11 de junho de 2019

Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã

Foto: João Caldas Filho

Com direção de André Garolli, o espetáculo "Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã" narra a história de duas mulheres, Heloneida e Geni, que foram condenadas à prisão perpétua. De origens e crimes diferentes, se conheceram atrás das grades e tornaram-se amigas para sobreviverem. A desorientação delas em relação ao tempo e espaço é evidente. Reveem suas vidas interrompidas transitando entre a loucura e a razão. Estão presas numa cela de prisão, num manicômio, purgatório, inferno ou na mente delas?
Com humor e sensibilidade, o autor Antônio Bivar expõe o espírito do Brasil e os valores dos anos 60, inspirado pela linguagem do teatro do absurdo, pelo existencialismo e pela metateatralidade. Elenco desta montagem é formado por Angela Figueiredo, Fernanda Cunha e Fernando Fecchio.
    
"Abre a Janela e Deixa Entrar o Ar Puro e o Sol da Manhã" ganha uma nova temporada na SP Escola de Teatro, entre 14 de junho e 1º de julho, com apresentações às sextas, aos sábados e às segunda, às 21h, e aos domingos, às 19h.

10 de junho de 2019

57 minutos – o tempo que dura esta peça

Foto: Pedro Mendes

O premiado artista mineiro Anderson Moreira Sales desembarca em São Paulo para estrear o segundo texto escrito, dirigido e atuado por ele: "57 minutos – o tempo que dura esta peça". O monólogo tem uma curta temporada no Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, até o dia 10 de julho, com sessões às terças e quartas-feiras, às 21h.
Inspirada pelo livro “Ulisses”, do escritor irlandês James Joyce (1882-1941), a dramaturgia se arquiteta a partir de uma premissa simples: um morador do subúrbio de uma cidade grande sai de casa em busca de cumprir seus compromissos e retornar ao lar. A aparente banalidade da narrativa problematiza a realidade contemporânea brasileira em sua cruel complexidade ao reconhecer a grandeza escondida nas pequenas coisas para denunciar a pequenez escondida nas coisas grandes.
Em meio a um cotidiano muitas vezes cruel e violento, o personagem central da história precisa encarar a construção da sua identidade. “Ele se oprime ao lidar direta ou indiretamente com as figuras masculinas que cruzam seu caminho e não se reconhece enquanto um ser que está no meio do caminho, rejeitando o estereótipo masculino e toda a sua construção cultural de opressão e ainda sem saber caminhar rumo a uma personalidade frágil e delicada. Reconhecer isso foi determinante para algumas escolhas da encenação”, comenta Anderson Moreira Sales.
Para o dramaturgo e ator, os últimos anos no Brasil foram muito violentos de uma forma geral. “Muito ódio foi sendo plantado, regado e agora o país está colhendo uma crueldade absurda. Isso tudo fomentou em mim uma revolta interna que foi expurgada da maneira mais inteligente e sensível que eu sei fazer que é transformar essa energia em texto e corpo em cena. É o lugar onde consigo me sentir mais forte para me vingar da maldade que me ronda”, acrescenta.

7 de junho de 2019

Mar Morto


Pense numa história de amor recheada de grande força lírica, um poema em prosa. Dizem que este é o romance preferido do autor, Jorge Amado (1912-2001), entre todos quantos escreveu. A narrativa é densa, contudo, repleta de detalhes. Publicado em 1936, “Mar Morto” leva o leitor para a beira do cais soteropolitano. São personagens que enfrentam o mar em lutas diárias pela sobrevivência. O misticismo baiano se funde aos dramas reais onde as mulheres perdem seus homens que são levados para sempre por Iemanjá, a rainha do mar . Misticismo a perder de vista. O protagonista é o jovem Guma, cuja amada Lívia quer libertar do “chamado do mar”. O cenário é o mar,  local de trabalho dos pescadores, canoeiros e mestres de saveiro. É o espaço das paixões e sensualidade, dos temores e conflitos, e, claro, como toda boa obra de Jorge Amado, do erotismo. Uma leitura valiosa!

6 de junho de 2019

Hedda Gabler

Foto: Hudson Senna

Escrita em 1891, "Hedda Gabler", do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), cria uma reflexão atemporal sobre o papel da mulher na sociedade. A peça ganha uma nova montagem traduzida por Leonardo Pinto Silva com direção de Márcio Macena que estreia no dia 14 de junho no Espaço Parlapatões. O elenco conta com Mel Lisboa, Samuel de Assis, Dudu Pelizzari, Rafael Maia, Carol Carreiro e Yael Pecarovich.
A encenação proposta pelo diretor Márcio Macena é pautada pela simplicidade e atemporalidade. “Minha escolha parte para uma encenação atemporal, com uma simplicidade exigida ao trabalharmos com a grandeza do texto de Ibsen e a qualidade do elenco que temos. Acredito que esses dois elementos já são suficientes para se fazer um bom espetáculo. Esse é o maior trunfo para falar desse feminismo, palavra que nem existia na época que o texto foi escrito, e que a figura da Hedda traz com tanta força. Quem diria que um texto escrito em 1890 seria tão atual”, revela.
“Hedda é uma das mais complexas e mais bem escritas personagens femininas da História do Teatro. Sua insatisfação com a vida que leva nos aponta para o questionamento do papel da mulher na sociedade hoje e sempre. Hedda Gabler é um texto engenhoso e que merece ser dito e ouvido”, diz Mel Lisboa, que interpreta a protagonista.
Na sinopse, Hedda (Mel Lisboa) é filha do falecido general Gabler, que morreu sem lhe deixar herança. Perto dos trinta anos, acabou se casando com Jorgen Tesman (Dudu Pelizzari), que está esperando por uma próspera cadeira na Universidade. Hedda está grávida, fato que ela esconde de todos; logo que chegam de viagem, Jorgen descobre que precisará competir pela cadeira na Universidade, justamente com um dos antigos admiradores de Hedda, Eilert Lovborg (Rafael Maia), conhecido por ser um boêmio, talentoso, mas propenso a beber demais. Apesar disso, ele tem vivido sobriamente, e está escrevendo duas teses em colaboração com Thea Elvsted (Carol Carreiro), que está apaixonada por ele, tendo inclusive deixado o marido para segui-lo.

5 de junho de 2019

Ator Mente

Foto: Heloisa Bortz

Considerado um dos ícones do teatro britânico atual, o autor Steven Berkoff tem três de suas peças curtas montadas pelo encenador brasileiro Marco Antônio Pâmio e agrupadas na comédia "Ator Mente", que estreia no dia 14 de junho no Teatro Nair Bello.
Os textos que inspiraram a montagem estão presentes na coletânea “One Act Plays” (Peças de Um Ato), composta por 19 peças curtas, divididas em vários blocos temáticos. A montagem relaciona as obras “I Wanna Agent” (“Quero um Agente”, em português) e “This is an Emergency” (“Isto é uma Emergência”), ambas da seção “Actors” (“Atores”), e “Roast” (“Assado”), presente no bloco “Rejection” (“Rejeição”).
O resultado é uma comédia que lança um olhar ao mesmo tempo sarcástico, melancólico e bem-humorado sobre o que é ser ator e toda a carga que a profissão carrega: as expectativas, as frustrações, as cobranças, o desemprego etc. São peças nas quais os personagens mostram o “outro lado da moeda” da profissão, revelando-se frágeis, patéticos, falhos e, por conta de tudo isso, profundamente humanos. Os três textos se comunicam em cena a partir da figura de um ator desiludido com a profissão, Brian Philips, interpretado por Norival Rizzo.

4 de junho de 2019

Os Lavadores de Histórias

Foto: Giuliana Cerchiari

O Auditório do Sesc Vila Mariana recebe a nova temporada do espetáculo infantil "Os Lavadores de Histórias", da Cia. de Achadouros, em temporada que vai de 9 a 30 de junho, com sessões aos domingos, às 15 horas. A montagem, dirigida por Tereza Gontijo, foi inspirada na poesia de Manoel de Barros. A dramaturgia de Silvia Camossa, foi concebida em processo colaborativo com o grupo, a partir das cenas improvisadas na sala de ensaio.

"Os Lavadores de Histórias" são três personagens - Urucum, Tom Tom e Jatobá -, interpretados pelos atores palhaços Emiliano Favacho, Mariá Guedes e Felipe Michelini, respectivamente. À noite, eles visitam quintais abandonados para lavar objetos esquecidos como brinquedos e roupas, e reviver momentos especiais da infância. Eles carregam consigo o “rio da memória”, no qual vão lavando as coisas que encontram e revelando histórias, fantasias, personagens e brincadeiras. Por meio de cenas cômicas, circenses, teatro de sombras e objetos, o espetáculo faz uma sensível reflexão sobre a relação da criança com o mundo real e da imaginação, e lança sobre a infância o olhar lúdico e poético.

Tendo como ponto de partida a potente e delicada poesia de Manoel de Barros, a concepção valoriza a intimidade com as pequenas coisas, a beleza contida em sutilezas, a graça da imaginação, as brincadeiras espontâneas e colaborativas e o contato com a natureza. A partir de uma imersão na obra do poeta, os atores foram para as ruas do bairro São Mateus em busca de histórias reais da memória afetiva de pessoas comuns (moradores antigos e crianças) que foram usadas em cenas da peça. 

A diretora Tereza Gontijo enfatiza que "Os Lavadores de História" foi concebido como um espetáculo para a família. “Enquanto a palhaçaria é diversão garantida para as crianças, o tom lírico e poético da peça toca os adultos ao acionar o dispositivo de suas lembranças da infância”. Ela ainda comenta que o processo junto à Cia. de Achadouros teve como estímulo o prazer do jogo de palhaços no trabalho de criar para o público infantil.

3 de junho de 2019

NÓS

Foto: Henk Nielman


Inspirado em obra homônima de Eva Furnari, com dramaturgia de Sérgio Pires e direção de Cris Lozano, a Cia. Barracão Cultural estreia o espetáculo "NÓS", no dia 8 de junho no Parque da Aclimação. As apresentações ocorrem na Área de Eventos em dois horários: às 11h e às 15h.

"NÓS" conta a história de Mel, uma garota que nasceu em um repolho mofado, na pequena Pamongas, onde vivia feliz e rodeada por borboletas, motivo de brincadeiras e zombarias por parte dos habitantes 'normais' da cidade. Um dia, de tanto segurar as mágoas e o choro, que não caia nem mesmo descascando cebolas, Mel acabou com o corpo cheio de nós, cada um mais apertado que o outro. Diante disso, ela convenceu seus pés de ir embora para um lugar distante, e saiu de Pamongas disfarçada de geladeira. Mel não sabia que havia tantas coisas para conhecer. Cinco nós foram necessários para que ela se aventurasse. Andou, cruzou montanhas e rios, encontrou animais, carroças e bicicletas pelo caminho. À medida que se permitiu vivenciar cada coisa diferente na jornada, seus nós foram se desfazendo e ela encontrou alguém que ganhou sua confiança. E Mel conheceu uma cidade onde cada um tinha seu próprio nó e ninguém ligava para isso.