a 24/3), com direção da gaúcha Marina Mendo, que surge da paisagem sonora das ruas do centro de Porto Alegre, onde vozes femininas gritam "Fábrica de Calcinha! Fábrica de Calcinha é no quinto andar! Calcinha a R$1,50!". Esse grito mostra a expressão da mulher brasileira atual, perfurando estereótipos, exaltando seu lugar de fala e resistência a tantas formas de violência.

Trazido da cidade de Montenegro, também no Rio Grande do Sul, o Coletivo Errática encena “Ramal 340: Sobre a migração das sardinhas ou porque as pessoas simplesmente vão embora” (29 a 31/3). Dirigida por Jezebel De Carli, que narra seis histórias de pessoas espalhadas em diferentes tempos e espaços e conectadas por meio do movimento, do desejo, da falta ou da completa incompreensão sobre a própria experiência. A peça cria uma reflexão sobre um mundo no qual lugares, lados e identidades estão em constante movimento de construção-reconstrução.

Essas figuras são: um homem que espera pelo pai na plataforma da estação de trem; outro que arruma as malas enquanto sua companheira desarruma; um sujeito que caminha sem parar atrás da filha; um indivíduo que foge atormentado por uma imagem de 30 anos; uma mulher que não dorme por causa de um sonho; e uma mulher que segue para outro lado do mundo em busca de alguém que lhe escreveu uma carta.

Outra peça gaúcha da mostra é “A Fome” (5 a 7/4), da Cia. Espaço Em Branco, um solo dirigido por João de Ricardo e atuado por Sissi Betina Venturin. Entre revelações pouco palatáveis e a exposição de uma fome voraz pela vida, uma mulher sem nome incorpora circunstâncias míticas e críticas sobre o feminino a partir de uma performance-limite entre o ritual e o cyber. O monólogo cria reflexões sobre relações amorosas e sociais atordoantes.

Para encerrar a mostra, a paranaense Cia. Transitória apresenta “Macumba: Uma Gira Sobre Poder” (12 a 14/4), escrito e dirigido por Fernanda Júlia. Com um elenco formado apenas por atores negros, a encenação é uma provocação sobre o que é o poder e como obtê-lo. É um espaço celebrativo e revelador de “afrografamento”. São peles escuramente acesas e memórias negras que precisam ser vistas na cena e fora dela.

8 de março de 2019

Lua de Sangue

Foto: Divulgação

A Escola de Atores Wolf Maya apresenta espetáculo "Lua de Sangue" inspirado em obras de Frederico Garcia Lorca. Com direção de Kleber Montanheiro, as apresentações acontecem nos dias 9 e 10 de março (sábado e domingo) e entre os dias 14 e 17 de março (quinta a domingo), no Teatro Nair Bello.

A montagem é um estudo que celebra o universo de García Lorca (1898-1936). O grupo de formandos coloca em cena um diálogo cruzado que se estabelece entre três importantes obras do poeta e dramaturgo espanhol: Bodas de Sangue, Yerma e A Casa de Bernarda Alba. Segundo o diretor, a peça traz as relações existentes nos três textos. A história se passa em uma aldeia onde circulam personagens de Bodas de Sangueque se relacionam com outros de Yerma e A Casa de Bernarda Alba.

O Teatro Nair Bello fica na Rua Frei Caneca, 569 - Shopping Frei Caneca, 3º Piso. SP.

7 de março de 2019

O Homem que Queria Ser Livro


A partir de hoje e até o dia 31 de março, o espetáculo "O Homem que Queria Ser Livro" pode ser visto através do Programa Biblioteca Viva, gratuitamente, nas Bibliotecas Municipais da Secretaria Municipal de Cultura. 

"O Homem que Queria Ser Livro" é um título criado por Darson Ribeiro diante de um misto de história pessoal da infância e o seu atual momento, sempre tendo o teatro como meio de vida e expressão. Convidou Flavio de Souza para desenvolvê-lo, diante do que o próprio autor chama de “ótima embocadura para o ator”. Flávio é autor premiado com "Fica Comigo Essa Noite" e "Castelo Ra Tim Bum". “Flavio consegue tratar de assuntos atuais e atemporais com dramaticidade e bom humor”, explica Darson.

O título "O Homem que Queria Ser Livro" é quase um trocadilho entre “li-vro” e “li-vre”. Segundo Darson Ribeiro, é o teatro em busca de algo que a maioria das pessoas, muitas vezes, esquece ou mesmo ignora: a retomada da criança interior, no sentido humanista da ação.  Com esta montagem, Darson não teve como objetivo realizar uma “ode” ao livro, mas utilizar-se desse instrumento milenar para, por meio do teatro, reforçar ao to de “pensar em si”. Para ele, “a sugestão fica: tudo está em nós mesmos”.

Em 45 minutos, em um tom confessional, o ator apresenta de forma crua e sutil, em tons variantes entre drama, humor e poesia, um reverso desse mundo caótico, justamente pela falta de humanidade, e, consequentemente, por falta da leitura, o homem consigo mesmo. E ele cita Jorge Luis Borges: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria. ”

Esse ‘homem-livro’ do espetáculo se pendurou aos livros e ficou suspenso no ar – também no sentido metafórico do não alcance terreno, como se as palavras tivessem o poder de suspender, elevar, prum céu sonhado. “As pessoas já não sonham mais, sequer imaginam”, reflete o artista.

Cronograma de apresentações:

7 de março (quinta, às 14h30) - Biblioteca Vinicius de Moraes 
Av. Jd Tamoio, 1119, Cj. José Bonifácio, Itaquera. Tel: (11) 2521-6914

9 de março (sábado, às 14h) - Biblioteca Rubens Borba
Rua Sampei Sato, 440, Ermelino Matarazzo. Tel: (11) 2943-5255

10 de março (domingo, às 11h) - Biblioteca Ricardo Ramos
Pça. Centenário de Vila Prudente, 25, Vila Prudente. Tel: (11) 2273-4860

16 de março (sábado, às 11h) - Biblioteca Narbal Fontes
Rua Cons. Moreira de Barros, 170, Santana. Tel: (11) 2973-4461

17 de março (domingo, às 11h) - Biblioteca Milton Santos
Av. Aricanduva, 5777, Jd. Aricanduva. Tel: (11) 2726-4882

20 de março (quarta, às 14h30) - Biblioteca Raimundo de Menezes
Av. Nordestina, 780, São Miguel Paulista. Tel: (11) 2297-4053

23 de março (sábado, às 14h) - Biblioteca Álvaro Guerra
Av. Pedroso de Moraes, 1919, Pinheiros. Tel: (11) 3031-7784

29 de março (sexta, às 14h) - Biblioteca Prof. Arnaldo Giácomo Magalhães
Rua Restinga, 136, Tatuapé. Tel: (11) 2295-0785

30 de março (sábado, às 14h) - Biblioteca Padre José de Anchieta
Rua Antonio Maia, 651, Perus. Tel: (11) 3917-0751

31 de março (domingo, às 11h) - Biblioteca Lenyra Fraccarolli
Pça. Haroldo Daltro, 451, Vila Nova Manchester, Carrão. Tel: (11) 2295-2295