O que o jornalismo prioritariamente vende? Tragédia, miséria, desgraça e tantas outras coisas negativas que viram noticia no nosso dia a dia. Frente a isso, podemos dizer que toda regra há exceção. E ainda bem que exceções existem! Como exemplo, temos o livro Sou Feliz, Acredite! dos jornalistas Mônica Bernardes e Mauro Tertuliano que se vestiram de coragem e decidiram ir por outra direção. Sorte a nossa, pois com a idéia de contar histórias reais de pessoas que passaram por grandes sofrimentos, mas se superaram transformando a dor em muitas vezes uma bandeira pelo amor, nós, leitores, é que saimos ganhando com tal obra. Quer algo mais bonito que isso? As histórias são extremamente inspiradoras. A leitura tem vivacidade e sentimento à flor da pele. Edifica qualquer ser humano. Há uma diversidade que figuram entre um sobrevivente do Holocausto, os pais de uma desaparecida política, uma mulher que optou pelos doentes como uma nova família, a outra que saiu da sarjeta e foi para o castelo dos sonhos, enfim, pessoas que não desistiram de sua felicidade apesar de tanta provação. Um livro que faz a diferença, acredite.
31 de outubro de 2011
28 de outubro de 2011
A Vingança da Mão Psicótica
Para distrair um pouco o final de semana uma pitadinha de humor nele. Veja o curta A Vingança da Mão Psicótica. De tão ridículo é hilário, mas ainda assim vale pela tentativa de atuação do personagem e consequentemente sua sonoplastia. Na história, uma simples esperiência leva um cientista ao encontro de sua própria destruição. A mão do cáos! Divirta-se se puder ou conseguir, sei lá.
27 de outubro de 2011
Hora Menos
Numa produção conjunta entre Espanha, Venezuela e Brasil, o filme Hora Menos (2010) faz parte da 35ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo em grande estilo. Tem uma história boa com personagens fortes e bem construídos. A estrutura e os diálogos são bem delineados. Tem bons conflitos e a tragetória da história é orgânica. Na trama, Isabel e Yudeixi são duas mulheres de temperamento oposto que se veem unidas e se tornam imigrantes do dia para a noite. Isabel é uma enfermeira de 49 anos das Ilhas Canárias, mas mora na Venezuela. Yudeixi del Carmen é uma garota pobre de 17 anos que está acostumada a uma vida criminosa. Elas viajam para as Canárias para se refugiarem. Para Yudeixi poder permanecer na Europa, Isabel torna-se sua representante legal. Assim, elas são obrigadas a começar juntas do zero. O final é maravilhoso. Vale à pena ver.
26 de outubro de 2011
Jeanne
A ficção alemã Jeanne (2011) tinha tudo para ser um bom filme já que a idéia foi inspirada no drama de Joana d'Arc, mas ela se torna um fiasco e uma perda de tempo para os telespectadores. O que seria uma obra audiovisual é pobre em ação (na verdade não existe nenhuma) e permanece no mesmismo do inicio ao fim, cansa por demais. A única coisa que salva é o texto, mas obviamente porque foi inspirado em uma história real. Em alguns momentos, de tanto que o filme é mega lento, me questionava se teria acontecido algum problema nos equipamentos exibidores do Festival. Às vezes me pergunto o que leva diretores a produzir e desperdiçar dinheiro em algo tão enfadonho. Lamentável. Na história, uma garota está em uma sala fechada. Atrás dela há uma parede branca. Ela está ali sentada, esperando e olhando. Sua própria voz conta sua história, de como ela vê anjos e ouve vozes. Como ela lutou guerras, conquistou vitórias, quase libertou uma nação. Como foi traída e capturada. Como é julgada e maltratada nesta sala, uma prisão, na qual espera seu julgamento. A história de Joana d’Arc, ou os delírios de uma menina presa, ou a resistência palestina que surge de sua voz; seu olhar acusador, que ousa olhar confrontar e desafiar. Joana d’Arc na Palestina. Se quiser arriscar é por sua conta e risco...25 de outubro de 2011
Ami Aadu
O filme indiano Ami Aadu ou O Som do Amor (2011) também está na 35ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O filme é singelo e nos apresenta uma realidade que desconhecemos, pelo menos de perto. Ele é lento e por vezes previsível, mas um belo filme. Tem humor, mesmo para o que se propõe e vemos o mundo com mais simplicidade e certa ignorância através dos seus personagens. Na trama, Aadu, uma garota hindu brâmane, está apaixonada pelo muçulmano Suleman, que após se casar com ela vai para o Iraque com dois amigos para trabalhar. O trabalho no Iraque dá um bom dinheiro e a família começa a se estabelecer com conforto. Aadu ganha um gravador e, na véspera de sua partida, Suleman grava o som do casal fazendo amor e leva com ele a fita. Mas tudo começa a mudar. Os Estados Unidos invadem o Iraque e a guerra começa. Aadu não recebe mais notícias de seu marido. Depois que a guerra termina e Saddam não governa mais, ela ouve todo tipo de notícia, menos sobre seu marido. Uma dica: aproveitem a mostra para quebrar paradigmas e se deleitar com o verdadeiro universo do cinema, sem a preocupação comercial, mas não esqueça de visitar sempre o site da programação, pois às vezes sessões já estão lotadas antes de começar.
24 de outubro de 2011
Pourquoi Tu Pleures?
O filme francês Pourquoi Tu Pleures? ou em bom português Por que Você Está Chorando? (2011) faz parte da 35ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo que começou desde 21 de outubro e vai até 3 de novembro de 2011. A seleção de filmes está maravilhosa. São nada mais, nada menos do que 250 títulos dos mais variados países e cinematografias. Tudo isso exalando em 22 salas de cinemas, museus e centros culturais espalhados pela capital paulista. São Paulo respira cinema e os cinéfilos lotaram as salas neste final de semana. Em Pourquoi Tu Pleures? vemos um filme pra lá de orgânico com certa dose de humor e diálogos discretos, mas eficientes. Um belo filme, um belo roteiro. Na trama, poucos dias antes de seu casamento, um jovem tem que tomar decisões inesperadas, relacionadas à sua noiva fugaz; à garota que ele acabou de conhecer; sua irmã, seus sogros incompreensíveis, seus amigos e até os homens que trabalham em seu apartamento. Casamento ou amor passional, passado familiar ou futuro conjugal, com balões ou sem balões, pétalas de flores ou amêndoas com açúcar – como lidar com questões tão cruciais? A programação da amostra tem de tudo um pouco, então, não perca tempo e aproveite a oportunidade rara de assistir a excelentes filmes.
21 de outubro de 2011
Capitães de Areia
Com uma trilha sonora espetacular, uma direção sob medida e uma excelente produção, o filme Capitães de Areia (2011), baseado na obra de Jorge Amado, tem muito o que contar sobre a Bahia. Os personagens, tanto em roteiro quanto em interpretação, são bem construídos. O que só vem a comprovar que não há necessidade de atores globais para se fazer uma bela obra ou uma obra de sucesso. A história tem que funcionar, é verdade, mas a poesia da trama está delineada em cada segundo da película. Uma curiosidade é que os atores foram selecionados na comunidade carente de Salvador, então, vemos um sotaque natural, sem falsas representações como é comum se ver na dramaturgia brasileira. Na trama, Pedro Bala (Jean Luís Amorim), Professor (Robério Lima), Gato (Paulo Abade), Sem Pernas (Israel Gouvêa) e Boa Vida (Jordan Mateus) são adolescentes abandonados por suas famílias, que crescem nas ruas de Salvador e vivem em comunidade no Trapiche junto com outros jovens de idade semelhante. Eles praticam uma série de assaltos, o que faz com que sejam constantemente perseguidos pela polícia. Um dia Professor conhece Dora (Ana Graciela) e seu irmão Zé Fuinha (Felipe Duarte), que também vivem nas ruas. Ele os leva até o Trapiche, o que desencadeia a excitação dos demais garotos, que não estão acostumados à presença de uma mulher no local. Pedro consegue acalmar a situação e permite que Dora e o irmão fiquem por algum tempo. Só que, aos poucos, nasce o afeto entre o líder dos Capitães da Areia e a jovem que acabou de integrar o bando. Sem sombra de dúvidas, a diretora Cecília Amado fez um belo trabalho. E que venham mais! Uma boa pedida para o final de semana, pode acreditar.
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