9 de agosto de 2019

A Rainha do Rádio

Foto: Donatella Macola

Premiado no 13º Festival Iberoamericano de Teatro Mar Del Plata, na Argentina, o solo "A Rainha do Rádio", de José Saffioti Filho, ganha uma temporada no Teatro Raposo Shopping, a partir de hoje até o dia 30 de agosto. A peça é protagonizada e idealizada pela atriz Mari Feil, tem direção de Gil Guzzo, figurinos de José Henrique Beirão, iluminação de Irani Apolinário e preparação vocal de Mônica Montenegro.
Ambientada em 1974, em plena ditadura militar brasileira, tempo de repressão aos meios de comunicação e às manifestações artísticas, a peça conta sobre a radialista Adelaide Fontana, que comandava o programa “Suspiros ao meio-dia” e foi demitida após 25 anos de casa. Ela resolve invadir e trancar o estúdio da Rádio Esperança para fazer um programa especial, no qual revela aos ouvintes, com humor e ironia, os reais motivos de sua saída: os baixos índices de audiência.
Nesse programava, veiculado à meia-noite, em contraponto com o horário anterior, Adelaide fala como bem entende sobre as alegrias e mazelas da sua vida, além de desafiar os poderosos da cidade, contando seus “podres” e apontando a hipocrisia que a cercava de forma irônica e divertida. O espetáculo discute os limites impostos às mulheres, principalmente às que ousavam desafiar o autoritarismo da época.
Escrita em 1976, a peça teve diversas montagens no Brasil e no exterior. A estreia foi no mesmo ano em São Paulo, com atuação de Cleyde Yaconis e direção de Antonio Abujamura, e devido à censura, a parte política precisou ser cortada. Em 1981, chegou às telonas com o diretor Luís Fernando Goulart e os atores Beyla Genauer e Paulo Guarnieri. "Dirigir um espetáculo que tem um lugar importante na história do teatro é um grande privilégio. Porque ele foi escrito e encenado pela primeira vez num Brasil ainda dominado pelos militares e continua absolutamente atual trazendo à tona assuntos que ainda e cada vez mais precisam ser discutidos. E também porque é um texto forte que coloca toda e qualquer discussão num nível acima do senso comum", ressalta o diretor Gil Guzzo.

8 de agosto de 2019

Criatura, Uma Autópsia

Foto: Danilo Apoena

A atriz e dramaturga Bruna Longo estreia seu solo "Criatura, Uma Autópsia" em uma curta temporada na Oficina Cultural Oswald de Andrade, entre 9 e 31 de agosto. O espetáculo fricciona o clássico da literatura “Frankenstein, ou O Prometeu Moderno”, da inglesa Mary Shelley (1797-1851), com a vida da própria autora.
A primeira ideia para montar esse trabalho surgiu em 2017, quando Bruna decidiu inicialmente adaptar o clássico para o palco a partir do ponto de vista da criatura. Em fevereiro de 2018, a atriz e a colaboradora artística Larissa Matheus começaram a ensaiar e a buscar pontos de fricção entre o romance e a vida de Shelley.
Naquele mesmo ano, enquanto tratava com a Universidade de Oxford, na Inglaterra, para conhecer os documentos originais de Mary Shelley e sua família, Bruna foi convidada pela Bodleian Libraries e pelo curador Stephen Hebron para ter acesso aos diários, cartas e manuscritos originais da escritora, o que geralmente é concedido apenas a pesquisadores. Na viagem, ela também visitou todos os lugares relevantes à vida da autora em Londres e Bournemouth, onde está o túmulo da família. Além disso, teve acesso a outros documentos na British Library.
A versão final da dramaturgia, escrita na volta ao Brasil, não se propõe a criar uma biografia de Mary Shelley e tampouco da criatura de seu romance. É como uma autópsia de um romance e de personagem revelando as entranhas, artérias, musculatura de dores pessoais e universais. O “marcador” para a dramaturgia é a morte, tema bastante presente na vida da escritora britânica desde o seu nascimento – a mãe dela, por exemplo, morreu dez dias depois de ter dado à luz a ela. Cada morte da vida de Mary é como um pedaço desse grande cadáver que é reanimado no espetáculo.
As duas narrativas – da vida e da obra – surgem paralelas por meio de partituras físicas. No primeiro ato, Mary e Victor dividem o mesmo corpo – da coleta de materiais no cemitério à feitura da criatura –, como um paralelo às inspirações que deram gatilho aos temas da obra. No segundo, a criatura e o romance nascem, e acompanhamos Mary-Criatura explorando as sensações desse pós-parto violento e o mundo ao redor. 

7 de agosto de 2019

Auto da Compadecida

Foto: Tati Motta

Estreia seu novo espetáculo Auto da Compadecida de Ariano Suassuna com temporada no Sesc Pompeia, de 8 de agosto a 1º de setembro, de quinta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 18h.
Inspirado na abordagem mítica brasileira do herói sem caráter, com suas vicissitudes morais, e no momento político-social atual do país, o Maria Cutia narra as aventuras picarescas de João Grilo e Chicó que começam com o enterro e o testamento do cachorro do Padeiro e de sua Mulher e acabam em uma epopeia milagrosa no sertão envolvendo o clero, o cangaço, Jesus, Maria e o Diabo.
Nessa versão de Auto da Compadecida, o grupo dialoga com a estética barroca de Gabriel Villela e traz para o texto de Suassuna pitadas brechtianas. Com tom irônico, o trabalho pode ser enquadrado no gênero cênico-musical-picaresco. O olhar político (sem didatismo ou partidarismo) do espetáculo, desprendido do enredo criado pelo célebre autor paraibano, traz outra camada para a obra de Ariano, revelando acontecimentos de um Brasil atual, a partir de personagens e situações que ganham acento ainda mais sarcástico do que os encontrados na dramaturgia original.

6 de agosto de 2019

Fronteira

Foto: João Caldas Filho

Duas mulheres, interpretadas por Tathiana Botth e Thaís Rossi, estão em uma zona fronteiriça e vivem um dilema: enquanto uma quer cruzar para o outro lado, a outra controla a passagem das pessoas entre os dois territórios. Esta é a premissa de “Fronteira”, o novo espetáculo da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico, que fica em cartaz no auditório do Sesc Pinheiros entre 8 de agosto e 7 de setembro, com sessões de quinta a sábado, às 20h30, e no feriado, às 18h. 

Com esta peça, o grupo expande a pesquisa sobre deslocamentos humanos iniciada em “Diásporas”, espetáculo de 2017, com 45 atores em cena, que abordava o tema sob um ponto de vista macro.  Agora, a ideia é tratar dessa temática a partir da relação entre apenas duas personagens, investigando os múltiplos significados implícitos no conceito de “fronteira”. “Geralmente, discutimos essa noção sob uma ótica negativa evocada pela geopolítica, como algo que separa as pessoas e limita a sua liberdade de ir e vir. No entanto, também é possível interpretá-la como algo capaz de preservar a diversidade, uma vez que um indivíduo só existe diante da presença do outro. Se eliminássemos completamente as barreiras e diferenças entre as pessoas, correríamos o risco de uma grande padronização de costumes e modos de vida – o aspecto crítico da globalização. De certa maneira, se preservássemos algumas fronteiras, sem limitar a liberdade, os indivíduos manteriam suas identidades e conseguiriam dialogar e fazer trocas genuínas entre si”, comenta o diretor Marcelo Lazzaratto.
A dramaturgia da premiada Carla Kinzo apresenta o cotidiano dessas figuras sem nome, presas a um presente imutável, reforçado por uma burocracia paralisante. Sobreviventes em meio a um território em ruínas, elas precisam uma da outra para ressignificar essa nova realidade, sem deixar ruir a fronteira interpessoal que existe.

5 de agosto de 2019

Luiz-Ottavio Faria & Amigos Gala Lírica Concert

Foto: Devon Cass

Dia 7 de agosto, às 20h, acontece o Luiz-Ottavio Faria & Amigos Gala Lírica Concert no Teatro Sérgio Cardoso. Ao piano e na direção musical, o maestro Anderson Brenner. São seis amigos do cantor: as sopranos Eliseth Gomes e Laryssa Alvarazi, a mezzo-soprano, Elaine Martorano, o tenor Richard Bauer,o barítono David Marcondes e o baixo Matheus França. Eles vão interpretar árias, duetos, trios de quartetos de Puccini, Verdi, Bellini, Cole Porter, Gershwin, Giordano, Nepomuceno, Rossini, Saint-Saëns, Boito, entre outros. O baixo Luiz-Ottavio Faria é brasileiro, radicado nos Estados Unidos. Será uma rara oportunidade de ver interpretar tantas obras consagradas.

2 de agosto de 2019

O Aquário

Foto: Divulgação

O Aquário, adaptação teatral do romance L’Aquarium, da autora suíça Cornélia de Preux é uma reflexão sobre a necessidade de se encaixar num padrão vigente. Peça dirigida por Cássio Brasil e idealizada em parceria com Reto Melchior. No elenco estão Fabiana Gugli, Luiza Curvo, Luisa Micheletti e Robson Catalunha.

A partir de uma notícia de jornal, a autora do romance construiu uma fábula contemporânea, um mapa das armadilhas do mundo atual. Seu romance de estreia logo será lançado no Brasil numa versão bilíngue pela LF Publicações.

Num almoço de domingo de Ramos, no jardim de um condomínio, o pai de uma família de classe média anuncia, para a surpresa dos vizinhos e da sua esposa e dos três filhos, que passarão as férias nas Ilhas Fiji. O entusiasmo da viagem vai desmoronando com a dificuldade econômica em que se encontram, porém, para manter as aparências, o pai os obriga a se trancarem no porão de casa, completamente isolados do mundo, por duas semanas, simulando a viagem que fariam. Presos pelas exigências de uma sociedade baseada no consumo, onde a figura do pai é vítima e algoz dessa obsessão. Ele e sua família possuem tanta liberdade quanto os peixes em seu aquário, hobby das poucas horas vagas deste profissional liberal.

“A atmosfera original e os diálogos presentes no romance apresentam vocação natural para a cena. O pai vive o os efeitos da terceirização do trabalho contemporâneo, a mãe o subemprego, os filhos estudam em boas escolas, uma família vítima do sucateamento das relações sociais”, diz Cássio.

A peça estreia na Oficina Cultural Oswald de Andrade de 05 a 17 de agosto - Segunda a sexta 20h (apresentação); 21h (discussões) Sábado 16h (apresentação); 17h (discussão). Na segunda-feira, 12/08/2019, haverá a presença da autora na apresentação com coquetel de abertura oferecido pelo Consulado Geral da Suíça após a apresentação.

1 de agosto de 2019

Inferno de Nós

Foto: Acervo pessoal

Os artistas visuais Angela Fernandes & Fabio Benetti inauguram a exposição conjunta "Inferno de Nós", no dia 3 de agosto, na Passagem Literária da Consolação, às 16 horas. A mostra - que fica em cartaz até o dia 4 de outubro - tem curadoria assinada por Iago Calegari.

A visitação é livre, sem cobrança de ingressos, uma ótima oportunidade de conhecer o inusitado espaço cultural subterrâneo que fica na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação.

Inferno de Nós reúne 14 obras que, segundo o curador, buscam expor o complexo diálogo entre os dois artistas: embora apresentem diferentes polarizações, não são expressões contrárias. O ponto de interseção está na reflexão, na tênue linha entre o internar de Angela e o externar de Fabio.

“O diálogo entre as obras de Angela Fernandes e Fabio Benetti firma-se num processo contínuo de alternância entre superfície e substância, evocando à volatilidade existencial e às manifestações dos sentimentos e sofrimentos que por vezes tomam o outro como oposição, inimigo, e acabam por voltarem a si, aos infernos com que lidamos todos os dias, infernos internos, infernos externos, infernos outros e os mesmos”, comenta o curador.

A arte de Angela Fernandes leva à reflexão interna, provoca o expectador a pensar com um trabalho de óleo sobre tela carregado de sensações. Sua obra nasce de um sentimento e parte para o subconsciente sem ser totalmente abstrata. As obras de Fábio Benetti (foto) exploram de forma crítica as sensações externas (políticas, sociais, morais, econômicas) e fazem refletir sobre o que somos e sobre as agruras do viver em sociedade. Em suas criações ele usa técnica mista de material reciclado, retirado do lixo, com pigmentos.