29 de novembro de 2010

The Miracle Worker


O clássico de 1962 The Miracle Worker que no Brasil chama-se O Milagre de Anne Sullivan é delicado, sensível e tem uma história que fala de persistência e superação com um roteiro impecável. Aqui, eu não posso deixar de destacar as atuações das atrizes Anne Bancroft e Patty Duke, principalmente esta última que dá um show de interpretação até mesmo pela própria idade que tinha e o personagem que tivera que desenvolver. Não é por menos que ambas ganharam os Oscar de Melhor Atriz e de Melhor Atriz Coadjuvante respectivamente. A curiosidade é que Anne Bancroft, já falecida, só tinha feito papéis como coadjuvante até que se revelou nesta película como atriz principal. E Patty Duke, em 1979, atuou como Annie Sullivan em uma produção para TV com o mesmo nome do filme. Curiosidades à parte, na história temos a incansável tarefa de Anne Sullivan, uma professora que com seus dramas particulares e métodos nada ortodoxos tenta ensinar a garota cega, surda e muda Helen Keller a se adaptar e entender um pouco a vida que a cerca. Lógico que o trabalho não poderia ser tão fácil, a garota além de mimada pelos pais, sempre foi tratada como um animal. Para realizá-lo, ela entra em confronto com os pais da menina, que sempre sentiram pena da filha sem nunca terem lhe ensinado algo nem lhe tratado como qualquer criança. Aliás, diria também que os personagens dos pais foram bem construídos e são orgânicos. Um belo drama que, por irônia ou não, me faz lembrar e filosofar sobre os diversos sons da vida.

28 de novembro de 2010

A Ostra e o Vento

Que tal relembrarmos um pouco do cinema nacional com um dos filmes mais poéticos dos últimos tempos, seja pela sua história e ainda seja pelas brilhantes atuações. Aliás, atuações pra lá de impecáveis com um elenco escolhido a dedo pelo diretor Walter Lima Jr.: Lima Duarte, o saudoso Fernando Torres, Leandra Leal, Debora Bloch, Castrinho e Floriano Peixoto. Aliás, um destaque aqui para Leandra Leal que neste filme foi premiada por sua interpretação nacionalmente e internacionalmente. Atuação valorosa, diria. A Ostra e o Vento (1997) nos conta a história da jovem Marcela que vive com seu pai, o faroleiro José e o velho Daniel numa ilha. O único contato da menina com o mundo exterior se dá através de uma embarcação com 4 marinheiros que regularmente vai levar-lhes provisões. Através das palavras de Daniel, que a ensina a ler e sua fonte de ternura e conhecimento, e da severidade do pai, que quer protegê-la do resto do mundo, Marcela segue sua vida até que, ao tornar-se adolescente, passa a sentir sua sexualidade e seus anseios de viver de forma intensa. Com uma estrutura clara e precisa, o filme tem conflitos fortes, personagens complexos e bem construídos. Além das atuações, tenho que destacar aqui a adaptação do roteiro, fotografia e a direção. As passagens de cena do passado e presente foram feitas com primazia. Não é à toa que a película ganhou tantos prêmios, tais como, Melhor atriz (Leandra Leal) no Festival de Cinema Brasileiro de Miami 1998 (EUA); Prêmio do Público, Prêmio Especial do Júri (Fernando Torres), Fotografia, Melhor Direção, Melhor Montagem e Melhor Filme no Festival do Recife 1998; Melhor fotografia, filme e atriz revelação (Leandra Leal) no Troféu APCA 1998; Prêmio CinemAvvenire no Festival de Veneza 1997 (Itália)e; Troféu Don Quixote no Festival International de Films de Fribourg 1998 (Suíça).

26 de novembro de 2010

Capítulo 23

Passada algumas semanas, no meio de tanta correria com a solicitação de visto de estudante, busca de curso de moda em Nova Iorque, Sofia resolveu parar e ligar para Marcos. Preciso dar uma relaxada... Do outro lado da linha, Marcos atendia ofegante, mas parou quando ouviu o sonoro “Oi, Marcos, é Sofia. Tudo bem? Estou atrapalhando alguma coisa?”. É lógico que Sofia com a mente poluída que tinha, só podeia pensar besteiras, achando que o rapaz estivesse entretido em alguma atividade física mais interessante. Marcos parou de andar de skate e riu. “Lógico que para minha Deusa eu tenho todo o tempo do mundo”. Sofia arregalou os olhos. “Deusa?!”. Mas que coisinha mais brega. É óbvio que ele tinha que ter algum defeito, mas enfim, suspirou e caíu na real. Pensou: ok, Sofia, você só está interessada no corpo dele e ele no seu. Então, pára de buscar o homem perfeito e vai curtir um pouco... Marcaram um encontro, que ela entitulou carinhosamente de “O encontro do abate”, sem luz de velas ou muita cerimônia, mas eficiente.

O encontro teria sido perfeito, se não fosse um porém. No meio do rala e rola, Sofia, sem cerimônias, deixou escapar um peido. “Ai, que horror!!! Jesus Cristo, que merda...E agora?”. Ficou com os olhinhos revirando pensativa no que iria fazer. Marcos, muito delicadamente, fingia não saber o que estava acontecendo, mas sabia exatamente o que se passara. Como ele não falou nada e a flatulência não tinha odor, ela resolveu fingir que nada tinha acontecido e foi em frente com a brincadeira sexual.

Marcos parou o carro em frente a casa dele e caminhou com Sofia até a casa dela. Sofia podia ouvir os latidos de Brasileiro dentro de casa. Brasileiro era ciumento e, ao perceber a presença do rapaz do lado de fora, incontrolado, corria de um lado para o outro de casa latindo alto. Ia acordar os vizinhos. Sofia não queria que soubessem da aventura dela com Marcos. Brasileiro sou eu, calma. O latido ia diminuindo aos poucos quando o cão sentiu o cheiro de sua dona. E, então, sem menos esperar, Marcos roubou um beijo de Sofia. Ah! Tá bom, agora só falta ele pegar na minha mão...pensou. Mas o beijo estava gostoso, diferente, amaciava sua boca, então, ela achou por bem deixar rolar. E, então, Marcos, mesmo com aquele jeito de meninão envergonhado, olhou nos olhos de Sofia e pegou na mão dela. “Quando vamos nos ver?”. Ai, meu Deus, a coisa já tá querendo ficar séria... Sofia suspirou fundo e apenas respondeu para ele um “quando der”. A desilusão na cara de Marcos era visível. Então, ela para se sentir menos vilã na história, disse um “ou quando você quiser”. Ele sorriu, um sorriso disfarçado. E Sofia emendou: escuta, Marcos, daqui há um mês eu tô indo viajar. Vou passar um ano fora. Não seria prudente nos comprometermos com algo agora... Marcos apenas concordou com a cabeça e saiu. Eles não falaram mais nada um para o outro. Sofia entrou em casa e fez festa para Brasileiro. Ela parou por alguns segundos e se questionou se tinha sido muito fria e direta com o rapaz...mas imediatamente, preferiu responder a si só que não, que apenas tinha sido sincera e honesta, coisa que Morrice não o tinha. Putz, aquele cara de novo nos meus pensamentos...Preciso rezar! Sofia foi para o quarto trocou de roupa e rezou antes de dormir.

25 de novembro de 2010

Conversa sobre terapia

O livro Conversa sobre terapia de Bilê Tatit Sapienza é envolvente. Numa linguagem fácil , a autora nos transporta para consultórios psicoterapêuticos e numa profunda meditação filosófica nos envolve sobre o assunto: a cerca deste oficio de trabalho, da relação entre paciente e terapeuta, bem como da responsabilidade deste tipo de terapia. Ela, simplesmente, nos enlaça de forma clara e direta. É como se todos os sentimentos tivessem o direito de frequentar tal sessão literária. Sessão mais do que cultural, diria. O tom de intimidade alcançado pela autora é singular, o que, aliás, deixa qualquer leigo entrar e sentir-se à vontade nas entrelinhas de Bilê. É um livro para uma sentada, quando você se atenta, percebe que já terminou de lê-lo. Não precisa ser um expert para se deliciar nas 160 páginas deste. Vale à pena.

24 de novembro de 2010

The Last King of Scotland

The Last King of Scotland (no Brasil chama-se O Último Rei da Escócia) é um filme e tanto. Uma excelente estrutura, bons diálogos e um grande argumento. Sem contar com a fotografia e direção. Ma-ra-vi-lho-so! Ou seja, em outras palavras, parada obrigatória para os cinéfilos. Nicholas Garrigan (James McAvoy) é um jovem médico escocês, que deixou recentemente a faculdade e decidiu ir para Uganda em busca de aventura, romance, alegria, e, obviamente, por poder ajudar um país que precisa muito de suas habilidades médicas. Após uma espécie de comício, Nicholas é solicitado para assistir o líder recém-empossado do país Idi Amin (Forest Whitaker), que sofreu um acidente quando atropelou uma vaca com seu Maserati. Nicholas consegue dominar a situação, o que muito impressiona Amin. Obcecado com a cultura e a história da Escócia, Amin se afeiçoa a Nicholas e lhe oferece a oportunidade de ser seu médico particular. Com esta oferta, Nicholas irá descobrir um dos mais terríveis ditadores da África. Um filme incomum. A atuação de Forest Whitaker dá um toque especial a película.


23 de novembro de 2010

The Town

Não é a primeira vez que Ben Affleck dirige um filme, mas em The Town (que no Brasil é chamado de Atração Perigosa, 2010), ele mandou muito bem, podemos afirmar. O filme, que apesar do título ridiculo, trata-se de uma adaptação do romance The Prince of Thieves, de Chuck Hogan e fala dos assaltos a banco que acontece no bairro de Charlestown. Aliás, como curiosidade, neste bairro, todo ano mais de 300 assaltos a banco acontecem em Boston. uma marca ínacreditável. Um destes assaltos é comandado por Doug MacRay (Affleck), um líder de um grupo de inescrupulosos assaltantes de banco, que se orgulham de roubar tudo o que querem e sair impunes. A única família que Doug conhece são seus parceiros de crime, especialmente Jem (Jeremy Renner), que, apesar do seu temperamento perigoso e explosivo, é alguém que Doug pode chamar de irmão. Aliás, diria que um personagem maravilhoso e muito bem construído! Mas como o destino prega peças, tudo muda no último trabalho da gangue. Ao fazerem a gerente de banco Claire Keesey (Rebecca Hall) de refém, acabam por descobrir que ela mora em Charlestown. Jem, então, se enfurece e resolve descobrir o que ela pode ter visto durante o assalto, mas Doug assume o comando. Ele procura Claire, e os dois avançam num relacionamento com muita paixão, e, então, ele decide deixar o crime. Do outro lado, John Hamm (ele fez Mad Man) é o agente do FBI que caça os ladrões. O roteiro foi escrito pelo próprio Affleck baseado numa primeira versão de Peter Craig e Hogan. O filme é um pouco longo, mas bom. Tem ação, conflito, drama...um pouco de tudo.


22 de novembro de 2010

Diana Ross


Diana Ross esteve ontem no Hard Rock Live na Florida para mostrar porque veio ao mundo. E cantou! Aos 66 anos, a Diva não só cantou, mas encantou todo o seu público, a maioria já com alguns cabelos brancos à vista, que remexiam-se seus corpos revivendo os maiores sucessos dela da década de 80. Um arraso! Uma voz belíssima com figurinos encantadores e luxuosos. Diana estava em excelente forma, diga-se de passagem. A banda, sejamos justos, foi um show à parte. Uma noite maravilhosa, tudo perfeito. Quando ela for ao Brasil, não hesite, faça-se presente e divirta-se muito.