29 de setembro de 2017

La Princesse de Montpensier


A película "La Princesse de Montpensier" ou "A princesa de Montpensier" (2010) certamente prende a atenção da audiência, inclusive pela trajetória proposta romântica da época. É bem dirigido, tem diálogos primorosos e uma fotografia primorosa. Na narrativa, ano de 1562, a Franca sob o reinado de Charles IX, enfrenta o furor das guerras religiosas. Marie de Mézières, uma das herdeiras mais ricas do reino, ama o jovem Duque de Guise, que a história denominará mais tarde "O Acutilado". Ela crê ser amada reciprocamente por ele. O seu pai, o Marquês de Mézières, preocupado em elevar a sua família, constrange-a a desposas o Principe de Montpensier que ela nunca viu. Este último é convocado por Charles IX a juntar-se aos príncipes na guerra contra os protestantes. O país estando a fogo e sangue, o príncipe, a fim de proteger a sua jovem esposa, envia-a em companhia do Conde de Chabannes para um dos seus castelos mais recuados, Champigny. Ele encarrega o conde, seu antigo preceptor e amigo, de perfazer a educação da jovem princesa para que ela possa um dia apresentar-se na corte. Insatisfeita, Marie tenta esquecer a viva paixão que nela continua latente por Guise. O caso da vida e a guerra farão com que Guise e o duque de Anjou, futuro Henri III, se alojem no castelo ao mesmo tempo que Montpensier chega a Champigny. Anjour apaixona-se por sua vez pela princesa de quem Chabannes também se enamora. O final é, certamente, inusitado! Confira o trailer.

28 de setembro de 2017

Se Existe Eu Ainda Não Encontrei

Foto: Priscila Prade

"Se Existe Eu Ainda Não Encontrei", do inglês Nick Payne, retrata, de forma bem humorada e emocionante, a falta de comunicação entre uma família. Com Helena Ranaldi, Leopoldo Pacheco, Luciano Gatti e Lyv Ziese, espetáculo dirigido por Daniel Alvim estreia no Teatro Eva Herz, no dia 30 de setembro. No espetáculo, os personagens viscerais mostram como as pessoas, mesmo que estejam preocupadas em salvar a humanidade, encontram subterfúgios para fugir dos problemas íntimos na própria casa. Nesse contexto, os filhos são muitas vezes negligenciados por seus pais. É o que acontece com a adolescente Anna, que está acima do peso e, por isso, tem sofrido  com o bullying de seus colegas de classe. Ignorada pelos pais, ela caminha, de decepção em decepção, para a beira do abismo. Enquanto a filha enfrenta os desafios dessa turbulenta fase da vida, o ambientalista George está obsessivamente envolvido com seu livro sobre as emissões de carbono na atmosfera. Já sua mulher Fiona usa seu novo musical, que está prestes a estrear na escola, como pretexto para fugir das questões conjugais e da doença degenerativa de sua mãe. O cotidiano aparentemente simples desse pequeno núcleo evoca, no entanto, uma série de temas contemporâneos relevantes, como sustentabilidade, bullying, incomunicabilidade e aquecimento global, que são discutidos com um tom dramático, mas temperado com o conhecido humor britânico. O espetáculo estreia no Teatro Eva Herz que fica na Av. Paulista, 2073 - Cequeira César. A temporada apresenta-se até o dia 10 de dezembro, sábados às 21h e domingos às 19h.

27 de setembro de 2017

Scavengers

Foto: Alexandre Reia

O espetáculo "Scavengers" narra jornada de um homem falido em busca de uma saída. Com direção de Francisco Medeiros, o espetáculo comemora os 15 anos da Cia. Artera de Teatro. Montagem inédita da peça do escocês Davey Anderson estreia no Centro Cultural São Paulo, no dia 29 de setembro. O que é preciso para um cidadão excluído sobreviver à crise das instituições? Esse é o ponto de partida de "Scavengers". Como esse texto exigia um diretor capaz de fazer provocações sobre a escuta de si, do outro, dos entornos e das relações em sociedade. O elenco é composto pelos atores Ricardo Corrêa, Davi Reis, ambos da Cia. Artera, e dos convidados Fani Feldman, Gabriela Rabelo e Rogério Brito. A trama narra a saga de Michael Findlater, um homem em colapso financeiro que decide forjar sua morte, abandonar sua vida antiga e virar um andarilho até encontrar uma outra forma de viver. Dessa maneira, ele pretende se reinventar. Na sociedade do consumo, as vontades individuais se sobressaem aos interesses coletivos e pequenos grupos à margem se unem como um coro de sobreviventes. O protagonista é uma metáfora para um país em crise e ao mesmo tempo a metáfora da incansável busca pela sobrevivência e pela felicidade. Como a peça foi escrita para a realidade escocesa, foram estabelecidos novos pontos de comparação com o contexto e os problemas brasileiros. A encenação lança um olhar sobre a cidade de São Paulo, seus excluídos, esconderijos, movimentos e sons. A poesia surge das relações dos artistas com o entorno e com as paisagens urbanas e grotescas da pobreza. O espetáculo foi contemplado na 5ª edição do Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo. A temporada se apresenta no Centro Cultural São Paulo (CCSP) - Rua Vergueiro, 1.000, Paraíso - até o dia 5 de novembro, às sextas e aos sábados, às 21h; e aos domingos, às 20h.

26 de setembro de 2017

A Metamorfose

Foto: Júnior Cecon

Com concepção, direção e coreografia de Sandro Borelli, "A Metamorfose" reestreia dia 28 de setembro no Kasulo Espaço de Cultura e Arte, em São Paulo. "A Metamorfose", de Franz Kafka, conta a história de Gregor Samsa, um caixeiro viajante que depois de sonhos intranquilos, acorda metamorfoseado em um escaravelho, tornando-se assim o "objeto" de desgraça e vergonha de sua família, um estranho rejeitado pelos seus pares em sua própria casa, sendo lançado a sentimentos terríveis de inadequação, culpa e isolamento. Através do corpo que dança, o espetáculo apresenta os limites do flagelo e das torturas psíquicas, emocionais e físicas que os sistemas políticos de governo imprimem ao homem comum. A coreografia procura reproduzir a tensão asfixiante e opressiva da obra de Kafka, que coloca o cidadão em um único destino possível - o caminho de ida, sem qualquer possibilidade de retorno. A vida encaixotada no seu devido lugar, o da insignificância absoluta. A temporada vai até o dia 15 de outubro, quinta e sábado às 21h e domingos às 19h, no Kasulo Espaço de Cultura e Arte que fica na Rua Sousa Lima, 300.

25 de setembro de 2017

Paz na Terra aos homens de botequim


Paulo Pellota desenvolve uma escrita com muita maestria e humor refinado no livro "Paz na Terra aos homens de botequim". O livro traz crônicas e histórias curtas sobre bares e botequins. Criatividade e verossimilhança de sobra em cada texto. Ele vai seduzindo aos poucos, como quem não quer nada, e quando o leitor se dá conta, já está lá, dentro de um bar, bebendo ou rindo com as tramas. Os papos de botecos não tem censura e o leitor, em algum momento, sente afinidade com as histórias. A função social do bar é justamente liberar os espíritos e fazer aflorar as identidades a fim de facilitar a conversa. Os temas vão surgindo naturalmente e vai-se falando de tudo um pouco. Importantes decisões sobre os destinos da humanidade são tomadas. Política, futebol, discos voadores, o melhor chopp da cidade, tudo é discutido. Uma delícia de leitura!

22 de setembro de 2017

A floresta que se move


Além de belas locações e produção criteriosa, o drama brasileiro "A floresta que se move" (2015) tem uma boa direção de arte. Há o clima de mistério e suspense, fruto de uma boa direção, mas a adaptação da história para os dias atuais em si não convence. Na narrativa, Elias (Gabriel Braga Nunes) é um bem sucedido empresário do segundo maior banco do Brasil. Seu destino muda no momento em que ele encontra uma misteriosa flautista que se diz vidente. Ela afirma que, naquele dia, ele se tornará vice-presidente e que, no dia seguinte, o homem seria presidente do banco. Quando ele conta a história para sua esposa, a ambiciosa Clara (Ana Paula Arósio), ela sugere que o casal convide o presidente do banco para jantar em casa naquela noite, para que o marido suba de posição na empresa. Só que o plano arquitetado por Clara culminará em uma série de assassinatos, em uma busca desenfreada por poder. A película é livremente inspirada em Macbeth, de William Shakespeare. Confira o trailer!



21 de setembro de 2017

Do Outro Lado

Foto: Miriã Brasil

Vanessa Gerbelli e Alessandra Verney cantam os desejos e memórias dentro da prisão na peça "Do Outro Lado". Com direção de Patrícia Pinho e participação especial e direção musical do pianista Miguel Briamonte, espetáculo cumpre sua temporada de estreia no Teatro Porto Seguro, entre 27 de setembro e 26 de outubro. O musical se passa no pátio de uma prisão fictícia, onde duas mulheres e um pianista (Miguel Briamonte) fazem um espetáculo em homenagem a uma colega falecida há uma semana. Silmara (Vanessa Gerbelli) está pagando por um crime que diz não ter cometido e a cantora e musicista Diana (Alessandra Verney) é acusada pelo marido de tentativa de assassinato. A peça, além de dramatizar as memórias, desejos e projeções das duas personagens, conta a amizade improvável que floresce entre elas em condições de escassez e solidão. A prisão é retratada metaforicamente pelo diretor de arte Gringo Cardia, que criou uma instalação em formato de um imenso coração e de um cadeado. A encenação procura evocar com sutileza a delicadeza e a paixão das almas femininas. O Teatro Porto Seguro fica na Alameda Barão de Piracicaba, 740 - Campos Elíseos. A temporada acontece todas às quartas e quintas-feiras, sempre às 21h.