29 de março de 2019

Semana do Teatro Rabinal

Foto: Divulgação

De 6 a 13 de abril acontece a Semana do Teatro Rabinal na sede do grupo Refinaria Teatral que traz pela primeira vez ao Brasil o grupo mexicano Teatro Rabinal. A programação traz a encenação de três peças (Dulce Sodoma, Actum e Toca la Tierra), um debate (As bases indígenas para a antropologia teatral) com o diretor mexicano Jorge Angeles e duas oficinas, uma de dança mexicana nativa e outra de preparação de atores.

O grupo Teatro Rabinal tem como histórico de pesquisa as essências do teatro nativo mexicano, partindo de danças e manifestações cênicas dos indígenas mexicanos. Esse trabalho do grupo mexicano estimulou o grupo Refinaria Teatral a investigar as bases do teatro brasileiro antes da colonização, pesquisa atual do grupo paulistano que objetiva, através de vivências e olhares nas manifestações artísticas de caráter cênico mais tradicionais dos povos indígenas brasileiros, encontrar a corporeidade cênica e a estrutura cênica dos povos originários das terras brasileiras. Pesquisa essa denominada de "Encontro com o teatro de Pyndorama".

No dia 6 de abril, o diretor Jorge Angeles do grupo mexicano irá apresentar uma palestra e debate sobre o teatro mexicano antes da colonização intitulado "As bases indígenas para a antropologia teatral". O evento será gratuito.

De 8 a 11 de abril, o grupo Teatro Rabinal realiza duas oficinas, uma de dança nativa mexicana para atores e outra sobre o seu processo de preparação de atores. As oficinas são gratuitas mediante uma seleção por currículo e carta de interesse que deverá ser enviada para o e-mail gruporefinariateatral@gmail.com.

No dia 11 de abril, o grupo Teatro Rabinal apresenta a peça "Dulce Sodoma" e no dia 12 de abril a obra "Actum". Nos dias 13 e 14 de abril, "Toca la Tierra". Os espetáculos serão no sistema pague quanto puder. Nas peças contracenam atores do grupo mexicano.

A Sede do Grupo Refinaria Teatral fica na João de Laet, 1507, Bairro Vila Aurora – SP. As reservas devem ser efetuadas pelo e-mail refinariateatral@gmail.com

28 de março de 2019

Vidas Medíocres ou Almas Líricas

Foto: Gal Oppido

“Vidas Medíocres ou Almas Líricas” é a nova peça da Cia. Alvorada, com estreia marcada para o dia 6 de abril, no Espaço Pequeno Ato. Após o sucesso de público e crítica com “É Samba na Veia, é Candeia”, o grupo apresentará uma mescla de cenas de quatro textos principais do dramaturgo russo Anton Tcheckhov, além de trechos de cartas e contos do autor, com o tempero inusitado e poético do samba de nomes como Cartola, Paulinho da Viola, Manacéa da Portela e Nelson Cavaquinho.

Para o diretor da companhia, Leonardo Karasek, a escolha por Tcheckhov se dá por reconhecer em sua obra questões universais e contemporâneas, que, embora escritas originalmente há cerca de 120 anos,  remetem a conflitos entre forma e conteúdo, passado e futuro, vida e morte e destino e tristeza. O autor russo, na opinião de Karasek, mantém uma fábula em seu enredo, no qual a unidade de tempo e espaço persiste e o diálogo oscila entre a relação dramática e a simples reflexão do mundo concreto e de um mundo de elucubrações.

“Na obra de Tchekhov, seus diálogos dizem pouco. A eloquência está nos solilóquios, chamados por Peter Szondi, em “Teoria do Drama Moderno”, de “lírica da solidão”, na qual existe uma liberdade nos silêncios, pausas e descontinuidade de tempo e espaço”, afirma o diretor.

A temporada vai até o dia 26 de maio, aos sábados às 21h e, domingos, às 19h. O Espaço Pequeno Ato fica na Rua Dr. Teodoro Baima, 78 - Vila Buarque - SP.

27 de março de 2019

Homens de Papel

Foto: Enrique Espinosa

"Homens de Papel", obra de Plínio Marcos com direção de Sergio Ferrara terá suas apresentações acontecendo entre os dias 5 e 14 de abril, no Teatro Nair Bello, de sextas e sábados (às 21h) e domingos (às 19h).

O enredo traz a história de um grupo de catadores de papel e suas relações de trocas comerciais exploradoras, enfatizando sempre a busca humana pela sobrevivência. A montagem é um estudo sobre o texto de Plínio Marcos (1935-1999), um dos mais importantes dramaturgos brasileiros, autor de inúmeras peças de teatro, escritas em sua maioria na época do regime militar.

26 de março de 2019

Loloucas

Foto: Divulgação

Depois de três temporadas de sucesso no Rio de Janeiro, a comédia "Loloucas" estreia em São Paulo, no Teatro Raul Cortez, no dia 5 de abril. No espetáculo, as personagens, assíduas frequentadoras de teatro, chegam atrasadas a uma peça e, ao tentarem ir embora, de repente se veem em cima do palco e acabam ganhando a cena. E ali em cima falam, com muito humor, dos amigos, das realizações, das frustrações, dos sonhos realizados e não realizados, da inexorável passagem do tempo, enfim, da vida. 
Heloisa conta como nasceu a ideia do espetáculo: “Quando cheguei aos 50 anos, pensei: talvez eu não tenha mais 50 pela frente. Então, preciso canalizar minha  energia de uma forma sábia”, resume Heloísa, sobre seu momento de vida. “Pensei inicialmente em fazer um monólogo, mas minha personagem se referia o tempo todo a uma Ieda, Ieda, um belo dia, Ieda pulou do papel e ai percebi: Ieda quer ganhar vida! E como Domingos Oliveira sempre me disse, as melhores histórias são aquelas que os personagens escrevem, trouxe Ieda a existência!” E esse papel foi oferecido a Maria Clara Gueiros, de quem ela é amiga há 30 anos.
“Poderia ter feito as personagens com as nossas idades reais, mas achei melhor romper com o tempo e o espaço, afinal acredito que tudo realmente esteja acontecendo ao mesmo tempo. A criança que fomos ainda é viva dentro de nós, por vezes damos vazão ao nosso lado adolescente e quando chegamos a “melhor idade” teoricamente já passamos por tudo isso, então já está tudo ali, dentro de nós. É só acessarmos. E podemos brincar com tempo, ir e vir e descobrimos finalmente a liberdade da existência É realmente pra quem decide escolher assim, a melhor idade”.
"Loloucas", de Heloisa Périssé, com direção de Otavio Muller tem sua temporada de 5 de abril a 26 de maio, às sextas, às 21h30; aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 18h.

25 de março de 2019

Entre

Foto: Henrique Resende

Nova produção da Barracão Cultural conta um dia na vida de dois irmãos (Alexandre Cioletti e Cláudio Queiróz) e a irmã (Eloisa Elena) que se encontram para organizar a festa de bodas dos seus pais. Este encontro, aparentemente banal, vai sendo afetado por acontecimentos no apartamento vizinho. Apesar de ser um encontro superficialmente afetuoso, a relação dos irmãos já evidencia aspectos do patriarcado nessa relação familiar. Um olhar mais profundo sobre como somos afetados pelo entorno, o quanto nos alienamos e onde está nosso medo, permeiam este encontro familiar.

"Entre" é um espetáculo que pretende gerar uma reflexão sobre os processos que alimentam a nossa sociedade patriarcal. A dramaturgia de Eloisa Elena parte da diferença de papéis e representatividade de gênero na sociedade e como esta questão está presente, muitas vezes de forma extremamente sutil e adaptada ao cotidiano, para abordar a nossa cumplicidade e passividade diante dos mais diversos desdobramentos e consequências do histórico patriarcal que estrutura nossa formação.

“Entre" trata da correlação entre afetação, alienação e medo. O quanto somos afetados pelo que ocorre ao nosso redor e as consequências desta afetação, são questões cada vez mais cotidianas para todos nós. Ao mesmo tempo que somos bombardeados por informações do que ocorre no mundo inteiro e estamos o tempo todo nos manifestando e nos posicionando nas redes sociais e nos nossos pequenos círculos, continuamos muitas vezes fechando os olhos e ignorando o que ocorre ao nosso lado. Violências acontecem dentro de casa, pessoas morrem na nossa esquina e por uma infinidade de razões, muitas vezes não nos damos conta disso e do que não fizemos para evitar. 

O espetáculo estreia no dia 4 de abril na Sala Itaú Cultural, quinta a sábado às 20h e domingo às 19 horas. Até 07 de abril. Temporada Oficina Cultural Oswald de Andrade – De 11 a 20 de abril. Sendo dias 11, 12 e 18 - quinta e sexta - 20h. Dia 13 – sábado - 18h. Dias  19 e 20 – sexta e sábado – 18h  (em função do feriado).

22 de março de 2019

O Aniversário de Jean Lucca

Foto: Ale Virgílio e Rafael Cusato

O compositor e dramaturgo Dan Nakagawa, que figura entre os novos diretores da cena teatral paulistana atual, estreia seu terceiro espetáculo, "O Aniversário de Jean Lucca", definido por ele mesmo como um “quase” musical do Teatro do Absurdo. A montagem, que teve sua primeira leitura dramática em Estocolmo, na Suécia, em dezembro de 2018, estreia no dia 3 de abril, no Teatro Sérgio Cardoso, onde segue em cartaz até 2 de maio.
Com forte influência da dramaturgia de Samuel Beckett, Matéi Visniec e Eugène Ionesco, a peça narra os preparativos da festa organizada por uma babá para comemorar o aniversário do menino Jean Lucca, filho único de um casal que mora em um luxuoso condomínio nos arredores de São Paulo. Essa criança nunca é vista na peça e sobre ela pouco se sabe, nem mesmo a sua idade ou aparência física. Assim a presença dele se faz pela sua constante ausência.
O enredo se passa durante o fragmento de tempo correspondente aos preparativos da festa até seu início. Nesse ínterim, a Babá e todas as pessoas que vão chegando na casa-bolha dessa família se mostram uma ameaça na vida desse casal, gerando ora uma paranoia excessiva, ora uma profunda apatia. A encenação fala sobre os muros visíveis e invisíveis, físicos e subjetivos que nos cercam, gerando incômodo frente a marginalização, segregação, apatia social, indiferença e a paranoia.    
O texto nasce em consonância com estudos do psicanalista e professor paulistano Christian Dunker sobre o conceito de “Cultura da Indiferença”. Segundo o estudioso, tal cultura se desenvolve no interior de uma sociedade normatizante, branca e heteronormativa que nega, por meio da indiferença, as diversidades individuais, erguendo barreiras para anular essas subjetividades. Assim, transformamos o nosso entorno em uma bolha de iguais e, portanto, narcisista, onde tudo que se quer ver em um mundo previsível é a si mesmo e não o outro.

21 de março de 2019

O Santo Dialético

Foto: João Caldas

O Teatro do Incêndio reestreia "O Santo Dialético" no dia 30 de março, às 20h, para uma curta temporada com apenas oito apresentações, até o dia 21 de abril.

Com texto e direção de Marcelo Marcus Fonseca, a montagem - resultante do processo de pesquisa do projeto A Teoria do Brasil - investiga os vestígios da essência ancestral do brasileiro por meio de pessoas que, vivendo em São Paulo, perderam o contato com suas origens, e passaram a habitar um mundo determinado por valores urbanos.

Dividida em dois atos, a montagem parte do ponto de vista de pessoas comuns, inquietadas pelo esquecimento e pela perda de fatos de sua própria história. Elas seguem, então, em busca de uma mitologia que possa explicá-la. A peça propõe o entendimento da descaracterização do negro, do índio e do próprio europeu (transformados em outra raça), indo à procura desse “novo povo”, o brasileiro, levando cada personagem numa espécie de voo interior rumo à própria raiz.