15 de maio de 2019

Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul

Foto: Divulgação

"Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul", do dramaturgo uruguaio Santiago Sanguinetti, ganha uma nova temporada gratuita no Teatro de Contêiner, entre 23 de maio e 2 de junho. O espetáculo apresenta de maneira tragicômica uma geração criada após a queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética, que é bombardeada cotidianamente pela publicidade e pelo imaginário capitalista, não conseguindo mais pensar em outras formas de relação ou existência que não sejam pela eliminação absoluta do outro e pela destruição.
Essas pessoas são violentadas constantemente pelo imaginário neoliberal e globalizado da cultura de massa norte-americana, que digere tudo à moda fast-food, mas que intui que algo em tudo isso não está bem, não faz sentido. Apesar disso, não consegue encontrar vias para se articular, fazer política ou sequer entender as referências de pensamento que encontra brevemente nas estantes de algumas bibliotecas.
Na trama, quatro amigos tentam organizar um atentado contra a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP). Os desencontros e a falta de sentido dessa e de tantas outras ações revelam a idiotização de nossos tempos e a necessidade de buscarmos e discutirmos algum imaginário possível sobre os ideais de revolução que permearam a América Latina nos anos de 1960 e 1970. O texto uruguaio foi adaptado pelo grupo para o contexto brasileiro em conjunto com o dramaturgo Santiago Sanguinetti.

13 de maio de 2019

Amanda


O drama francês "Amanda" é sensível, profundo e singelo. O roteiro é bem construído com reviravoltas assertivas e muita emoção em volta dos personagens. As questões atuais, como a dos ataques terroristas ocorridos na França nos últimos anos, aparecem no cotidiano como se objetivasse um diálogo entre a brutalidade e a delicadeza de um relacionamento construído a partir dele. Isaure Multrier cativa na atuação de seu personagem. A direção é afetiva e bastante criativa. Na narrativa, um homem de 20 anos vive adiando o tempo para tomar decisões mais sérias. Este sonhador solitário sucumbe ao encanto de uma vizinha recém-chegada. Porém, o ritmo descontraído de sua vida aumenta a sua velocidade quando sua irmã mais velha é brutalmente morta em um ataque. Agora, ele deve se encarregar de sua sobrinha de sete anos, Amanda. O filme é um dos selecionados para a 42ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Assista o trailer!

10 de maio de 2019

A Vida Útil de Todas as Coisas

Foto: Heloísa Bortz

Figura de destaque na cena teatral paulista atual, o diretor e dramaturgo Kiko Rieser estreia a distopia "A Vida Útil de Todas as Coisas" em 23 de maio na Oficina Cultural Oswald de Andrade, onde segue em cartaz até 15 de junho. Em seguida, o espetáculo tem uma curta temporada no Teatro do Núcleo Experimental, entre os dias 21 de junho e 21 de julho. O elenco é formado por Eduardo Semerjian, João Bourbonnais, Louise Helène e Luciana Ramanzini.
Em uma ficção que pode ser lida como um futuro distópico ou um realismo fantástico situado nos dias de hoje, o pai de uma família comum constata que seu próprio pai está com problemas de memória, e procura uma assistência técnica para tratá-lo. Nesse lugar, o idoso recebe o diagnóstico de que não há mais conserto ou troca para seu cérebro, portanto, seu fim está próximo. A indústria de órgãos biônicos – sempre programados para durarem pouco e serem substituídos por modelos mais novos – ainda não conseguiu criar um cérebro artificial, único órgão impossível de trocar.
Como alternativa ao problema, a loja oferece a substituição do idoso por uma máquina com aparência humana. Indignado, o protagonista rejeita a possibilidade e passa a lutar contra o comércio de substituição de pessoas por máquinas, vendo nisso um objetivo para sua vida, até então banal e rotineira. No entanto, nem sua própria filha nem mesmo seu pai aderem a essa campanha, e ele percebe que a sociedade não está interessada nos valores que ele tenta defender.
A encenação parte dessa situação para propor uma discussão sobre os limites entre o público e o privado, um tema cada vez mais atual. Em um tempo em que não há individualidades e identidades, apenas pessoas úteis a tais ou quais propósitos socialmente designados, não pode haver respeito à privacidade, já que tudo e todos devem servir ao sistema do qual fazem parte.

8 de maio de 2019

Yuri Marchese e Taíssa Poliakova-Cunha

 
Foto: Gustavo Rampini

No dia 18 de maio, às 20h, o Centro de Música Brasileira homenageia o compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959) no Centro Brasileiro Britânico em Pinheiros. Primeiro apresenta-se o violonista Yuri Marchese e depois a pianista portuguesa Taíssa Poliakova-Cunha. A série de apresentações do projeto é gratuita.

Nascida em Lisboa, Taíssa Poliakova-Cunha é Mestre em Música pela Universidade de Aveiro (Portugal). Chegou no Brasil em 2017, realizando recitais e tocando com orquestras de Londrina.

Já Yuri Marchese é brasileiro e Mestre em Música pela Universidade de Aveiro (Portugal). Conquistou diversos prêmios, com destaque para o 1º Lugar no IX Concurso Jovens Músicos-Música no Museu (RJ, 2017), 1º Lugar no Concurso Internacional de Leiria (Portugal, 2017) e 1º lugar no VII concurso FITO (SP, 2012).

6 de maio de 2019

Depois Daquela Viagem

Foto: Pedro J. Duarte

O espetáculo juvenil "Depois Daquela Viagem", inspirado no romance autobiográfico de Valéria Pollizi, segue em cartaz no Teatro Viradalata até 2 de junho. Dirigida por Abigail Wimer, a peça é uma adaptação do crítico teatral e dramaturgo Dib Carneiro Neto e traz no elenco Bruna Luisa, Eduardo Lousada, Eliot Tosta, Naiara de Castro, Maria Bia, Tati Mayumi e Vini Hideki.

A trama apresenta a história de Valéria, que contraiu o vírus HIV ainda na adolescência, depois de uma relação sexual sem preservativo com o namorado. A montagem mostra como a protagonista precisou aprender a conviver com o vírus. A partir da descoberta do HIV, a peça se torna não linear, os sonhos se desestruturam e a narrativa se fragmenta. A ideia é propor com naturalidade, delicadeza e seriedade, uma reflexão sobre o despertar da sexualidade e o preconceito.

A dramaturgia de Dib Carneiro Neto tem como proposta intercalar presente, passado e futuro, dando um ritmo dinâmico para a estrutura do espetáculo. A estética da montagem propõe diálogos cotidianos que convivem com os monólogos simbólicos. Constrói uma relação entre plano real e plano imaginário.

O espetáculo intercala drama e humor, dimensões do cotidiano e do simbólico propondo uma reflexão sobre o preconceito e a sexualidade. São temas da encenação a essência humana, os sonhos, os desafios, o irreversível, a amizade, a aceitação, a superação e o amor.

“Quando dirigi a primeira montagem de Depois Daquela Viagem no Sesc Consolação, a minha questão era: criar uma direção com a qual o jovem se identificasse e pudesse fortalecer a sua adolescência e sua juventude através desse assunto tão delicado, que é sexualidade e o HIV. E isso foi alcançado. O público riu, se emocionou e aplaudiu de pé. Nesta segunda montagem, acentuamos ainda mais a dinâmica do espetáculo para o entendimento dos muitos papéis que vivemos em nossa vida. Buscamos fortalecer o poder inerente ao jovem, para enfrentar a complexidade da sociedade da sua época. O espetáculo está mais maduro e mais íntimo”, revela a diretora Abigail Wimer.

3 de maio de 2019

A Quarta Parede


O longa-metragem “A Quarta Parede” estreia no dia 9 de maio. Dirigido por Hudson Senna e produzido pela Labuta Filmes, o filme tem roteiro assinado por Bruno Autran, e, Rodrigo Trevisan Siqueira na produção. “A Quarta Parede” marca a estreia de Hudson Senna na direção de longas.

Na sinopse, Teo é um jovem e talentoso ator, membro de uma companhia de teatro que está prestes a encenar “Entre Quatro Paredes”, de Jean Paul Sartre. No processo de escolha do elenco, o diretor utiliza de critérios duvidosos para selecionar os protagonistas - popularidade nas redes sociais – e o rapaz acaba ficando de fora da montagem. Sentindo-se injustiçado, Teo decide fazer sua própria performance a fim de provar que o “inferno são os outros”, máxima da obra de Sartre. Para tal, o rapaz enxerga nas redes sociais, uma ferramenta poderosa para manipular todo o grupo. Quando um dos integrantes da companhia comete suicídio, Teo percebe que o plano fugira de seu controle.

1 de maio de 2019

A Desumanização


De 10 de maio a 30 de junho próximo, o Sesc Santana apresenta a peça “A Desumanização”, adaptação inédita no Brasil do livro homônimo do premiado autor português Valter Hugo Mãe. O espetáculo tem direção de José Roberto Jardim e conta, no elenco, com as atrizes Fernanda Nobre e Maria Helena Chira.

A peça retrata poeticamente a busca da identidade e da integridade de uma mulher em luta íntima para encontrar o espaço de sua existência em contraponto à perda de sua irmã gêmea, analogicamente, seu espelho. Sigridur falece e sua irmã gêmea, Halla, começa a sentir a solidão e as incertezas da vida sem seu "espelho". Com 12 anos de idade e morando com pai e mãe, brotam pensamentos perturbadores em sua mente infantil, que jura sentir a terra sobre seu corpo, exatamente como deveria estar sentindo a irmã morta e enterrada.

Nesse cenário, Halla inicia uma busca por sua identidade ao mesmo tempo em que o mundo lhe descortina os sentimentos em torno do luto, da solidão, do desamparo e vai lhe revelando uma vida real com menos ilusões e fantasias pueris.

Em 15 de junho, ainda sem confirmação de horário, Valter Hugo Mãe é aguardado para um bate-papo com o público, diretor, elenco e Fernando Paz (responsável pela adaptação) sobre essa inédita adaptação de seu romance para os palcos brasileiros.