26 de outubro de 2016

OVONO

Foto: Bernardo Galegale

Reconhecido por montagens ousadas e inusitadas, o artista multimídia Ricardo Karman estreia, no dia 5 de novembro, às 20 horas, seu novo espetáculo OVONO no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde permanece em cartaz até o dia 12 de dezembro. Ensaios abertos (grátis) acontecem nos dias 29, 30 e 31 de outubro, sábado e segunda, às 20 horas, e domingo, às 19 horas. A montagem é uma aventura de ficção científica, satírica e filosófica, na qual um gigantesco osso vindo do espaço está prestes a destruir a Terra. A única esperança do planeta é Ovono, o mais perfeito cérebro artificial já criado, mas esta “máquina” está aprendendo a pensar – a ter sentimentos – e pode não estar preparada para a difícil missão de destruir o objeto ameaçador e salvar a humanidade. 

Foto: Ricardo Karman

Além de Ricardo Karman (texto, direção e cenografia), a ficha técnica traz Amir Admoni na direção de animação e vídeo,Tito Sabatini como diretor de projeto multimídia, José de Anchieta no figurino, Domingos Quintiliano na iluminação e Otávio Donasci em projeto e consultoria de inflável. O elenco é formado por Gustavo Vaz, Paula Arruda, Paula Spinelli, Fábio Herford, Bruno Ribeiro e César Brasil. O enredo discute a ambição pelo progresso tecnológico no decorrer da evolução da civilização. Com uma linguagem multimídia inusitada a encenação ousa em técnicas de vídeo maping com projeções em suportes esféricos e infláveis (seres e imagens criadas digitalmente). Ricardo Karman e a Kompanhia do Centro da Terra levam para o teatro uma reflexão fundamental sobre os rumos do progresso e o ônus do desenvolvimentismo irrefreável em nossa época. OVONO é híbrido de teatro, mímica, vídeo e animação computadorizada: as personagens interagem com animações digitais, criando uma dinâmica cênica que mistura o real e o virtual - linha mestra da pesquisa de 27 anos da Kompanhia. A criação de Karman foi inspirada, de forma irônica, na corrida espacial dos anos 60 e 70, em filmes de ficção científica como2001 - Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968) e no livro de Gênesis (Bíblia). O osso arremessado para o alto por um macaco (no filme) como alusão ao brilhante futuro da raça humana, marca a utopia do final do século XX. Para Ricardo Karman “o desafio em OVONO é manter a ‘simplicidade’ teatral sem deixar transparecer o inerente rigor técnico e a sofisticação eletrônica para que a história tenha um curso natural e envolvente, diante de uma dramaturgia que assume meios digitais de comunicação como ponte para a estética contemporânea”. Ele ainda explica o significado do título: “ovon-o” remete a novo, a grafia é o contrário de “o-novo”. Prestigie o que é nosso!

25 de outubro de 2016

Interruption


A película grega, francesa e croata Interruption ou Interrupção (2015) não empolga. O roteiro é monótono e enfadonho, contudo, a direção tem uma estética visual interessante. A ideia original, apesar de estranha, tem certo fascínio. A história em si tenta se equilibrar numa linha tênue entre o sacal e o maçante. A fotografia também não surpreende. Na narrativa, uma adaptação pós-moderna de uma tragédia grega clássica ocorre em um teatro no centro de Atenas. O público toma seus lugares e o espetáculo começa. De repente, as luzes se apagam. Alguns jovens, vestidos de preto e armados, sobem ao palco, pedem desculpas pela interrupção e convidam a plateia a se juntar a eles. As pessoas são cativadas pela ambivalência da situação, sem saber se o que está acontecendo faz parte da peça ou não. A encenação continua com uma importante diferença: a vida imita a arte e, não, o contrário. A película faz parte da 40ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Assista o trailer!


24 de outubro de 2016

Arte e ciência de roubar galinha


Pelo menos uma vez na vida, todo leitor deveria ler João Ubaldo Ribeiro e de quebra o livro Arte e ciência de roubar galinha. De frases e letras simples e claras, o autor em sua suprema inteligência faz de uma história banal a elaboração mais contundente de inteligência singular ao nos apresentar personagens pra lá de cativantes, engraçados e peculiares. O riso sai fácil das entrelinhas até chegar aos lábios dos mais desavisados com muita sutileza, verdade e espirituosidade. Os diálogos são célebres e genuinamente baiano com uso de expressões locais pra lá de instigante. Na narrativa, o livro traz algumas das melhores crônicas do autor, publicadas na imprensa, em torno da ilha de Itaparica. É assim que ele descortina para o leitor as suas memórias de infância e juventude, o seu dia-a-dia na ilha, os caos e conversas com personagens locais, representantes reais da gente brasileira. Primoroso! Vale à pena ler.

21 de outubro de 2016

Patchwork


Bem dirigida, a animação Patchwork (2014) tem uma história surpreendente com sólidos pontos de virada e uma trilha sonora que exala certa sensualidade. Na narrativa, Adam perdeu sua amada, e sua inspiração criativa morreu naquele dia. Determinado a recuperá-la, ele marca encontros rápidos em um café local. Excelente final!



20 de outubro de 2016

The Gift


A animação The Gift é simples em seus traços, mas a história em si é encantadora, sólida e cativa pela sua essência. Há muitos aprendizados nela e, com toda certeza, é o espelho de qualquer relação a dois. A trilha sonora é assertiva. Na narrativa, a história de um doce casal que vê o amor se desfazendo com o tempo por não saberem compartilharem suas vidas, desejos e expectativas. Mas sempre há uma reviravolta inesperada. Assista-o!

19 de outubro de 2016

Theresinha


O espetáculo Theresinha foi concebido a partir dos escritos autobiográficos e poéticos da jovem francesa Thérèse de Lisieux (1873-1897), freira carmelita descalça, canonizada em tempo recorde pela Igreja Católica. No Brasil, é popularmente conhecida como Santa Teresinha do Menino Jesus. A peça reestreia no dia 6 de novembro, às 18 horas no Teatro do Mosteiro de São Bento de São Paulo. Um luxo! A montagem faz uma radiografia do dilema do homem moderno – o conflito entre a razão e a fé, na pele de Theresinha, não privilegiando a dimensão puramente religiosa, mas a dimensão humana dessa jovem mulher que virou santa, e que, no final do séc. XIX, vivenciou as questões e contradições que marcariam o séc. XX e a pós-modernidade. A encenação de Helder Mariani apresenta a personagem através de uma jovem atriz, sozinha. A atriz conduz a plateia até o século XIX, na França, e nos traz a jovem freira, sozinha; ambas diante do mesmo vazio. Essas duas jovens mulheres de épocas tão diferentes têm em comum a ânsia da busca pelo sentido da existência humana e o desejo compulsivo de transformar a realidade vazia de sentido. São buscas humanas num tempo onde um racionalismo exacerbado e prepotente domina – e já dominava no XIX - nossas cabeças. No palco despojado, a atriz conta apenas com seus próprios recursos físicos e vocais. A encenação de Theresinha é despida de qualquer cenografia. Gabriela Cerqueira dispõe somente de um singelo e pequeno banco de madeira para revelar o temperamento intrigante desta jovem que viveu apenas 24 anos, e que hoje é considerada uma das “santas” mais influentes da modernidade. O Teatro do Mosteiro de São Bento de São Paulo fica no Largo de São Bento, s/n. Centro/SP. Metrô São Bento. Vale à pena conferir!

18 de outubro de 2016

O Santo Dialético



O espetáculo O Santo Dialético surpreende do inicio ao final. A começar pela proposta do todo, não só da cênica em si, mas do conceito do espetáculo. Ele é diferente e nos transporta para uma experiência e não apenas ficamos inertes assistindo a uma história. Aliás, a história do espetáculo é forte, tem um texto preciso e, ao mesmo tempo, transmite uma beleza e, por vezes, uma leveza natural sobre o tema. Convence! A encenação é dinâmica e original. Também nos deparamos com belíssimas atuações. Um show de talentos! Quem gosta de teatro, precisa ter em O Santo Dialético uma parada obrigatória. Para saber mais sobre o espetáculo e assistir ao teaser, entre neste link e divirta-se. Vale à pena!