16 de janeiro de 2010

Sylvia

Do ano de 2003, o filme Sylvia nos conta a história da poetisa, romancista e contista norte-americana Sylvia Plath. Ela que fora casada com o poeta britânico Ted Hughes fica atormentada com tal relação amorosa, seja pelo talento, ambição ou sucesso do marido. Nos primeiros anos deste casamento, Sylvia não tem inspiração e cada vez mais sente a infidelidade do marido. A personagem, independente do filme ser uma biografia, drama ou romance, é profunda e real, tendo sua depressão agravada por seu marido mulherengo. É somente no final, quando eles estão separados, que Sylvia é verdadeiramente capaz de explorar as profundezas escuras da sua alma e escrever brilhantemente... A partir daí rendendo-lhe a fama que a tornou tão conhecida no mundo. O filme além de brilhante, é natural. Para quem gosta do gênero, imperdível!


15 de janeiro de 2010

El Orfanato - The Orphanage

É um filme de terror com boa dosagem de suspense, mas que tem uma história mais próxima ao real, se é que podemos falar isso dos filmes de terror. Uma órfã e mãe obstinada, um filho que também é órfão, mas com data marcada para morrer e um pai controverso com uma dosagem de fé, mas descredulo e alheios a acontecimentos de alma. Os personagens são bem trabalhados e o roteiro impecável. Do meio para o fim, o filme é bem mais interessante.

Laura passou os anos mais felizes de sua infância num orfanato à beira mar com seus companheiros órfãos, que ela amava como irmãos e irmãs. Trinta anos depois, ela retorna com seu marido Carlos, e Simon, seu filho de 7 anos, com um sonho de restaurar e reabrir o orfanato há muito abandonado como um lar para crianças deficientes. O novo lar e a sua envolvente misteriosa despertam a imaginação de Simon e o rapaz começa a contar um emaranhado de contos fantásticos e não tão inocentes jogos ... Memórias profundamente inquietantes da sua própria infância podem estar escondidos à espreita na casa antiga, algo que espera emergir e infligir danos horríveis na família de Laura. Um pouco deste universo, você pode sentir no trailer em seguida...

8 de janeiro de 2010

Kolya


Quando você encontra Kolya pela primeira vez na tela, é paixão imediata. Mas o filme tem uma doçura e candura bem particular. Ele é gentil e ao mesmo tempo lindo. Gentil porque traz à tela situações banais do dia-a-dia, mas que faz a mágica na grande tela. Lindo porque ele é simples, mas de uma verdade absoluta que só as almas especiais conseguem tocá-la. Franta Louka é um violoncelista na soviética da Checoslováquia. Um solteirão convicto. Quando perdeu o seu lugar na orquestra do estado, passou a tocar em funerais, mas como tinha acumulado uma grande dívida, acabou se casando por dinheiro com uma russa, por sugestão do seu amigo coveiro Mr. Broz, para que ela pudesse receber seus papéis de Checa. Relutantemente, Franta acaba concordando. A Checa aproveita a situação para emigrar para a Alemanha Ocidental, junto ao seu amante, e deixa seu filho de cinco anos de idade com sua avó. Quando a avó morre, Kolya tem que ir morar com Franta, seu padrasto, oficialmente.

6 de janeiro de 2010

Fiona


É um filme realista, jamais romantiza o assunto que trata. De tão realista é capaz de deixar algumas pessoas depressivas (uma amiga minha pode me jurar isso), mas ele mostra a dura realidade da prostituição sem capas ou maquilagens. Tanto é que usa verdadeiras prostitutas na película. Muito interessante! E você não precisa ser muito “advinha” ou expert em prostituição para saber quem é atriz e quem é puta, está na cara. Fiona é um personagem forte e muito bem interpretado por Anna Thomson. A linguagem visual é um pouco suja, mas faz parte da proposta do filme. A história de Fiona e sua mãe é dividida em oito capítulos. Fiona é abandonada aos seis meses de idade, criados em lares adotivos ela é abusada. Nossa heroina tem uma queda de amor por outras mulheres e ao se envolver com um assassinato de policiais, é obrigada a se esconder em uma casa de crack, e, então, decide deixar a cidade. Nós vemos a mãe, uma prostituta e também usuária de drogas, ocasionalmente falar sobre sua filha perdida. Mas um dia a vida proporciona este reencontro.

4 de janeiro de 2010

Aquarela

Aquarela é uma animação gostosa, mas também com a trilha homônima de Toquinho, Vinicius, Morra e Fabrizio, é fácil de se trabalhar pois a letra é maravilhosa. O filme faz uma metáfora entre a vida, do nascimento à morte, e uma pintura de aquarela que, com o tempo, descolore. Linda metáfora, diria!




Prêmios
Liv Ullman Peace Prize no Chicago International Kids 2003
2º Lugar Júri Popular - Melhor Animação Infantil no Anima Mundi 2003

Festivais
Carrousel International du film de Rimouski 2004
Festival de Gramado 2003
Mostra Ano Brasil na França 2005
Cine PE 2003

3 de janeiro de 2010

Jules e Jim


Quer ler um bom livro e ver um bom filme? Então, o nome é Jules e Jim. No livro encontramos além do romance (que baseou o filme), o roteiro para quem se interessar. Não é um roteiro atual, mas está valendo para checar até como foi feita tal adaptação para o cinema. A história? Bem... Dois homens dispostos a propiciar felicidade um ao outro, inclusive partilhando o amor pela mesma mulher. Na virada do século XX, Jules (Oskar Werner) e Jim (Henri Serre) são dois grandes amigos em perpétua comunhão que nem a 1ª Guerra Mundial, em que lutam em lados opostos, consegue destruir. No meio dos dois está a bela Catherine (Jeanne Moreau). Convenções sociais à parte, a obra é mais intrigante ainda se pensarmos que foi escrita em 1955. Se para os padrões de hoje isso soa incomun, imaginem para os daquela época. Mas o filme e livro são sonoridades pura, a começar pelo título da obra que foi escrita pelo jornalista, crítico de arte e marchand Henri-Pierre Roché (1879-1959) e filmado pelo cineasta François Truffaut (1936-1984), mesmo do filme Os incompreendidos. Arriscaria em dizer que talvez Jules e Jim seja um dos filmes mais conhecidos da Nouvelle Vague Francesa, então, para os amantes do cinema, é uma indicação obrigatória. O filme é leve e bem humorado. Veja o trailer...



1 de janeiro de 2010

O ano em que meus pais saíram de férias


Que tal começar o ano fazendo uma análise no passado? O ano em que meus pais saíram de férias (The year my parents went on vacation) é um filme que fala com suavidade da década de 70 em plena ditadura. É uma poesia para a política e o futebol de Pelé, mas, antes de tudo trata-se da sensibilidade e de uma alma de verdadeiro menino à espera por seus pais. Mauro (Michel Joelsas) é um garoto mineiro de 12 anos, que adora futebol e jogo de botão. Um dia sua vida muda completamente, já que seus pais saem de férias de forma inesperada e sem motivo aparente para ele. Na verdade os pais de Mauro foram obrigados a fugir por serem de esquerda e serem perseguidos pela ditadura, tendo que deixá-lo com o avô paterno (Paulo Autran). Mauro é pego de surpresa ao chegar na casa do avô e saber que ele morreu. O garoto tem que ficar com Shlomo (Germano Haiut), um velho judeu solitário que é seu vizinho. Enquanto aguarda um telefonema dos pais, Mauro precisa lidar com sua nova realidade ao acompanhar o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo. O filme mostra uma São Paulo acolhedora numa diversidade de culturas tão distintas, mas, ao mesmo tempo tão unidas. Michel Joelsas é cativante em sua atuação. O filme é fantástico e tem todos os elementos para prender o espectador do inicio ao fim. Também foi muito bem dirigido. Uma boa pedida para começar o ano refletindo um passado que completa quarenta anos.