2 de outubro de 2018

As Irmãs Siamesas

Foto: Heloisa Bortz

Com encenação de Sébastien Brottet-Michel, diretor francês e ator do Théâtre du Soleil, desde 2002, o espetáculo "As Irmãs Siamesas", de José Rubens Siqueira, estreia no dia 5 de outubro, às 21h, no Teatro Aliança Francesa. A peça revela a complexidade e ternura da alma feminina, inserida na relação familiar, a partir do reencontro de duas irmãs, interpretadas por Cinthya Hussey e Nara Marques, após a morte da mãe.

"As Irmãs Siamesas" foi escrita em 1986, rendendo o Prêmio APCA de Melhor Autor a Siqueira. As particularidades da alma humana, a personalidade e a individualidade aparecem de forma natural e contundente no reencontro de Marta e Maria.

A morte da mãe provoca o encontro e o confronto entre Marta, a irmã mais velha e cuidadora da mãe, e Maria, que partiu para uma vida nova em São Paulo. Frias e distantes, elas entram em casa envoltas pelo incômodo da presença uma da outra e precisam reaprender a se comunicar. As lembranças são inevitáveis. Cada memória vem carregada de rancor, mágoa, acusação ou mesmo ternura, leveza e humor. O passado é o fantasma de Marta que acredita não ter tido a oportunidade de ser feliz, obrigada a permanecer numa cidade do interior, carregando a responsabilidade da mãe doente sem opção de viver a própria vida. Agora, sente-se ainda mais perdida, sem a mãe e sem o filho que vive fora do país.

É preciso restabelecer os laços, a ligação fraterna que se perdeu. Os diálogos evoluem na mesma proporção das emoções. A muralha vai sendo transposta à medida que as questões vão sendo expostas, colocando-as numa posição de maior proximidade. O encontro é permeado por momentos de ternura e delicadeza, outros de raiva e até violência, até revelar os detalhes da vida de cada uma.

O espetáculo segue temporada até o dia 2 de dezembro, sextas e sábados (às 20h30) e domingos (às 19h) no Teatro Aliança Francesa que fica na Rua Gen. Jardim, 182 - Vila Buarque. São Paulo - SP.

1 de outubro de 2018

Os arqueólogos

Foto: Felipe Stucchi

Depois de uma temporada de estreia aclamada por público e crítica e da participação no Festival de Curitiba e Palco Giratório (Porto Alegre), "Os arqueólogos" volta à São Paulo em temporada no Instituto Cultural Capobianco. Escrito por Vinicius Calderoni, dirigido por Rafael Gomes interpretado por Guilherme Magon e Vinicius Calderoni.

Na história, dois narradores transmitem - com linguagem que parodia os jargões de modalidades esportivas como futebol, boxe e automobilismo - cenas corriqueiras que se passam na praça de uma grande cidade:  um pai que ensina ao filho como fotografar com uma câmera analógica, um casal que discute na calçada, uma garota que conta quanto tempo cada pessoa demora pra desfazer o sorriso do rosto depois que se despede de um conhecido, etc. Dois arqueólogos do futuro avaliam com rigor científico e frieza vestígios de uma estranha civilização: a nossa.

O texto de "Os arqueólogos" foi publicado em livro em agosto de 2018 pela Editora Cobogó, bem como os três textos que compõem a Trilogia Placas Tectônicas, escrita por Vinicius Calderoni e composta por Não nem nada (Indicada ao Prêmio Shell de Melhor Autor), Ãrrã (Vencedora do Prêmio Shell de Melhor Autor) e Chorume.

O espetáculo fica em cartaz até o dia Até 18 de dezembro, às terças-feiras 21h, no Instituto Cultural Capobianco (Rua Álvaro de Carvalho, 97- SP).

28 de setembro de 2018

Mortos-Vivos - Uma Ex-Conferência

Foto: Francisco Costa

Hoje às 21h30, estreia o espetáculo "Mortos-Vivos - Uma Ex-Conferência". O texto de Alex Cassal, dirigido por Renato Linhares, parte da premissa fantástica da que o apocalipse zumbi é fato, neste momento. A nova montagem do grupo carioca Foguetes Maravilha, que está completando 10 anos, é a uma metáfora sobre as mazelas do mundo contemporâneo, e uma conferência é realizada para descobrir as armas necessárias para enfrentar esses ‘zumbis’.

No enredo, o apocalipse zumbi já aconteceu, e neste exato momento cadáveres animados e famintos andam pelas ruas da cidade. A montagem é uma espécie de conferência à beira do abismo, onde quatro especialistas analisam a crise que tomou o mundo e instruem os espectadores sobre estratégias de sobrevivência. Enquanto o caos se espalha, discutem assuntos como alteridade, xenofobia, fascismo, preconceito, tortura, banalidade do mal, fascínio pela violência, sistema digestivo dos zumbis e razões evolutivas para que os seres humanos tenham um medo inato de serpentes.

Segundo o autor Alex Cassal, “do filme A Noite dos Mortos-Vivos a Walking Dead, o zumbi foi se tornando o monstro por excelência do nosso tempo. A sua imagem, simultaneamente, patética e assustadora conquistou o cinema, a literatura e a cultura pop. Tornou-se uma metáfora explorada por políticos e filósofos, cantores e cientistas”. O espetáculo reflete sobre esse zumbi que é sempre o outro, aquele que é semelhante, porém alienígena; aquele que nos ameaça com sua presença. E para enfrenta-lo todas as armas são permitidas: o isolamento, a agressão, até a destruição completa. Os zumbis estão nas ruas, nas redes sociais, na televisão, no congresso brasileiro.

A temporada do espetáculo segue até o dia 27 de outubro, sexta e sábado, às 21h30; domingo, às 18h30, no Sesc Belenzinho que fica na Rua Padre Adelino, 1000.

27 de setembro de 2018

Sesc Belenzinho

Foto: Lucas Liviero

O Sesc Belenzinho apresenta o lançamento sexto álbum do paranaense Bernardo Pellegrini, Outros Planos, no dia 28 de setembro, às 21 horas. O show tem participação especial dos cantores e compositores Alzira E. e Edvaldo Santana e acontece no Teatro da unidade.

O cantor e compositor interpreta o repertório completo do novo CD e algumas canções marcantes de sua trajetória junto com O Bando do Cão Sem Dono – grupo de poetas, instrumentistas e compositores reunidos em torno da gravação do CD Dinamite Pura, seu primeiro disco, lançado em Londrina (1994) e que fez carreira em São Paulo até o final dos anos 1990.

Foto: Aghate Max

Já o duo londrino de indie instrumental Tomaga – formado pelos multi-instrumentistas Valentina Magaletti (bateria, percussão e vibrafone) e Tom Relleen (baixo, vibrafone, percussão e eletrônicos) – toca pela primeira vez no Brasil no dia 29 de setembro, às 21 horas.

A sonoridade do Tomaga incorpora livremente estéticas do jazz, da música eletrônica, da industrial, improvisos e da psicodelia. Em atividade desde 2014, Valentina e Tom têm oito discos lançados, entre EPs, LPs e splits. O trabalho mais recente, Memory In Vivo Exposure, figura na lista de melhores álbuns do ano de 2017 pela revista Uncut.

No setlist, composições do novo disco como Memory in Vivo Exposure, Pt. 1 & 2, The Inexorable Sadness of Pencils, Fist to Fist e Il fiume di Ferro, além de músicas de trabalhos anteriores, entre elas: Tuscan Metalwork, A Perspective With No End, Days Like They Were Before, Greetings From The Bitter End, Liberating Mania e Futura Grotesk.

Foto: Karla Pessoa

E para fechar o final de semana com chave de outo, no dia 30 de setembro, às 18h, o carioca Thiago Amud faz show de lançamento de seu terceiro CD, O Cinema que o Sol Não Apaga. A apresentação tem participação da cantora e compositora paulistana Simone Guimarães e do violonista mineiro Nelson Ângelo.

O artista sobe ao palco em formato solo (violão e voz) para apresentar baiões, toadas, frevos e outros gêneros, revelando-se um compositor vanguardista que sempre valorizou a tradição musical popular brasileira. O repertório é calcado no novo disco, mas traz ainda algumas músicas dos discos anteriores e da convidada Simone Guimarães.

Após cinco anos sem lançar disco solo, Thiago Amud chega com O Cinema que o Sol Não Apaga(gravadora Rocinante), no qual assina arranjos e direção musical das 16 faixas autorais, sendo duas em parceria: Catirina Desejosa (com Edu Kneip) eBrasileia (com Guinga). As demais composições são: A Mais Bela Cena, Calunga e Sebastião, Do Político, Plano de Carreira, Autorretrete,Desmanhecido, O Teu Coração: Superfície de Marte, Tênias e Falenas, 2022, O Mundo Imaginal, Quando a Esquina Bifurca, Cinema Russo, Cantilena Alada e Nascença.

O Sesc Belenzinho fica na Rua Padre Adelino, 1000 - SP.

26 de setembro de 2018

Hamlet

Foto: João Gabriel Monteiro

Acostumada a processos que resultam na criação de uma dramaturgia própria, a Armazém Companhia de Teatro se volta agora para um outro tipo de processo, onde o que mais interessa é o seu posicionamento sobre a narrativa. Partindo da obra fundamental de Shakespeare, a ideia geral da companhia é encontrar um Hamlet do nosso tempo. Um Hamlet cheio de som e fúria. Não numa atualidade forçada, mas ressaltando aspectos da obra que dialogam com esse coquetel de conflitos contemporâneos que vemos todos os dias jorrando nas grandes cidades do mundo.

Na história, Hamlet é o príncipe da Dinamarca. Apenas um mês separa a morte repentina e inexplicável de seu pai  e o novo casamento de sua mãe. O príncipe tem visões de seu pai, que afirma que foi envenenado pelo irmão, e exige que Hamlet se vingue e mate o novo Rei (seu tio e padrasto). Hamlet se finge de louco para esconder seus planos, e vai perdendo o controle sobre sua própria realidade no meio deste processo. Ou seja, a invenção teatral do século XVI de um príncipe que fingia loucura e o espírito inflamado do nosso século entraram inevitavelmente em colisão. Já não há mais fingimento. A loucura de Hamlet tornou-se a loucura do mundo.

A história de Hamlet é a história da destruição de uma ordem estabelecida. Shakespeare representa a corte real dinamarquesa mergulhada em corrupção. Assassinato, traição, manipulação e sexualidade são as armas usadas na guerra para preservar o poder. No centro dessa história está Hamlet, um homem desesperadamente preocupado com a natureza da verdade, um homem notável que quer ser mais verdadeiro do que, provavelmente, é possível ser. E que exige do resto do mundo que sejam todos verdadeiros com ele. Mas é possível conhecer a si mesmo integralmente? É possível conhecer integralmente as pessoas a seu redor? Hamlet se fragmenta, nossa época o faz assim, um sujeito destrutivo, atormentado e letal.

“É importante tratar Shakespeare como se ele fosse um genial dramaturgo recém-descoberto com algumas coisas urgentes a dizer sobre a guerra, sobre a loucura do mundo e sobre nossos líderes políticos modernos”, comenta Paulo de Moraes que escreveu o roteiro das cenas antes de Maurício Arruda Mendonça fazer a tradução. “Maurício conseguiu uma poesia sem pompa, que comunica sem perder a beleza. E é grande mérito dos atores que essa poesia chegue rasgando, ela é língua, ela é corpo, ela é carne”, conclui o diretor.


A temporada inicia-se em 28/09 no Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho - que fica na Rua Vergueiro, 1.000, Paraíso, SP. As apresentações acontecem às sextas e sábados, às 21h, domingos, às 20h.


25 de setembro de 2018

Bester Quartet

Foto: Divulgação

Bester Quartet o quarteto de jazz formado por Jarek Bester no acordeão, Dawid Lubowicz no violino, Oleg Dyyak clarineta/percussão e Maciej Adamczakno contrabaixo é considerado um expoente grupo Klezmer – tradicional gênero musical judaico de raizes ”profanas”.
Os quatro instrumentistas fortalecem a marca registrada do quarteto, que é a execução musical de uma vasta amplitude estilística. Nela se assimila alguns elementos emprestados da música clássica, jazz e música de vanguarda, incluindo traços da música de câmara contemporânea, em que a improvisação constitui o fundamento para a construção de algumas linguagens instrumentais únicas.
O Bester Quartet realizou inúmeras gravações para televisão e rádio, e colaborou com diversos músicos de jazz, música klezmer e de vanguarda, como John Zorn, Tomasz Stanko, Grazyna Auguscik, John McLean, Don Byron, Frank London, Jorgos Skolias, Aaron Alexander, Ireneusz Socha, Tomasz Zietek e outros. O quarteto se apresentou em muitas casas prestigiosas ao redor do mundo, incluindo Polônia, Estados Unidos, Israel, Reino Unido, Taiwan, Rússia, República Tcheca, Eslováquia, Finlândia, Sérvia, Itália, Estônia, Espanha, França, Ucrânia, Belarus, Moldávia, Romênia, Hungria, Bulgária, Suécia, Suíça, Áustria, Bélgica, Holanda, Alemanha e Canadá.
O grupo mantém uma longa parceria com a Tzadik, selo de John Zorn baseado em Nova Iorque, que resultou no lançamento de 8 CDs até o momento: ‘De Profundis’, ‘The Warriors’, ‘Bereshit’, ‘Sanatorium under the Sign of the Hourglass’, Balan’, ‘Remembrance’, ‘Metamorphoses’, ‘The Golden Land’e ‘Krakoff’.
O concerto será no dia 26/09, às 21h no Sesc Consolação – Teatro Anchieta - que fica na Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, SP.

24 de setembro de 2018

Miz Tli Tlan


A proposta do livro "Miz Tli Tlan: Um mundo que desperta", de Trigueirinho, parece algo como ficção científica. Mas não é. Se hoje em dia, o conteúdo pode fugir à compreensão daqueles que ainda não despertaram, no final da década de 80, quando lançada a primeira edição da obra, poderia soar algo como surreal. "O que parece irracional e incrível neste mundo das três dimensões é realidade normal nos planos superiores de consciência." Miz Tli Tlan é algo que você nem imagina. Para saber você deve libertar sua mente do que é superficial e aprofundar dentro de si mesmo para chegar a essa divindade especial. É o tipo de livro para ler e reler inúmeras vezes, mesmo aos mais familiarizados quando o assunto é Universo, extraterrestres, população intraterrena, lei cósmica, lei evolutiva, ono-zone, tecnologia avançada, energia, hierarquias espirituais, purificação e o futuro do planeta Terra. Entre os principais temas tratados, está a grande transformação por que passam o ser humano terrestre e este planeta, bem como o significado e o propósito de tal mudança. O autor que faleceu na semana passada, José Hipólito Trigueirinho Netto foi roteirista, diretor e produtor cinematográfico, e desde o início dos anos 80 atuou como líder espiritual e filósofo espiritualista. Tem mais de 70 livros publicados, com mais de dois milhões de exemplares publicados em vários idiomas. Um livro que recomendo muito!